Salvatore Vitale Paz não existe para homens como eu. Mesmo no silêncio da madrugada, entre colunas de mármore e tapeçarias herdadas de gerações sanguinárias, tudo o que consigo ouvir são os fantasmas. Os passos do meu pai. O grito da minha mãe. O suspiro contido de Aurora quando me desafia. Ela está mexendo com algo que não compreendo, mas que me fascina. Há uma centelha de fogo nos olhos dela que não se apaga, mesmo aprisionada. Não é dó. É instinto. Sobrevivência. E, acima de tudo, verdade. A verdade — esse maldito conceito que eu aprendi a temer. Passei a vida inteira acreditando que Lorenzo Mancini era um traidor. O homem que tentou matar meu pai, Don Vittorio, por ambição e fraqueza. Que se aliou à Camorra e envergonhou sua linhagem. Que quebrou a mais sagrada das regras: lea

