FBI - CAPITULO I
FBI - CHAPTER 01
O sol da manhã em Nova York filtrava-se pelas frestas da persiana, lançando linhas douradas sobre o chão frio do meu apartamento. Era meu dia de descanso, mas descansar nunca significou parar. O meu corpo parecia carregar uma necessidade inata de movimento, como se cada músculo reclamasse caso ficasse tempo demais imóvel. Calcei os meus tênis, prendi os cabelos longos e negros num r**o alto e encarei o reflexo no espelho.
Olhando de fora, eu poderia passar por uma modelo: altura mediana, pele clara, olhos azuis que contrastavam com a intensidade dos cabelos. Uma aparência que enganava. Quem me visse ali, pronta para correr, não adivinharia a vida que eu levava, nem a realidade de ser agente especial do FBI. Sorri sozinha, irônica. “Modelo? Só se for de tiro ao alvo.”
Fechei o apartamento ativando todos os alarmes biométricos com a minha digital. No saguão, cumprimentei o segurança com um aceno breve antes de sair pelas escadas. Eu gostava de me testar logo cedo, sentir o corpo responder. Assim que o vento frio tocou o meu rosto, apertei o play no meu iPod e deixei-me guiar por uma seleção de músicas vibrantes.
As ruas estavam cheias: táxis disputando espaço, ciclistas apressados, pedestres mergulhados em celulares. Eu corria em passos longos, o corpo leve, mas a mente alerta — era impossível desligar a vigilância. O meu olhar varria o ambiente automaticamente, como se buscasse sempre aquele “algo fora do lugar”. Era instinto. Era profissão.
Foi nesse ritmo que o meu celular vibrou. Parei ao lado de um banco, tirei os fones e atendi.
— Agente Mia Sanders. — a minha voz assumiu o tom automático.
Do outro lado, pediram confirmação.
— S001. — respondi.
Um clique na linha, e a voz seguinte fez-me endireitar a postura.
— Confirmação correta. Bem-vinda, Agente Sanders. — era Dinner Young, chefe da divisão.
Ele raramente ligava-me diretamente; se o fazia, era sério.
Dinner Young é ninguém menos que o Chefe da divisão do FBI e para ele estar a querer falar comigo ao em vez do diretor isso significa que era algo grande.
— Senhor Young? No que posso ser útil?
— Temos uma missão para você, caso aceite.
— O diretor já está ciente? — perguntei, embora a resposta fosse previsível.
Ethan Sanders era mais que meu irmão mais velho; era o diretor da nossa divisão em Nova York, respeitado por todos, temido por muitos e, para mim, o equilíbrio entre família e trabalho. Young confirmou que ele estava no controle da base.
— Está. Ele encontra-se na base de controle. — confirmou Young.
Assenti sozinha, respirando fundo.
— Muito bem, chefe. Estarei lá em breve.
Guardei o celular e reiniciei a corrida, desta vez com pressa. Sempre que a chamada vinha, era como se a cidade inteira mudasse de tom. Corri de volta para o apartamento, consciente de que não era apenas mais uma nova-iorquina com fones de ouvido: eu caçava criminosos.
Sou aquele tipo de pessoa que em vez de correr dos bandidos... eu vou atrás deles se assim melhor definir — Com muito esforço e dedicação tornei-me ótima no meu trabalho, focando em diversas atividades como saber muitas línguas, artes marciais, assim como disfarces.
“Em vez de modelo quase parece que virei atriz” — Dou risada das besteiras que penso e rapidamente desci do elevador no meu andar.
De volta ao meu closet, acionei o painel secreto. A porta deslizou e revelou o meu refúgio tecnológico: computadores de última geração, arquivos digitais, relatórios de operações. Sentei-me na cadeira e ativei o sistema.
Após pegar os meus acessórios necessários que estou acostumada a manter comigo e passei a mão na minha mochila preta habitual, larguei por um momento para abri o closet, peguei o controle e disquei a senha que foi a abrir a porta que parecia ser do closet, mas, na verdade, era uma sala secreta que montei. Entrei e depois a porta se fechou.
— Agente Sanders, identificação S001. — declarei. As telas se iluminaram.
Conectei-me ao controle e logo o rosto de Ethan surgiu na tela, com um sorriso breve.
— Mana! — saudou ele.
— Oi, irmão. Young já me ligou. Preciso dos detalhes, mas estarei aí em trinta minutos.
— Perfeito. Te espero. — respondeu antes de encerrar a chamada.
—Agente Sanders! Identificação S001 — Falei assim que tudo liguei o sistema e tudo a minha volta começou a se conectar.
Fechei o sistema, vesti uma calça jeans preta e blusa social branca, tomei um banho rápido e arrumei-me. Sapatos de salto médio, maquiagem leve, cabelos soltos. Gostava da ordem — tudo no lugar, cada gesto calculado. Peguei a mochila preta, saí do apartamento e chamei o elevador.
O celular tocou novamente. Atendi:
— Alô?
— Mimi... — a voz sussurrou e orri de imediato.
— Jack — murmurei, reconhecendo o apelido.
Jackson Rogers, ou simplesmente Jack, o meu melhor amigo desde a universidade. Treinamos juntos na CIA antes de nossos caminhos se cruzarem definitivamente no FBI. Jack era um daqueles raros espíritos livres, divertido, corajoso, dono de uma mente rápida e de uma sinceridade que eu aprendia a admirar.
— Amore mio, como você está? — provocou, exagerando no sotaque italiano que trouxe da última missão.
Ri alto.
— Muito bem. E você? Como foi a Itália?
— Tudo sob controle. Já resolvido. — respondeu, evasivo.
Ambos sabíamos dos limites do que podíamos compartilhar, mas só de ouvir a sua voz percebi que estava bem, por isso tinha confiança para fazer essa pergunta sabendo que ele falaria apenas aquilo que poderia ouvir dele e vice-versa.
“Dependendo da missão pode levar meses e até anos”
— Ótimo. Estou a caminho da base agora.
— Depois conversamos, vai aproveitar o seu dia de folga... beijo, Jack.
— Beijo, Mia. — e desligou.
Desliguei e segui para a garagem. Meu carro — um Audi R8 n***o — aguardava. Missões tinham as suas vantagens, e dirigir aquela máquina era uma delas. Joguei a mochila no banco, desativei o alarme e acelerei pela saída. O relógio marcava vinte e quatro minutos. Restavam seis. Entrei na via expressa, cortando sinais vermelhos quando possível, e cheguei ao prédio da base.
O protocolo era rigoroso. Segurança escaneou o carro, outro pediu a minha digital.
— Bem-vinda, Agente Sanders. — disse o guarda, abrindo caminho.