Igor Santini Eu ainda estou com ela nos braços quando tudo se encaixa. Aurora está grudada no meu pescoço, os bracinhos apertando forte como se eu fosse escorregar dela a qualquer momento. O rostinho escondido aqui, a respiração quentinha batendo na minha pele… e ela sussurra, quase como se fosse segredo: — Papai… papai… Eu rio baixo, mas é um riso que vem embolado. Eu não planejei isso. Nada disso. Não existia discurso pronto, não tinha ensaio, não tinha momento perfeito desenhado na minha cabeça. Quando eu vi a pergunta nos olhos dela… eu só pensei rápido. Eu não queria que ela recebesse uma resposta vazia. Não queria que eu ou a Nancy inventássemos uma desculpa, uma meia verdade, um “depois a gente vê”. Ela já esperou demais por respostas na vida. Então eu usei o momento. Usei a

