Capítulo 3

1900 Words
Madelyn Respiro fundo várias vezes, me equilibrando, antes de caminhar até meu homem e ficar de pé diante dele como um anjo vingativo. Dormindo, ele não parece tão r**m. Quase pacífico, como um grande urso adormecido. É fácil imaginar que ele não é perigoso quando não está consciente, sem aquela centelha de raiva e morte em seus olhos, mas o momento em que ele recuperar a consciência será um maldito acerto de contas e é melhor eu torcer para não estar por perto para isso. Eu me ajoelho e me inclino contra seu corpo, empurrando-o para o lado para poder alcançar seu bolso de trás. Ele grunhe e se mexe. Ele respira fundo e lambe os lábios e seus olhos se abrem e por um momento horrível, acho que ele está prestes a dizer algo enquanto olha para mim, pálpebras tremendo, pupilas meio focadas, mas ele apenas grunhe e cai de lado, resmungando para si mesmo. — Emília, você parece uma merda, seu cabelo ficou curto pra c*****o — ele resmunga e reconheço o nome de sua esposa em sua língua fortemente arrastada. Pego a carteira do bolso de trás dele e a abro. Sua carteira de motorista me encara e meu coração dá estranhos pulos para trás: Vince Manzini, 1,90, olhos castanhos, cabelo castanho, trinta e oito anos com base em seu aniversário, que aparentemente foi há três semanas — feliz aniversário, Vince, meu garoto. Há algumas centenas de dólares em notas de vinte e cinquenta, alguns pedaços de papel e alguns cartões de crédito. Coloco os restos no bolso, mas deixo todo o resto. Eu tiro o telefone do bolso dele em seguida. Minha respiração está acelerada agora e estou no limite tão rápido. Minha vida pode pender para qualquer lado, e estou apavorada, mas tenho que fazer isso — tenho que fazer isso, não importa o quão difícil ou perigoso seja, porque voltar atrás agora é cuspir na cara de Serena, e não posso fazer isso, não farei isso, não quando ela continua sendo a única coisa que me aterra neste mundo miserável e em ruínas. Pensar na minha prima acende um fogo no meu peito, uma chama forte e quente que derrete os nervos gelados enquanto tento desbloquear o modelo antigo do iPhone — provavelmente um descartável — mas ele tem uma senha, é claro que ele tem uma senha. Agarro seu pulso e levanto seu polegar flácido até o leitor de impressão digital no botão inferior, e assim que o telefone clica e a tela pisca para a tela inicial, os ícones se aglomeram como uma onda, a esperança me alimenta e talvez, só talvez, eu faça isso, eu realmente faça isso de verdade... A porta se abre e um homem entra na sala. Fico imóvel e olho para o lado. A mão de Vince ainda está presa na minha, seus dedos gigantes como garras pressionados contra o botão do telefone. Eu o solto e seu pulso cai e ele grunhe e resmunga algo, ainda muito adormecido, e rola para o lado, ficando mais confortável. Aperto o telefone contra meus s***s, cobrindo a tela, e olho nos olhos de Benaiah enquanto ele fecha a porta atrás de si. Benaiah é como o irmão, mas diferente. O mesmo cabelo escuro, as mesmas íris escuras, mas ele é mais duro, mais afiado, com maçãs do rosto mais altas, um queixo quadrado e mais tatuagens. Ele parece um homem esculpido em cinzas e trovões e colocado neste mundo para não fazer nada além de partir corações e pegar o que quer, e rumores sugerem que é exatamente isso que ele faz, como se estivesse deixando uma onda de mulheres satisfeitas e danificadas em seu rastro toda vez que ele entra em uma sala. A raiva está gravada em todo o seu corpo enquanto ele olha para mim e meu coração está acelerado e meu cérebro está com problemas e sobrecarregado de medo e eu deveria fazer algo, dizer algo, tentar explicar o que estou fazendo, mas o que posso dizer que tornaria isso aceitável? Estou segurando o irmão dele com o telefone em minhas mãos e usando seu polegar inconsciente para desbloqueá-lo, estou definitivamente muito além da linha de qualquer coisa remotamente normal, e agora vou morrer. Essa possibilidade me ocorreu quando criei esse plano, mas apenas em vagos cenários hipotéticos, e agora ele está me encarando como um furacão e não há nada que eu possa fazer para impedi-lo. Benaiah dá um passo mais perto. Ele é grande, tão grande, ondulando com força e cerca de uma polegada mais alto que seu irmão. Ele olha para mim, olha para o telefone pressionado contra meus s***s, e eu juro que vejo um brilho em seus olhos enquanto ele olha para meu corpo, e lentamente ele inclina a cabeça. — Ele está vivo? — ele pergunta, o que não é o que eu esperava que ele dissesse. Estou atordoada e surpresa demais para falar, mas rapidamente me recomponho e aceno uma vez. — Dormindo. — E esse é o telefone dele? Olho para o dispositivo em minhas mãos. Posso mentir agora mesmo? Provavelmente, mas ele vai perceber. — Sim — eu digo. — Levante. Eu me levanto e dou um passo para longe do adormecido Vincent. Benaiah avança em mim e eu continuo indo para trás enquanto o grande monstro paira sobre mim. Ele irradia uma calma estranha e serena que é incrivelmente ameaçadora, mas de uma forma silenciosa, como se ele não precisasse de palavras para expressar o que quer, o mundo deveria simplesmente saber o que lhe deve. Onde seu irmão é todo impetuoso, barulhento e intenso, Benaiah é um auto-controle contido de escuridão e eu nunca consegui dar uma espiada além de suas muitas defesas. Até agora, pelo menos. A raiva que borbulha dele como névoa em uma manhã fria é tão deliciosamente aterrorizante que deixo cair o telefone do irmão dele e o vejo quicar a alguns metros de distância. Benaiah ignora enquanto eu bato contra a parede atrás de mim. Ele agarra meus pulsos, mais rápido do que eu pensava ser possível, e os segura com força suficiente para doer enquanto os levanta acima da minha cabeça. Eu respiro fundo, chocada. Uma de suas grandes palmas é grande o suficiente para me segurar firme como uma algema de ferro em volta da minha carne flexível. — Por que meu irmão está dormindo e por que você está mexendo no telefone dele? Quem é você, Madelyn? Quem te enviou? — Eu não sou ninguém — eu sussurro e é verdade, eu não sou ninguém para ele. Eu não faço parte do mundo deles ou pelo menos eu não fazia até minha vida ser destruída por um telefonema um ano atrás. — Ninguém me enviou. Eu só estou procurando por respostas. — Respostas. — Ele ronrona essa palavra. Um arrepio aterrorizante percorre minha espinha. Ele me controla agora e não há nada que eu possa fazer para escapar das garras dele enquanto ele me mantém presa e indefesa contra a parede. Sinto o calor dele rolar em minha pele e não tenho certeza se estou com medo ou se quero que ele aperte mais forte. Ele olha para mim como se quisesse morder meus lábios antes de arrancar minha garganta. — Respostas sobre o quê? — ele pergunta. — Seu irmão e seus negócios. Minha prima, ela se foi, e eu precisava de respostas. Ele as tem. — A história está embaralhada em meu medo e pânico. Não consigo desabafar, não consigo falar direito. Ele inclina a cabeça, considerando. — Fique parada. — Ficar parada por quê? A outra mão dele sobe pelo meu corpo. Eu respiro fundo chocada enquanto ele roça minha coxa nua e dá tapinhas na minha barriga. Ele olha nos meus olhos enquanto faz isso como se estivesse procurando por algo e eu solto um gemido patético, meio de puro terror agonizante e meio da emoção dele tocando minha pele assim. Algo deve estar seriamente errado com meu cérebro se estou pensando nele tirando minhas roupas agora mesmo quando eu deveria estar mais preocupada com ele cortando minhas veias e me fazendo sangrar. Ele toca ao longo do cós da minha saia até encontrar a nota de cinquenta dobrada que seu irmão me deu, junto com outras gorjetas — e o saquinho plástico vazio. Eu quase xingo. Eu deveria ter jogado aquela p***a no lixo, mas eu estava com muito medo de alguém encontrá-la. Ele a segura em direção à luz e aperta os olhos para o pequeno resíduo de pólvora. A porta se abre novamente enquanto Benaiah me encara com extrema raiva e curiosidade. Diego entra na sala. Ele é alto, como Benaiah, com cabelo escuro penteado para trás, pele morena clara e olhos verdes brilhantes. Ele sempre tem um sorriso no rosto, e agora não é exceção. Sua camisa preta está enrolada até os cotovelos e as tatuagens em seus antebraços fazem os músculos torcidos e tensos parecerem blocos de tinta endurecida enquanto ele se vira para Vince adormecido e solta um bufo. — É por isso que as meninas estão se escondendo lá atrás como um bando de galinhas assustadas? — ele pergunta e olha para mim. — Você precisa de uma ajuda com essa ai? Benaiah enfia o dinheiro e o saquinho vazio no bolso, mas não me solta e não olha para Diego. — Leve ela para minha casa. — Espere — eu digo enquanto meu cérebro gira com um milhão de possibilidades diferentes. — Você não precisa, quer dizer, nós podemos simplesmente conversar. Eu posso explicar, eu juro. Diego se aproxima e cruza os braços, ainda sorrindo. — Ela está envolvida nessa merda, não está? A voz de Benaiah é como um pingente de gelo derretendo no meu ouvido. — É melhor você rezar para que ele acorde, pequena ladra. — Ele me puxa pelos pulsos e me empurra para Diego, que me agarra e prende meus braços atrás das costas. A dor sobe pelos meus ombros enquanto ele me sacode de um lado para o outro, sem se preocupar em ser gentil. Não tento lutar — posso sentir seu aperto de ferro e sei que isso só acabaria comigo quebrando um osso ou deslocando um ombro e a dor é forte o suficiente para fazer minha garganta apertar e travar. — Devo chamar os caras do Vince? — Diego pergunta casualmente, como se esse tipo de coisa acontecesse o tempo todo. — Aposto que eles vão querer falar com essa aqui. — Deixe que eu cuido delas.— Benaiah tira a gravata e anda até mim. Ele a enrola em volta do meu rosto e a aperta até o mundo cair na escuridão e eu não conseguir ver nada. — Deixe-a no meu quarto. Eu falo com ela depois que eu limpar essa bagunça. — O que você disser. — Diego solta uma risada suave. — Embora honestamente, Benaiah, se você quisesse a garota, você poderia simplesmente pegá-la aqui e agora. Um gemido aterrorizado escapa dos meus lábios e não consigo ver como Benaiah reage, mas sua voz é como um tiro de espingarda no meu cérebro. — Se eu a quisesse, eu já a teria. Agora tire-a daqui e leve-a para os fundos. Não preciso de mais perguntas. Diego não diz mais nada, apenas me arrasta para longe e eu vou cambaleando atrás dele.
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