Ainda dá tempo. — Bom dia, senhor Santini. — Odete diz da cozinha. — Bom dia, Odete. Ela sorri. — Já deixei tudo separado. Farinha, ovos, leite... tudo. Eu encosto na bancada. — Hoje é missão importante. Obrigado! Ela ri. Eu começo a misturar a massa e, por alguns minutos, a minha cabeça desacelera. O barulho da colher, o cheiro do café passando… é isso que eu queria. Simples. Eu olho para a massa e penso na Aurora. Quanto tempo será até ela confiar totalmente em mim? Até parar de ter aquele medo silencioso de ser deixada? Eu parei a minha vida por isso, para ter isso dela. Eu quero que ela me ame, que me veja como pai dela de verdade. Não quero mais ser visto como um “amiguinho”. Já é uma coisa, mas é pouco demais. A primeira panqueca vai para a frigideira, dourando devagar. O

