Igor Santini Eu continuo olhando para o meu pai que está bem à minha frente. Estou tentando entender. Existe algo dentro de mim que ainda está em alerta, procurando algum sinal de mentira, alguma hesitação, alguma brecha que revele que aquilo tudo é apenas uma encenação. Mas não encontro. Meu pai sustenta o olhar e não desvia. Não parece tenso e não parece desconfortável. Não parece alguém que está escondendo algo naquele momento. Eu conheço meu pai há tempo suficiente para reconhecer quando ele mente. Ele sempre teve certos sinais. Um pequeno desvio de olhar. Um movimento repetitivo com os dedos. Uma mudança sutil na respiração. Mas agora… nada disso aparece. Ele parece completamente firme. O silêncio entre nós se prolonga por alguns segundos. Eu giro levemente a taça de vinho e

