Igor Santini Eu dirijo em silêncio, com os olhos fixos na estrada, mas a mente está mais à frente, já sabendo no que me espera. O volante firme entre as minhas mãos é pressionado sem que eu pereça direito. Eu respiro fundo algumas vezes, tentando manter a calma, tentando organizar as ideias antes do inevitável confronto. Porque eu sei exatamente o que vem. Serão: gritos, acusações e drama. E, talvez, lágrimas. — É incrível… — A voz do meu pai quebra o silêncio ao meu lado. — Como depois de tudo ter sido perfeito ontem… o dia já começar assim. Eu solto um leve suspiro pelo nariz, sem tirar os olhos da frente. — Eu já esperava isso… — Respondo, com a voz controlada. — Mas ela não vai poder mudar nada do que aconteceu. Ele assente devagar. — Não vai mesmo. O restante do caminho segue

