Capítulo 17- “ Willian, burro!”

1027 Words
…Soube depois que Shelma apareceu no escritório de Willian. Ele estava saindo para uma reunião quando deu de cara com ela, parada na recepção. Seus olhos se cruzaram, e por um instante o tempo pareceu travar. Ele hesitou, pensou em simplesmente ir embora — mas algo o prendeu. Cedeu. No fundo ainda gostava muito dela. Foram até um canto mais reservado, longe dos olhares. — A gente precisa conversar, — disse Shelma com a voz trêmula. Willian cruzou os braços, sério. — Fala. — Eu… eu sei que errei. Mas você precisa entender que... eu só queria atenção. Eu tava me sentindo tão sozinha, tão invisível. Willian deu uma risada irônica, mas sem humor. — Você sabia exatamente o que eu estava fazendo. Cada hora extra, cada reunião, cada viagem… era por você. Pra te dar uma casa melhor, uma vida tranquila. E vc vem me dizer que precisava de atenção?!. Eu acho que deverias começar com um pedido de desculpas, mas você começou com justificativa que não fazem sentido. Ela balançou a cabeça. — Eu sei. Mas eu não queria o teu dinheiro, Willian. Eu só queria você. Presente. Ele estreitou os olhos, e sua voz endureceu: — E isso justifica a m#rda que você fez? Ficar com o Shelby? O namorado da tua amiga? — A gente não escolhe de quem gosta...— sussurrou ela, com lágrimas caindo. Willian ficou imóvel por um momento. Depois deu um passo para trás, como se quisesse colocar distância física e emocional entre eles. — Então escolhe desaparecer da minha vida, — disse firme. — E nunca mais me procura. Virou as costas sem esperar resposta. Deixou ela ali, sozinha. Shelma caiu no banco mais próximo, o rosto enterrado nas mãos. Chorou como se estivesse perdendo tudo — e talvez estivesse mesmo. Willian chegou em casa cambaleando, o gosto amargo do álcool ainda fresco na boca. Atirou as chaves sobre o sofá e, sem tirar os sapatos, afundou no colchão do quarto, com a garrafa de bebida ainda pela metade. O quarto escuro combinava com o que ele sentia por dentro. Pegou o celular com mãos trêmulas. Procurou pelo meu nome. Respirou fundo. E ligou. Ao ver a chamada dele, eu exitei um pouco, mas logo atendi, surpresa: — Willian? Ele sorriu de um jeito torto, dolorido. — Kataleya... desculpa. Eu sei que já disse isso antes... mas vou dizer de novo. Fiquei em silêncio. Ele continuou, a voz arrastada, embargada pela bebida. — A vida perdeu o sentido. Eu tentei seguir, mas não dá. Eu não consigo viver sem ela. Sem a Shelma... Senti um aperto no peito. A voz dele soava estranha, como se fosse um adeus. — Willian, o que você tá dizendo? — Tô dizendo... que esse é o fim. Um adeus definitivo. — Desculpa por tudo. E a chamada caiu. Fiquei olhando o celular como se não tivesse entendido. Meu coração disparou. No momento, eu estava com o Anderson, Graças a Deus! Pedi a ele que fôssemos urgente pra casa do Willian, que ele precisa de ajuda. Ele não fez perguntas. Apenas pegou as chaves e foram às pressas. E o resto… ainda estava por vir. Anderson conduzia feito louco. O silêncio dentro do carro só era quebrado pelo som acelerado do motor e pela respiração pesada que eu tentava controlar. Cada segundo parecia uma eternidade. Chegamos. Saltei do carro antes mesmo dele estacionar completamente. Corri até à porta do prédio, subi os degraus como se a minha vida dependesse disso. Talvez dependesse mesmo. Tocamos a campainha uma, duas, três vezes. Nada. Entrei em desespero. Anderson olhou em volta e então decidiu: Ele recuou, tomou impulso e arrombou a porta com força. O som da madeira cedendo ecoou pelo apartamento. E então... o silêncio. Entramos e tudo parecia fora do lugar. No canto do quarto, ali ao lado do colchão no chão, estava Willian. Sentado. Os olhos perdidos. E nas mãos... uma corda. Congelamos por um segundo. — Willian! — gritei, correndo até ele. Ele nem reagiu. Estava em choque, pálido, como se já não estivesse mais ali por dentro. Anderson tirou a corda das mãos dele com calma. E só então Willian quebrou o silêncio, num choro silencioso, sufocado. Eu me ajoelhei diante dele, abracei seu rosto com as mãos. Ele estava super m*l. — Eu não consegui, Kat… — murmurou, com a voz arrastada. — Nem pra suicídio eu sirvo… Segurei o rosto dele com as duas mãos e o fiz olhar pra mim. — Tu és um bom homem, Will. Não sejas um i****a. E um bom amigo também. Suicídio não é solução pra nada. Me diz… porquê tu queres morrer? Só pra deixar de existir? Ele não respondeu, apenas fechou os olhos, tentando conter as lágrimas. — E nós? Nós que te amamos, como achas que vamos nos sentir se tu fores embora assim? Tu tens pessoas que te amam muito, incluindo eu e a Natália. A gente não quer te perder, entende? Ele balançou a cabeça, tentando respirar fundo, mas a dor era visível. — Eu dei tudo pra ela… — sussurrou. — Todos os trabalhos que fiz… foi pra dar uma vida melhor pra Shelma. E mesmo assim… ela… Segurei firme a mão dele. — Então dá essa vida pra outra. Pra uma mulher que saiba valorizar o que tu ofereces. E acredita! tu vais encontrar alguém que vai te amar como tu mereces. Que vai te fazer o homem mais feliz do mundo. Willian finalmente respirou mais fundo. Os ombros relaxaram. A voz dele saiu fraca: — Obrigado, Kat… Anderson, em silêncio até então, se aproximou e disse com firmeza: — Vamos pro hospital. Tu precisas descansar, e cuidar da tua mente também. Willian não resistiu. Apenas assentiu com a cabeça. Naquela noite, ele foi internado e ficou sob observação por um dia. Não era apenas o corpo que precisava de cura — a sua mente também. Liguei pra Natália e contei-lhe tudo. Ela veio as pressas. Fomos verificar se o Willian estava bem. Estava descansando. Depois daí, Anderson disse que podíamos ir pra casa descansar, que ele cuidaria de tudo. A gente foi pra casa. …
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