Capítulo 5 - Me Use

1088 Words
Elizian A manhã começou como qualquer outra: café forte, laptop aberto e uma pilha de relatórios à minha frente. Mas, assim que Moretti entrou na sala, percebi que o dia não seria tão simples. Tudo estava turbulento demais, como se em algum momento tudo fosse explodir de repente. E então, ele continuava com sua ousadia. — Bom dia, Elizian. — Ele falou com aquele tom arrastado que sempre me deixava desconfortável. E sinceramente, não sei porque ainda me submeto a esta humilhação. — Está ainda mais radiante hoje... solteira e radiante. Como deveria ser sempre. Você é incrível demais para aquele cara i****a. Com todo respeito. Engoli o café rápido demais e quase tossi. Ele é nojente, me dá nojo só de olhar para ele. — A minha vida pessoal não é assunto de trabalho, senhor Moretti. Espero que o senhor também saiba se impor em seu lugar. Ele se aproximou da minha mesa, apoiando as mãos no tampo de vidro, inclinando-se o suficiente para sentir seu perfume caro — e a pressão da sua presença. — Mas poderia ser... — murmurou, o olhar descendo lentamente pelo meu corpo. Sem vergonha e sem pudor. — Não me entenda m*l, Elizian. Só acho que alguém como você merece mais do que esse escritório. Merece ser... apreciada. E nós dois sabíamos que... — Segurei o impulso de revirar os olhos. Mas não consegui e acabei respirando fundo. — Prefiro ser respeitada, senhor Moretti. Não estou lhe dando liberdade para certas liberdadaes. — Oh, eu respeito... mas também admiro. — Ele deu um meio sorriso. — E, se quiser, posso te tirar daqui para um jantar. Algo leve... só para celebrar a vida. Celebrar a liberdade. Sorri de canto, tentando não demonstrar o quanto queria me afastar. — Acho melhor não misturarmos as coisas. Tenho muito trabalho. E espero fazer apenas isso aqui, sem passar dos limites. Ele não insistiu, mas antes de sair, deixou escapar: — Ainda vou convencê-la, e você vai gostar da forma. Horas depois, já em casa, me peguei pensando em Marcelo. Será que ele estava arrependido? Será que aquela noite havia mexido com ele tanto quanto mexeu comigo? Foi quando o celular vibrou. Mensagem dele. "Jantar casual hoje. Só nós dois. Aceita?" Meu coração disparou. Respondi antes que a razão pudesse interferir. "Hora e lugar." "Às 20h00 e eu te pego na sua casa, posso?" "À vontade". Marcelo Eu não planejei enviar aquela mensagem, mas desde que Elizian saiu do meu apartamento, o travesseiro ainda carregava o cheiro dela. Eu queria mais. E não, não era arrependimento. Era desejo. Era curiosidade. Era... diferente. Como se eu estivesse me apaixonando por alguém que eu já observo à bastante tempo. Escolhi um restaurante discreto, com mesas afastadas e iluminação baixa. Eu queria privacidade, mas também queria vê-la brilhar à luz das velas. Porque ela era simplesmente incrível. Quando ela chegou, vestia um vestido preto simples, mas que abraçava seu corpo como se tivesse sido feito para ele. Um belo salto fino, a deixando ainda mais sexy e sensual. E aquele olhar... um misto de desafio e incerteza. Como se soubesse exatamente como me deixa completamente perdido. — Boa noite, Elizian. — Levantei-me para puxar a cadeira. — Você está... impecável. — Boa noite, Marcelo. — Ela sorriu, mas havia cautela em seu tom. — Não sei se foi uma boa ideia vir aqui. — Então por que veio? — perguntei, olhando nos olhos dela enquanto ela se sentava. Apenas observando o quanto ela era incrível. Ela respirou fundo. — Talvez porque eu precise de respostas. — Brincou com a borda da taça de vinho. — E talvez porque, por algum motivo, eu... queira estar aqui. Com você. O garçom serviu o vinho. Brindamos sem dizer nada. O silêncio entre nós tinha mais peso que qualquer conversa. Ela me olhava de relance, como se estivesse esperando que eu dissesse alguma coisa. — Sabe, Marcelo... tem algo que você precisa saber antes que isso vá mais longe. — A voz dela vacilou levemente. — Eu fui noiva do seu filho... não por muito tempo, mas... Eu não desviei o olhar. — Eu sei. Ela piscou, surpresa. — Você sabe? E... não se importa? Eu pensei que... Inclinei-me para frente, apoiando os cotovelos na mesa. — Elizian, você não é propriedade de ninguém. Muito menos do meu filho. E... sejamos francos: Fred nunca soube valorizar nada. Eu não cometo o mesmo erro. Eu sei ser homem, Elizian. O ar entre nós pareceu aquecer. Ela mordeu o lábio, e eu tive que segurar a vontade de atravessar a mesa para beijá-la. — Marcelo, isso parece ser tão... errado. — Ou talvez seja exatamente o que você precisa. — Meu tom foi baixo, quase um sussurro. — Você não sente? Essa... energia entre nós? Ela desviou o olhar, mas não respondeu. Não precisava. — Então, Elizian, por que não paramos de lutar contra isso? — perguntei. — Saiba que eu adorei aquela noite entre nós dois. Eu não me sentia tão bem há anos. Ela respirou fundo, tomou um gole do vinho e devolveu o olhar fixo. — Porque, se eu me entregar de novo... não sei se vou conseguir parar. Sorri de canto. — Esse é o ponto. O jantar continuou, mas cada toque acidental, cada olhar prolongado, cada pausa nas frases... era pura tensão. E, no fundo, sabíamos que a noite estava longe de acabar ali. — Então, o que você acha de trabalhar com o Moretti? Dizem que ele é... exigente. — A pergunta não pareceu ser uma boa ideia. Ela parecia desconfortável. — Me desculpe, eu não quis ser inconveniente. — Não, está tudo bem. E os rumores são verdadeiros. Moretti é um homem soberbo e i****a. — Foi o que eu sempre pensei sobre, mas agora tive a confirmação. Ela tomou um gole de vinho, depois outro, e me encarou como quem decide se vai atravessar uma linha ou não. — Marcelo… a verdade é que aquela noite foi… incrível. Mas eu não quero nada sério agora. — Então me use. — Falei baixo, com um sorriso lento. — Use-me até não me querer mais. Eu não me importo. Ou até me querer como seu homem. Você quem decide. Ela riu de canto, inclinou-se… e me beijou. Um beijo quente, carregado de tudo que estávamos tentando negar. Um beijo que prometia que aquela noite não ia acabar no restaurante. E eu sabia: ela podia até pensar que estava no controle… mas eu estava prestes a virar o jogo.
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