Capítulo 4 - Arrependimento? Aqui não!

1072 Words
Marcelo Ela saiu antes que eu pudesse tomar qualquer outra atitude. Enquanto isso, Fred não parava de me ligar, mesmo eu já tendo dito que estava ocupado. Mas, contra a minha vontade, resolvi atender pela última vez: — Sinceramente, acho que você já tem tamanho suficiente para cuidar das porras dos seus problemas. — Pai, pode liberar o segurança, por favor? Ele está me barrando aqui fora. Por favor! Em alguns instantes, Fred já estava na sala, à vontade, bebendo como se nada estivesse acontecendo na vida dele. Enquanto a minha, ironicamente, estava finalmente se tornando interessante. — Então? O que quer me pedir desta vez? Espero que não tenha vindo se lamentar, como sempre faz. — Eu vim pedir conselhos. — Não sei se é imaturidade ou idiotice do meu filho. — Eu sei... eu errei, mas estou arrependido do que fiz. Eu não sei onde estava com a cabeça. — E o que você quer que eu diga? Que estou orgulhoso de você? Sinceramente, Fred, acho que já passou da hora de aprender a ser homem. Pensei que tivesse absorvido ao menos alguma coisa de tudo o que cansei de te ensinar. A principal delas foi ter caráter, mas nem isso você aprendeu, p***a. — Elizian... — Elizian? A mesma Elizian que estava comigo há minutos? — Não vai querer me ver nem pintado de ouro. E sabe o pior? O senhor está certo... e eu estou perdido sem aquela mulher. — A mesma Elizian que trabalha para o Moretti? Você nunca me disse que ela era sua noiva. — Eu estava sem palavras. Me sentia... sem reação. — É... a mesma. — Ele continuava bebendo, como se a bebida pudesse apagar tudo. Talvez eu devesse fazer o mesmo. — Mas a culpa é dela por eu tê-la traído. Ela dava mais atenção àquele trabalho de merda e àquele patrão i****a do que a mim. — Não culpe os outros pelos erros que você cometeu mais de uma vez e com plena consciência. Isso é covardia, Fred. Se não estava feliz, não seria mais conveniente terminar? — Vai ficar do lado dela agora? Se a conhecesse, ficaria do meu lado. Aposto que ela também já me traiu, só não sei com quem. Aquela v***a escrota. — Sabe, Fred? Se eu fosse uma mulher, nunca foderia com um babaca como você, quem dirá noivar. Agradeça à Elizian pela caridade que ela te fez. E agora, por favor, saia daqui e não volte a me perturbar. Você já não é minha responsabilidade, e eu estou cansado de ter um filho tão sem caráter. — Está me expulsando porque estou sendo sincero? Você deveria me ensinar a ser um bom marido, mas preferiu me criar sozinho, sem me mostrar como... — Como ser um homem? Porque sua mãe foi embora sem nem olhar para trás, enquanto eu te segurava no colo, tentando te acalmar, e ela entrava no carro. Você acha que eu não te mostrei e não te ensinei o valor das coisas — tanto das que se compram quanto das que não se compram? — Ele se calou, diante da minha frieza, com a expressão de quem não se importa com nada. — Eu fiz de tudo por você, Fred. Te daria minha vida, se preciso, mas cansei de passar a mão nos seus erros. Isso só te tornou ainda mais sem escrúpulos. — Até mais, Marcelo. Obrigado por tudo... que não fez por mim. — E assim ele foi embora, como quem não tinha nada, mesmo tendo tudo. Me joguei na cama, ainda vestindo apenas um roupão, e tentei não pensar em nada. Mas o cheiro dela ainda impregnava meu travesseiro, meus lençóis... e as imagens da noite passada invadiam minha mente. — Eu transei com a ex-noiva do meu filho... e não me sinto nem um pouco arrependido. Será que sou tão safado quanto ele? — Enquanto a pergunta pairava no ar, sorri ao lembrar que, pela primeira vez em muito tempo, eu me sentia vivo novamente. Elizian Por pouco não dei de cara com Fred — o vi no corredor e preferi ir pelas escadas, deixando-o sozinho no elevador. Cheguei ao meu apartamento eufórica, sem saber se ligava para Bianca ou se refletia sobre tudo que aconteceu na noite anterior. Mas logo me lembrei: eu precisava trabalhar. A vida não é só t*****r com Marcelo Ferraz. Após o banho, me vesti o mais rápido que pude e, em quarenta minutos, estava pronta. Peguei as chaves e desci para tirar o carro, mas, ao chegar no penúltimo andar, dei de cara com Fred — ele estava no mesmo elevador que eu precisaria usar. — Posso falar com você um minuto? — Ele insistia, mas eu fingia que não o via, mesmo estando ao meu lado. — Por favor, Elizian. Me dá uma chance de me explicar. Então, ele tocou meu braço. Aquilo era inaceitável. — Se você ousar encostar essas mãos podres em mim de novo, juro que não haverá segunda vez. E não, eu não quero ouvir nada do que você tem a dizer. Eu vi o suficiente. E quer saber, Fred? Você e a Bruna formam até um casal bonitinho. Espero que sejam muito felizes... e que você pare de me perturbar. — Eu estou arrependido, Eliz... eu... — Elizian. Meu nome é Elizian. E pega o seu arrependimento e enfia... onde você quiser. Só me deixa em paz. Porque, se não, você vai conhecer o próprio demônio na sua frente. E mais: eu vou infernizar tanto a sua vida que você vai pedir para nunca ter me conhecido. — Eu estou arrependido. Ela nunca vai ser igual a você. Com ela era só diversão. Ela é só uma... — Claro que ela nunca vai chegar aos meus pés, seu i****a. Olha bem pra mim... eu estava trabalhando enquanto você fodia a minha amiga. Acha mesmo que ela vai ser igual a mim algum dia? Acha mesmo que ela vai querer algo sério com você? Sabe... eu não sei onde estava com a cabeça quando aceitei casar com você. Acho que era carência. Depois da noite que eu tive ontem, não tenho dúvidas: era realmente carência. O elevador abriu, ele tentou me seguir, mas eu corri até o meu carro, abri a porta e entrei o mais rápido que pude. Precisava me livrar daquele homem... nem que isso me custasse t*****r mais vezes com o pai dele.
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