Benaiah
— Jesus, o que diabos aconteceu? — Vince esfrega o rosto enquanto eu sento no sofá ao lado dele. Foi preciso um pouco de persuasão, alguns tapas leves e sacudidad, mas eu consegui acordá-lo sem problemas.
Até onde sei, não há danos duradouros e não tenho certeza se estou aliviado ou profundamente decepcionado.
— Você dormiu. — Eu lhe entrego um copo de água que uma das outras garotas servindo bebidas trouxe — outra ruiva atraente chamada Júlia, embora ela não seja bonita como Madelyn. Nenhuma das garotas é, elas estão muito cansadas e exaustas, todas perderam aquela faísca há muito tempo, mas de alguma forma a faísca ainda permanece dentro da pequena Madelyn.
— A última coisa que me lembro é que aquelas duas strippers de merda estavam chupando meu p*u. A pálida e a loira, quais são os nomes delas?
— Corvo e Sol.
— É, é isso. Eles estavam fazendo um bom trabalho também, mas então... — Ele para e balança a cabeça.
— Está tudo confuso.
— Você está bem, irmão? — Eu me inclino para frente com meus cotovelos nos joelhos e olho fixamente em seus olhos turvos.
— Você está com algum problema de saúde? Você viu algum médico recentemente?
Ele me encara e balança a cabeça.
— Você sabe que não estou com porcaria nenhuma e estou saudável como sempre. Não olhe para mim com esse olhar paternal de merda. Não se esqueça de que eu sou o irmão mais velho aqui.
Eu sorrio e dou de ombros, inclinando-me para trás novamente.
— O que você disser.
Ele se levanta, cambaleia um pouco, mas segura a mesa lateral e se firma antes de andar pela sala, andando de um lado para o outro, sacudindo as mãos e girando o pescoço, acordando-se.
— p***a, sinto que vou desmaiar de novo. Onde estão meus caras?
— Diego vai mandá-los de volta.
— Acho que uma dessas vadias me deu alguma coisa. — Ele se dá um tapinha e encontra o telefone e a carteira que enfiei de volta em seus bolsos. Ele conta seu dinheiro, descobre que está tudo lá e xinga baixinho enquanto o guarda de novo, balançando a cabeça como se não tivesse ideia do que está acontecendo.
— Mas não roubou nada.
— Acho que você teve sorte — eu digo, cruzando as pernas. — Você deve ver o Dr. Mitchell e descobrir o que ele pensa sobre esse pequeno episódio.
— Pode não ser uma má ideia se eu puder ser discreto sobre isso — ele diz, olhando para a distância além do poste de stripper e para algum futuro imaginado que está se desenrolando em seu cérebro. Eu sorrio para mim mesmo, imaginando que história ele está inventando para fazer tudo isso ficar bem de novo — sobrecarregado, cansado, muito ocupado e estressado, esse tipo de merda.
Ele vai racionalizar isso e não vai pensar nisso novamente, contanto que eu permaneça calmo e não faça parecer que é um problema.
Mesmo que seja um grande problema.
— Está resolvido. Vou procurar Diego e garantir que seus caras venham te buscar. Talvez você devesse pegar leve hoje à noite.
Vince me manda embora.
— Eu mesmo vou encontrá-los. — Ele balança a cabeça novamente e esfrega os olhos.
— Sinto como se tivesse acabado de acordar de um maldito coma.
— Vá descansar um pouco. — Eu me levanto e vou até meu irmão. Ele acena para mim enquanto aperto seu ombro e dou um tapa em suas costas. Não somos uma família do tipo abraço-beijo-carinho, então é o máximo que ele vai receber.
Não que ele precise de mais. Gelo corre nas veias de Vince e ele preferiria quebrar meu pescoço do que dizer que me ama, e, francamente, eu sinto a mesma coisa.
— Não conte a Nickie ou Cecília. Não preciso que elas se preocupem.
— Seu segredo está seguro comigo, irmão.
Ele parece aliviado e acena uma vez. Fraqueza é inimiga de um homem como Vince, e ele não pode se dar ao luxo de mostrar um pingo de vulnerabilidade ou fragilidade. É por isso que ele não questiona minha explicação e não pressiona muito: ele está com medo de que eu espalhe a história dele dormindo com o p*u na boca de uma stripper, e isso seria catastroficamente r**m para ele e para a família.
Se seus inimigos ouvissem que ele estava caindo no sono enquanto duas mulheres o chupavam nos fundos de um clube de striptease, eles começariam a forçar os limites de sua organização só para ver o quanto eles poderiam derrubar. Vince tem que projetar força o tempo todo, não apenas para manter sua posição como o Don da máfia de Los Angeles, mas também para garantir que seus inimigos não sejam ousados o suficiente para causar problemas.
Isso o torna forte, mas também o torna fraco e quebradiço, e não é difícil usar o medo dele contra ele para conseguir o que quero, então tudo o que preciso fazer é apertar os botões certos para fazê-lo dançar exatamente do jeito que preciso.
Eu o sigo pelo corredor. Ele parece instável, mas ele volta pela cortina de contas e entra na seção principal do clube, e eu espero apenas alguns momentos antes de me virar e ir em direção à porta dos fundos. Eu passo por um grupo de garotas tagarelas bebendo no caminho — elas estão sempre por aí em bandos fofocando e falando merda sobre os clientes — e eu chamo a atenção de Mavie, uma morena com olhos grandes e uma atitude terrível. Eu não tenho certeza do por que eu não a fodi ainda.
— Diga a Martin que ele tem o clube — eu digo enquanto passo. — E se Diego voltar, faça-o fechar sem mim.
— O que você quiser, Benaiah — Mavie diz me dando um sorriso ridículo de “me f**a".
Eu não perco o passo. Minha cabeça está girando e eu continuo vendo Madelyn de joelhos na frente do meu irmão inconsciente usando o polegar para desbloquear o telefone com um olhar de pura determinação no rosto, e o medo que tremeu em sua expressão quando eu a prendi contra a parede, e a maneira como seu corpo pareceu enrijecer quando eu toquei sua pele exposta, aquele top feito para mostrar seus grandes s***s lindos, aquela saia costurada para provocar e mostrar sua b***a gostosa, e a maneira como meu próprio pulso acelerou quando as pontas dos meus dedos roçaram suas pernas macias e roçaram seus quadris no meu quadril. Eu já tinha notado Madelyn antes, a pequena e quieta Madelyn, a pequena e bonita Madelyn com seu cabelo castanho avermelhado cacheado e na altura dos ombros, lábios rosados, quadris largos e s***s gostosos, mas nunca dei a ela mais do que um pensamento passageiro — nunca tive tempo para considerá-la.
Até hoje à noite, quando ela drogou meu irmão e tentou invadir o telefone dele.
O que levaria uma garota a fazer algo tão descaradamente suicida?
Meu sangue vibra de desejo enquanto um sorriso surge em meu rosto. Tenho vivido em uma névoa de tédio e raiva por quase oito meses e esta é a coisa mais interessante que aconteceu em muito tempo. Preciso desvendá-la — preciso descobrir o que diabos ela estava pensando, para quem ela trabalha, o que ela quer, tudo sobre ela.
Preciso quebrá-la e abri-la.
Saio para o estacionamento, sento ao volante do meu Range Rover preto e dirijo rápido em direção ao meu apartamento da cobertura.