Eu assenti forçando um sorriso. Esse casamento não podia acontecer e eu tinha que pensar em uma solução rapidamente.
- Vamos, não temos tempo a perder.
Peguei a tinta e o papel e escrevi um pequeno bilhete ao Rei:
" Soberano,
Com imensa gratidão e animação aceitei seu convite para um jantar, mas não me perdoaria por ir vê-lo nessas condições. Eu e Aramita, a serva que me deu graças a sua imensa benevolência iremos a cidade. Voltamos em breve.
Com carinho,
Atena. "
- Entregue diretamente ao Rei, Penélope. Não demoramos.
Ela assentiu enquanto guardava o pequeno papel dentro do peito.
Eu e Aramita fomos em uma majestosa carruagem até a cidade, até que paramos em frente à casa de Zion. Eu sabia que provavelmente ele estava sentindo uma incontrolável vontade de me m***r naquele momento, mas de uma forma ou de outra, eu precisaria da sua ajuda.
- Por favor, pare aqui. - Falei ao cocheiro que parou imediatamente.
- O centro ainda está longe, sabe disso não é? .- Aramita perguntou.
Eu assenti.
- Minha tia mora aqui. Não somos tão próximas, mas eu gostaria que ela soubesse que estou viva. Pode me aguardar por um segundo?
Ela assentiu e eu dei de ombros, andei rápido em direção a casa enquanto me certificava de que não estava sendo vigiada por ninguém, e quando constatei estar sozinha bati forte na porta.
Alguns segundos depois, a mesma fora aberta por Zion que me puxou pelo braço com força e sem nenhuma delicadeza. Ele me pressionou contra a parede.
- Maldição. O que pensa que está fazendo? Pensei ter sido claro que disse que não era para fazer Atena.
Eu me soltei de seu aperto sem muita paciência, estava machucando.
- Pensei ter sido clara quando disse que você não mandava em mim. Preciso de dinheiro. - Falei erguendo a palma da mão para ele.
- E por que acha que eu a daria?
- Eu vou salvar o nosso povo. - Bradei sentindo a raiva crescer dentro de mim. - Vou fazer o que nenhum de vocês pode, já estou próxima o suficiente do Rei para logo fazer ele se apaixonar por mim.
Zion me pegou pelo braço novamente, tentei me soltar de seu aperto, mas ele era forte demais.
- É minha noiva. - Silabou.
- Não sou nada sua até que o meu povo esteja em segurança e meu pai seja vingado, assim como a minha mãe. Ah ... E seu pai também foi morto pelas mãos dos soldados não é? .- Perguntei com um sorriso mórbido nos lábios.
Ele se afastou e andou em círculos por alguns minutos, visivelmente sem controle, naquele momento temi que ele pudesse fazer uma besteira.
- Como pretende ser a rainha sem consumar o casamento?
Eu arqueei a sobrancelha.
- E quem disse que não irei Zion? Tudo isso será apenas um detalhe quando a coroa estiver na minha cabeça.
- Maldição. As vezes acho que você tem algum problema de entendimento Atena, o que te leva a pensar que eu aceitaria me casar com você sem sua virtude?
Eu gargalhei enquanto me aproximava do criado mudo da sala, tinha uma pequena sacola de ouro ali em cima.
- E o que te leva a crer que ser sua esposa seja prioridade para mim, Zion?
Eu peguei a pequena bolsa, dei um chute no meio das suas pernas e sai correndo o mais rápido que pude. Quando dobrei a esquina que estávamos eu olhei para trás, para ter certeza de que ele não tinha conseguido se recuperar e estava atrás de mim e então, voltei a caminhar devagar. Entrei na carruagem e sorri para Aramita que me olhava curiosa.
- Minha tia foi mais amigável do que pensei. Até me deu isso. - Falei erguendo o pequeno saco de ouro.
- Oh ... Teremos dinheiro o suficiente para deixá-la digna de um Rei. - Aramita deu palminhas, animada.
Olhei estreitamente pela janela e vi que Zion estava a minha procura. Bati na parede da carruagem, indicado que ele voltasse a se mover.
Eu e Aramita passamos por várias lojas, compramos alguns vestidos e sapatos e também peças íntimas, ela alegara que o Rei gostaria de ver peças bonitas se de fato sua intenção comigo fosse a mesma que tivera com Penélope. Eu neguei sua ideia no princípio, mas deixá-lo apaixonado teria que ir muito além de um rostinho bonito.
~
Quando a noite caíra, Aramita e Penélope me arrumaram com o verdadeiro esplendor de uma nobre. Nunca em toda minha vida tinha me visto tão bonita, meu cabelo ruivo estava preso em uma majestosa trança, o vestido escolhido para a noite fora um vermelho com pequenos detalhes preto, o que destacara e muito na minha pele alva.
- Está magnífica. - Falaram em uníssono. Eu me limitei a assentir e sorrir.
Com o auxílio de um guarda, fui levada até a orla da lagoa do castelo. Tudo estava muito iluminado, haviam lamparinas por todos os lados e diversos vagalumes enfeitavam ali.
O Rei estava de costas para mim, encarando toda aquela água à sua frente.
- Vossa majestade. - Sussurrei enquanto o reverenciava, Hunter se virou lentamente e seus olhos brilharam quando me viu abaixada perante a ele. Hunter tomou minha mão enluvada e a levou até os lábios.
Seus olhos hora verde hora azuis estavam presos em mim de maneira quase feroz. O cabelo dele estava caído sobre sua testa de maneira natural, o que o deixava ainda mais bonito.
No final das contas, seria um bom jogo ...
- Você esta magnífica. - Balbuciou admirado.
- Igualmente, meu senhor.
Ele tomou minha mão e me guiou para mais perto do lago.
- Fiquei preocupado que tenha saído hoje, quando precisar de algo na vila pode solicitar que uma das servas que lhe concedi vá sozinha.
Eu assenti rubra.
- Precisava avisar uma tia distante que estava viva. - Sussurrei.
Ele me olhou assustado.
- Não partirá, não é?
Eu balancei a cabeça em negação.
- Ansiei que ela fizesse o convite, mas ela sequer se importou. - Arfei. - Me deu algumas moedas e me desejou sorte.
Vi seu peito subir e descer, ele respirou fundo, provavelmente aliviado. Eu seria sua nova presa agora. Hunter pensava que eu poderia ser seu novo brinquedo, sua nova diversão ... Mas as coisas não sairiam como ele imaginara.
- Planejei algo novo para nós dois, espero que goste. - Ele disse animado antes de me puxar e começar a correr pela grama.
Havia um barco grande ancorado na orla da lagoa, eu arfei quando o vi colocar o primeiro pé dentro do barco. Não era um barco comum, era cercado por um voil branco e dentro dele tinham almofadas vermelhas no canto e uma pequena mesa de madeira no meio.
- Aposto que nunca jantou dessa forma. - Falou sorridente me concedendo sua mão.
Tudo estava propício para uma noite encantadora. Os vagalumes que nos cercavam iluminando o ambiente, o vento fresco que beijava nossa pele e por último, mas não mesmo importante, a comida que fora servida antes que o barco fosse desancorado.
- É magnífico. - Sussurrei admirada observando a paisagem.
- Fico feliz que tenha gostado. - Ele suspirou. - Atena ...
Eu voltei minha atenção para ele.
- Há algo em você ... Algo diferente, algo bom, algo que me atrai. - Ele disse tomando minha mão e a acariciou. - Todos me tratam bem por eu ser o Rei, mas você ... Naquela simples peixaria, me tratou melhor do que muitos deles mesmo sem saber quem de fato eu era.
Eu sorri rubra. Ele vivia no pequeno e maldito mundo m*****o dele, verdadeiramente não conhecia a bondade que outrora havia habitado em mim.
- Eu estava fazendo o meu trabalho, meu senhor. Apenas isso.
Ele se aproximou mais um pouco e tocou os dedos gélidos na minha bochecha.
Eu arfei fazendo-o se afastar um pouco.
Estendi a mão e peguei um pequeno petisco, levando-o até a boca. Eu saboreei com os olhos fechados.
- Por Deus ... Hmmmm ... Isso está ... Divino. - Falei enquanto me deliciava de Deus sabe o que era aquilo ...
- São esplêndidos, não? Frutos do mar, camarão.
Eu o olhei admirada. Eram os peixes mais caros que vendíamos na peixaria, nunca tinha tido o prazer de provar.
- Conte-me mais sobre sua paixão por peixes e fracasso em pesca. - Falei entre gargalhadas arrancando uma risada relaxada de Hunter.
- Um tremendo fracasso, a senhorita não consegue imaginar. Nem mesmo em sua mais fértil imaginação poderia ter uma mensura.
- Posso te ensinar. - Falei levando outro camarão à boca.
Ele arregalou os olhos enquanto me fitava, como se desacreditasse ... Outra tarefa que papai tinha me ensinado e eu tinha aprendido com grande êxito.
- Não creio que isso possa ser verdade. Você é tão ... meiga e ... tão doce. - Ele falou me fazendo prender a respiração, ainda que sem querer.
- Não é uma tarefa tão difícil meu senhor, será um prazer imenso lhe ensinar um pouco do que sei.
Ele assentiu sorridente.
- Por favor, Atena, me conte mais um pouco sobre você. A vi duas vezes na vida e consegue ser mais interessante que toda a corte junta.
Eu sorri vitoriosa, meu plano estava caminhando como desejado. Hunter estava interessado demais em me conhecer melhor, em saber mais sobre mim ...
Ponto meu.
Eu contei algumas verdades, inventei algumas partes da minha história e no final da noite o vi ainda mais maravilhado com a inocência que eu o transmitia, ainda mais encantado com a minha inteligência e astúcia.
Hunter se aproximou mais uma vez no fim da noite, ele passeou seus dedos mais uma vez pelo meu rosto. Maldito seja o meu corpo, ele reagiu ao toque do Rei, senti um arrepio percorrer minha espinha.
Ele roçou o nariz na minha bochecha e eu arfei, um tanto quanto temerosa do que ele podia tentar fazer.
- Obrigado por essa noite incrível. - Sua voz tinha ganhado um tom rouco e sedutor.
Ele passeou os dedos pela manga do meu vestido e a desceu com maestria. Hunter depositou um beijo casto ali, me causando novamente um arrepio maldito.
Hunter fez um caminho de beijos do meu ombro até o meu pescoço e eu fechei os olhos para sentir o toque na minha pele. Por alguns segundos me esqueci do verdadeiro intuito da minha ida ao palácio, mas durou muito pouco ... Eu abri os olhos e decidi acabar com aquilo de uma vez.
- Devo voltar. - Falei me afastando pouco a pouco.
Ele saiu do quase transe que se encontrava e me deu o espaço que eu desejava.
Eu sabia que se quisesse deixar meu coração fora da questão eu teria que ter mais preparo e sabia que era cedo demais para dar a ele o que ele queria.
- Claro ... Já é tarde. Vamos. - Ele disse levando a mão ao remo e começou a voltar para a superfície.
Quando pisamos em terra firme, Hunter se posicionou com os ombros tensos na minha frente.
- Perdoe-me se a interpretei errado. - Ele sussurrou com as mãos enfiadas no bolso.
- De maneira alguma. - Falei rápido demais. - É só que ... - Senti meu rosto queimar, provavelmente estava rubra.
- É só que ...? .- Ele perguntou com um sorriso fraco nos lábios.
Eu fechei os olhos e torci os lábios.
- Nunca fui beijada antes. - Falei em disparado, aquela provavelmente era a primeira verdade que eu o contava, além do meu nome, claro ...
Hunter abriu os lábios e deu dois passos para trás, ele tocou meu ombro de forma carinhosa.
- Me perdoe, eu ... Eu não podia imaginar. Você ... Bom ... Desculpe.
Eu senti minhas bochechas queimarem. Por Deus, ia morrer de vergonha. A que ponto uma maldita vingança poderia levar alguém?
Hunter se aproximou novamente, tirou meu cabelo do rosto e acariciou minha face.
- Você é mesmo uma garota muito especial, Atena.
Eu sorri.
- Nosso jantar foi adorável, adoraria poder desfrutar de mais tempo em sua companhia.
Ele tomou minha mão enluvada e em um gesto lento a levou até os lábios, estavam tão quentes que pude sentir seu calor mesmo através das luvas que usava.
- Será um prazer cumprir seu desejo. Peço que me perdoe por qualquer inconveniente. Posso levá-la a porta de seus aposentos?
" Seus aposentos ", arfei, desde quando eu tinha começado a ter um aposento meu no palácio? Bom ... De toda forma, isso não era absolutamente nada para quem teria o reino. Hunter claramente se apaixonaria perdidamente por mim, eu não era nada do que ele já tivesse tido. Todas as mulheres praticamente se jogavam aos pés dele e dariam tudo para serem beijadas por ele, para passar uma noite com ele ... Mas eu não faria assim, ainda que o Rei fosse de uma beleza exuberante, meus instintos deviam se manter mudos nessa questão em específico.
Hunter tomou meu braço e passou pelo dele, nós seguimos em silêncio para dentro do palácio. Guardas nos observavam a cada passo nosso, o que só me fazia pensar a cada segundo como seria difícil matá-lo.
Ele parou na porta do quarto e se posicionou de forma pomposa na minha frente. Hunter se aproximou de mim e sem precisar de abaixar beijou o topo da minha testa.
- Obrigada por hoje, Atena. Anseio pelo próximo momento que passaremos juntos.
Eu o reverenciei e coloquei a mão sobre a maçaneta, já de costas falei:
- É o que mais desejo, meu senhor. - Dito isso, entrei eufórica no quarto. Eu me recostei sobre a porta enquanto meu coração saltava forte no peito. Eu não podia correr risco maior do que o que já estava correndo, estava desafiando a inteligência do Rei mais inteligente que Warkatopia já tivera, mas uma vez papai me disse que o amor deixa até a pessoa mais sábia burra, e esse, ah ... Esse era o meu plano. Hunter me amaria tanto que sequer veria o que estava embaixo de seus olhos, ele nunca poderia desconfiar de mim.
O próximo passo seria ganhar sua confiança.