- Nossa amiga, então ele ainda lembra do beijo?
Eu deitei na cama da Amanda e fechei os olhos.
- Eu achei que estava livre dessa vergonha, mas ele lembra sim.
Amanda sentou ao meu lado.
- Vergonha de que amiga? Você não fez nada demais.
Sentei na cama e encarei minha amiga.
- Claro que fiz Mady, eu me joguei nos braços dele e pedi um beijo.
Amanda revirou os olhos sonhadora.
- E que braços! Você já viu os braços daquele homem Kelly?
Ela se abanou para um calor imaginável.
- Como eu queria aqueles braços me pegando no colo, ele fazendo amor comigo!
- Amanda!!
Ela levantou as mãos em sinal de paz.
- Calma, é só brincadeira, eu não quero seu Michael não.
- Ele não é meu Michael!
- Bem que eu queria um pai de mentirinha daqueles. Imagina ai, você naquela hora dizendo “ai papai, vem, me fode”, ah...ah... – Ela fingia estar gozando.
- Para Amanda! Estou falando sério.
Ela fechou a boca fingindo seriedade.
- Ta bom, parei. E ai? O que vai fazer de agora em diante?
Respirei fundo.
- Não sei, ele quer que eu vá trabalhar lá no escritório dele.
Amanda arregalou os olhos.
- Trabalhar com ele? Por que?
- Sei lá, pra me controlar mais de perto, deve ser.
- Não tem como contestar esse testamento não? você só tem essas três opções mesmo?
Levantei e comecei a andar pelo quarto.
- Parece que sim. Ou eu me caso antes do 21 anos, abre aspas, com alguém escolhido pelo Michael, ou me caso com o Michael, ou... se ele se apaixonar por alguém e casar antes disso ele me adota como filha.
Amanda bateu os dedos nos lábios pensando.
- Resumindo, o Michael é a chave de tudo.
- Infelizmente.
Eu conhecia a Amanda. Ela já estava maquinando um plano mirabolante.
- O que está pensando Mady?
Ela sorriu.
- Você não quer casar com o Michael então?
- Claro que não Amanda!
- Então nós precisamos casar o Michael.
Franzi a testa.
- Como assim?
- Nós precisamos fazer o Michael se apaixonar por alguém e casar. Ai ele te deixa em paz.
Isso era verdade!
- Ele a Mônica terminaram.
- Hum...
- Mas tem uma tal de Jéssica ai na jogada.
- Pronto, vamos descobrir quem é Jéssica.
Agora você vai ver Michael Barreto.
- Agora eu quero trabalhar lá com ele. Preciso ficar perto dele para executar esse plano.
Amanda pulou da cama e me abraçou.
- Isso ai garota, nós vamos casar esse homem o mais rápido possível.
- Mas vamos ver quem é a tal Jéssica primeiro, lembre que a fulana vai ser minha madrasta.
Amanda abriu o guarda roupa.
- Vamos partir pra luta, vamos ao shopping e na volta passamos lá no escritório.
Ela estava animada como se fosse combater a guerra que salvaria o mundo. Eu duvidava que fosse tão fácil dobrar o Michael, mas resolvi ficar calada.
Amanda era melhor amiga e nós fomos criadas juntas. Os pais dela eram advogados também e tinham um grande escritório ali em São Paulo. Ela tinha mais dois irmão que estavam na faculdade e eles resolveram ir por outro caminho. Estavam fazendo medicina. Amanda também queria ir pela área da saúde, para desgosto dos pais. A minha sorte era que eu realmente gostava da área jurídica, então não seria um castigo fazer faculdade de direito.
Amanda era bem diferente de mim. Eu sou loira e bem alta. Ela é baixinha e tem traços orientais. O cabelo dela é muito liso e ela entra no chuveiro e sai parecendo que acabou de escovar os cabelos. Eu brinco com ela dizendo que eu morro de inveja do cabelo dela.
Os meninos da escola ficam loucos por ela. Acho que os homens tem uma fixação pelas orientais. Se bem que eles também dizem que adoram as loiras. Na verdade os homens são uns babacas, eles pegam qualquer mulher que der mole pra eles.
O Michael terminou com a Monica em um dia e no outro já estava pegando a Jéssica e o Diogo queria me pegar à força. Que raiva desses idiotas!
Amanda saiu do banheiro e vestiu uma calça florida larga e um top branco. Sacudiu os cabelos e fez uma pose pra mim.
- Estou bem?
- Arrasadora, vamos lá.
Ela pegou a bolsa.
- Você também está um show com esse vestido, vamos para o ataque! Se prepara Michael!
***
Ficamos no shopping até o final da tarde e fomos de taxi para o escritório do Michael.
Ali funcionavam várias salas com advogados e a sala do Michael ocupava quase um andar inteiro. Ele vivia me criticando por ter dinheiro, mas ele também era um filhinho de papai. Aquele prédio inteiro pertencia a família dele e eles alugavam as salas para diversas especialidades. Ele poderia viver no luxo sem trabalhar, mas ele era um viciado em trabalho igualzinho ao meu pai. Talvez por isso eles se davam tão bem um com o outro.
Eu me lembro de ouvir meu pai dizer que o Michael era uma advogado justo e competente e que mesmo sendo tão jovem ele já tinha o nome marcado no rol dos melhores advogados de São Paulo. Pelo menos aquilo eu admirava nele. Ele era sério e comprometido no que se referia ao trabalho. Era um mulherengo sim, mas era um homem de caráter.
Vários funcionários já saiam do prédio encerrando seu expediente e nós entramos em um elevador lotado.
Uma morena de p****s enormes e cílios postiços conversava com a colega ao lado.
- O Michael não vai escapar de mim, ele recusou meu convite para jantar, mas eu vou insistir.
A outra riu ao lado dela.
- Calma Jéssica, deixa o homem respirar.
Jéssica!?
Aquela peituda era a tal Jéssica?
Meu coração acelerou e minhas começaram a suar. Amanda segurou meu braço com força e cochichou no meu ouvido.
- Nem pense em fazer o que está pensando!
Que porr@ eu estava pensando mesmo? Porque eu estava com vontade de furar os p****s dela pra ver se eram de silicone.
O elevador abriu e a Amanda me puxou para o corredor.
- Calma kelly, respira!
- Eu não quero essa... essa... moça, como minha madrasta!
- Ai meu Deus! Para com isso Kelly, ciúmes agora não.
Empurrei a mão da Amanda do meu braço.
- Eu? Com ciúmes? Me deixa Mady.
Amanda me beliscou.
- Cala a boca, olha quem vem ali.
O Michael andava em nossa direção pelo corredor.
O andar dele era uma coisa intimidadora. Ele pisava forte e andava de cabeça erguida. Não sei pra que merda um advogado precisava de tantos músculos. Ele gostava era de se exibir.
- Oi meninas, o que fazem aqui?
Amanda riu nervosa.
- Viemos casar você.... Não! viemos visitar você.
O Michael me olhou confuso.
- Não entendi.
Engoli em seco.
- Nada... viemos ver como vai ser meu trabalho.
Ele olhava desconfiado de mim para a Amanda e para mim de novo.
- Sei... vamos pra minha sala.
Eu estava nervosa.
- Eu conheci a Jéssica agora no elevador.
Ele sentou na cadeira alta atrás da mesa e me encarou.
- Ela trabalha aqui.
- Ela é bonita.
Ele olhou para a Amanda ao ouvir a afirmação dela e não segurou o riso.
- Você quer dizer que ela é um tanto.... exagerada, eu suponho.
Amanda riu meio tímida.
- Bom... ela parece um pouco artificial. O cabelo dela é mega, as unhas são postiças e... os p****s, são silicones?
Ela perguntou tentando segurar o riso.
Michael arqueou a sobrancelha.
- Você viu tudo isso em menos de 10 minutos?
- Vi sim. Os p****s são silicones?
Ele apertou os lábios visivelmente sem jeito.
- Sim, são.
Pensei nos meus s***s minúsculos e imaginei que se dependesse daquele artificio para conquistar um homem eu estava ferrada.
O Michael voltou a olhar para mim.
- Está quieta Kelly, algum problema?
Cruzei as pernas.
- Não. O que eu vou fazer aqui mesmo? Onde eu vou trabalhar?
- Como eu disse, a Miriam está doente e você vai substituí-la. Vai organizar minha agenda e me ajudar com os processos. Quer vim amanhã?
Encolhi os ombros.
- Tenho outra escolha?
Ele riu.
-Não.
- Pronto. Então eu venho amanhã.
Ele levantou e pegou a chave do carro.
- Vamos, eu já terminei por hoje e como estou de bom humor vou levar as mocinhas pra comer alguma coisa, querem?
Amanda pulou da cadeira animada.
- Quero sim!
Fuzilei-a com o olhar e ela piscou um olho pra mim. Ela era uma amiga da onça. Estava se voltando para o lado do inimigo.
O Michael abriu a porta do escritório e nos olhou.
- Vamos logo garotas, antes que eu desista de bancar a babá de vocês.