bc

A Lei Do Amor: Entre a Farda e o Fuzil

book_age18+
154
FOLLOW
1.7K
READ
forbidden
system
opposites attract
friends to lovers
curse
badboy
powerful
mafia
gangster
drama
tragedy
bxg
campus
city
office/work place
war
love at the first sight
surrender
like
intro-logo
Blurb

Erika Ramalho não é uma policial qualquer. Com a farda no corpo e o Código Penal na mente, ela equilibra dois mundos: o da rua, onde a lei é decidida na ponta do fuzil, e o da sala de aula, onde se prepara para realizar seu maior sonho — tornar-se juíza.

No alto do morro, Kevin Monteiro é o nome que ninguém ousa desafiar. Frio, calculista e implacável, ele comanda seu território com regras próprias e uma rede de lealdades forjadas no fogo da guerra.

Quando uma operação no morro dá errado, os caminhos deles se cruzam de forma explosiva. Erika não está disposta a abaixar a cabeça para um criminoso, e Kevin não está acostumado a ser desafiado. Mas o que começa como choque rapidamente se transforma em algo muito mais perigoso.

Talvez uma atração que pode destruir ambos.

Entre o dever e o desejo, a lei e o crime, cada passo é um risco. Porque no morro, amor e guerra têm a mesma sentença: morte.

chap-preview
Free preview
Capítulo1
Capítulo 1 Kevin Monteiro Silêncio... Nunca fui algo bom... Não na favela Quem mora no morro sabe: paz demais é tipo céu vermelho. É o aviso que vem antes da desgraça. E aquela noite, a Penha tava quieta demais. O ar parecia mais pesado, como se o próprio morro espiritual estivesse prendendo a respiração. Nenhum grito de moleque correndo entre as vielas, nenhum escapamento estourando... — Aí, c*****o! Desce aqui! — a voz do MM cortou o ar como rajada. Prendi o cabelo num coque alto, os fios negros caindo pesados enquanto o corte raspado nos laterais deixou à mostra minha marca: uma mão de caveira seguindo uma rosa com espinhos. Merda que tatuei quando era moleque, achando que ia ser o terror da rua. Hoje, só serve pra lembrar que burrice também é pra sempre. E se arrependimento matasse... Estaria igual ao X9 da semana retrasada, embaixo de sete palmos de terra. Antes de descer a escada toda, reparo no quão a Penha é linda vista de cima. Pra quem olha, nem parece que é cheia de problemas sociais, de guerras e de tudo o que há de r**m para uma comunidade. Passei a mão na Glock, conferi o peso. Sempre no mesmo lugar, na cintura, por baixo da camiseta preta. Desci as escadas de concreto, estreitas, pardes sujas e cheias de umidade e cheiro de poeira. — E aí? — falei, chegando perto — esperando não ser perda de tempo. MM tava encostado no corrimão, com o celular na mão, rindo de canto. Pequeno do meu lado, mas só de aparência. Um e setenta no máximo, magro, cara de quem ainda pede RG na porta do bar. Mas por dentro, era o capeta. Antes de ser chamado de MM ou 02, os muleques gostava de chamar de Pit... Uma brincadeira pra dizer que ele é meu cão de guarda. Se pá sou respeitado mais por medo do que esse baixinho pode fazer. — Reparou a paz, Don? — disse ele, com aquele ar debochado. — Isso está me incomodando. Cadê os tiro? Polícia subindo o morro?! — p***a, criança morrendo, morador inocente... escolas e comércios fechados. Gosta dessas porras? — Não, tem essa parada aê, mas entendeu, chefia! Curto ação! —Tá viciado em adrenalina, transa com uma mina sem camisinha, ou com um doente... Fala logo! Antes de dar o play no áudio, MM armou uma cara de mó poucas ideias. A voz que saiu do celular não durou nem deixou segundos, mas foi o bastante para me fazer sentir o sangue subir. A respiração ficou pesada. Sabia que a casa cairia, e que algo de muito r**m ia rolar — Que p***a é essa? — perguntei, encarando ele. — Tá vindo merda aí, Don. Grande. Gostosa — ele lambe os beiços como um cão olhando um bife. Fiquei em silêncio, olhando pra ele. MM seguiu o sorriso como quem gostou de ver o circo pegar fogo. E ele gosta! — Cadê o Mulan? — perguntei, seco. — Sei lá, não tô colado com ele, p***a! Revirei os olhos, mas respirei fundo. Só não mando ele tomar no cu porque, por mais abusado que fosse, era meu braço direito. — Dá teus pulsos. Quero ele aqui em dez minutos. Ele largou o celular no bolso, passou a mão na cintura e sorriu. — Já tô no corre, patrão... mas cê sabe, né? Se der r**m, eu vou ser o primeiro a atirar. — MM... — olhei fixo pra ele — ...não quero tiro agora. Quero o Mulan aqui! Depois nós resolve o que tem pra resolver, primeiro o cara. — Mas e se...? — Mas e se o c*****o, p***a! Vou ter que te treinar outra vez? Ordem é ordem, p***a! Ele soltou uma risada meio triste, porém m*****o. O que me ferrava... Pois isso me fazia rir internamente, e ele... sem marcas de agressão... papai ama, papai cuida. — Fechou, Don. Mas te digo... quem mandou esse aí, mandou pra provocar. — Mandou pra dar o papo de que tá de olho no nosso morro, mas a tropa tá afiada, se meterem de louco vamo responder na bala. Acendi outro cigarro, tragando fundo. A fumaça subiu lenta, se misturando ao cheiro de churrasquinho e maconha no ar. MM sorria passando a língua nos dentes — Vai ter trocação ai c*****o, até animei... Tu não fica duro com essa p***a não? — Vaza, MM! Ele sorri e vira as costas saindo de perto, eu suspiro, forte, sentindo o pulso queimar... Uma paz acabaria? Porque, no morro, paz nunca dura. E aquele áudio... tinha acabado de avistar que a guerra ia vir. Paz... Nunca foi coisa boa. Quem mora no morro sabe: paz demais é tipo céu vermelho. É o aviso que vem antes da desgraça. E aquela noite, a Penha tava quieta demais. Érika Ramalho Bocejava tanto observava a luz piscar — vermelha, azul, vermelha, azul — um looping infinito refletindo no vidro da janela. O cheiro forte de café requentado impregnado o ar. Levei a caneca aos lábios e bebi um gol amargo, apoiada com o quadril na bancada da delegação. A paz ali era sempre estranha. Silêncio sempre significou problema chegando. E numa unidade de referência, colada ao Complexo da Penha, paz nunca durava. Negra, cabelos longos e ondulados que naquele dia estavam prensos em uma trança firme sob o cap. Corpo de carioca: quadril largo, cintura fina, s***s discretos. Mas, sem uniforme, um silhueta passava desesperada diante da postura. Ombros retos, olhar firme e a patente bordada no colete: MAJ. E.RAMALHO.O.O. Eu não precisava levantar a voz para impor respeito — era o tipo de autoridade que se sentia no ar. Olhei para o relógio de pulso e suspirei. Na gaveta de minha mesa, um fichário grosso com o brasão da universidade me esperava e me lembrava que, além de Maior, eu era estudante de direito. — O que eu fui inventar da minha vida... — pensei, lembrando dos trabalhos acumulados e provas se aproximando. Direito Penal eu vivia no dia a dia, mas Processo Civil, Teoria Geral do Estado... aquilo sim tirava meu sono. O rádio chiou, cortando o pensamento: — QAP, Major Ramalho. Recebemos denúncia de movimentação armada no Complexo da Penha. Ergui as sobrancelhas e deixei a caneca sobre a bancada. Passei como mãos nos cabelos respirando e preparando para mais uma noite daquelas... A paz nunca durava,principalmente numa delegacia próxima a comunidades... essa era a maior realidade! Mais um dia na vida de um policial! Isso de qualquer patente! Não existe paz! E nem como criar... — QSL. Equipe dois comigo. Viatura pronta em dois minutos — respondi, sem hesitar. Nem havia tempo para isso, ajeito o frio, o colarinho, a arma e olho para o lado com um sorriso tão comum que ninguém diria que dentro de mim estava um turbilhão, porém, mais um dia normal de um fardado. O sargento ao lado endireitou a postura automaticamente. Comigo não rolava “daqui a pouco”. Ordem dada era ordem cumprida. Enquanto caminhava até a viatura, senti o peso da arma no coldre e da responsabilidade nos ombros. Mais um dia, mais um morro. A faculdade fica para depois — no RJ, sonho nenhum sobrevive sem antes sobreviver à guerra.

editor-pick
Dreame-Editor's pick

bc

O Lobo Quebrado

read
128.7K
bc

Primeira da Classe

read
14.1K
bc

De natal um vizinho

read
14.0K
bc

A Vingança da Esposa Desprezada

read
4.8K
bc

Amor Proibido

read
5.5K
bc

Sanguinem

read
4.3K
bc

Meu jogador

read
3.3K

Scan code to download app

download_iosApp Store
google icon
Google Play
Facebook