Nancy Santini Eu sinto como se o chão tivesse sido arrancado debaixo dos meus pés. A palavra “alvo” ecoa na minha cabeça de um jeito que eu não consigo explicar. Não é só medo. É algo mais profundo. Mais frio e mais sufocante. É a consciência de que aquilo que aconteceu… poderia ter sido comigo. Eu poderia estar naquela cama de hospital. Eu fecho os olhos por um segundo, mas a imagem vem com força total. Igor deitado, imóvel, o rosto pálido, o corpo cercado por máquinas, fios, curativos… Eu vejo cada detalhe como se estivesse acontecendo agora, como se eu ainda estivesse ali, parada ao lado dele, tentando não desmoronar. E então uma sensação horrível cresce dentro de mim. Poderia ser eu. Eu sinto um arrepio subir pela minha coluna e o meu estômago se contrai de um jeito doloroso. Mi

