Capítulo 5 – Coringa

1619 Words
O dia na Rocinha passou arrastado, como se o relógio estivesse de s*******m comigo. Eu estava na boca, cercado por fuzis, radinhos chiando e o movimento frenético de dinheiro e droga, mas a minha mente era um território ocupado. O cheiro dela — aquele mistério de sabonete barato e flor selvagem — parecia impregnado nas minhas narinas, sobrepondo o cheiro de pólvora e asfalto quente. Eu não conseguia focar em nada. Olhava para o Jacaré, que estava postado num canto estratégico, e meu radinho vibrava a cada hora com uma mensagem dele. “Patrão, ela tá limpando o quintal.” “Patrão, ela entrou em casa agora, a madrasta tá gritando com ela.” “Patrão, ela foi na Mirele, tá chorando.” A cada informe, uma veia saltava na minha têmpera. Eu queria descer aquela ladeira e arrancar ela dali, mas o meu orgulho ainda tentava me convencer de que era só o t***o acumulado. Tentei me distrair com os negócios, dei ordens, resolvi pendências com os fornecedores, mas quando a noite caiu e o silêncio da madrugada se instalou na mansão, a verdade bateu na porta: eu estava viciado. E o vício tinha olhos verdes e sardas. Eram três da manhã. Eu rolei de um lado para o outro na cama imensa que ainda parecia carregar o fantasma da presença dela. O sangue no lençol já tinha sido lavado, mas a marca que ela deixou na minha cabeça não saía nem com reza braba. Sem conseguir pregar o olho, peguei o celular. A vontade de ouvir a voz dela, de sentir o medo e a submissão, era maior que qualquer cansaço. Disquei. Chamou três vezes até que ela atendeu, a voz sussurrada e carregada de pânico. — Alô? — Ela murmurou. — Quero tu aqui agora, Maya — soltei, sem preliminares. Minha voz saiu mais rouca do que eu pretendia. — Coringa? Agora? Não tem como... elas estão dormindo, a porta tá trancada, eu não posso sair assim... — Não me vem com desculpa, Pimentinha. Você sabe quem manda nessa p***a. Se o problema é a tua madrasta ou a porta, eu mando o Jacaré invadir esse barraco agora, chutar a porta e te carregar no ombro. Você escolhe: ou sai pelo teu pé, ou eu transformo a tua rua num campo de guerra. Houve um silêncio do outro lado. Eu quase podia ouvir as engrenagens da cabeça dela girando, o medo lutando contra a necessidade de discrição. — Não! Não precisa... — ela disse, apressada. — Eu vou dar um jeito. Eu saio pela janela dos fundos. — Ótimo. O Jacaré vai estar te esperando a duas ruas daí. Dez minutos. Não me faz esperar. Desliguei sem esperar resposta. Levantei, joguei uma água no rosto e fiquei na varanda, esperando. […] Quando a porta do meu quarto abriu, meu peito deu um solavanco que eu odiei sentir. Ela estava ali, vestida com um camisete largo e uma calça velha, o cabelo preso num coque desfeito. Parecia exausta, mas a beleza dela era um desaforo. — Tira a roupa — ordenei, encostado na mesa de mogno do escritório anexo ao quarto. Ela obedeceu. Devagar, com os dedos tremendo, ela deixou as roupas caírem. Eu a observei como um juiz observa um condenado. — Ainda tá dolorida de ontem? — Perguntei, vendo o jeito que ela juntava as pernas. — Sim... um pouco — ela respondeu, sem me encarar. Caminhei até ela. Eu ia pegá-la ali mesmo, mas quando cheguei perto, algo me travou. Sob a luz fria do quarto, vi uma mancha roxa, feia, perto do rosto dela, quase atingindo o olho. O sangue ferveu instantaneamente. — Que p***a é essa, Maya? — Passei o polegar perto da mancha, e ela recuou, soltando um suspiro de dor. — Eu não lembro dessa marca ontem. Isso tá manchando a parte mais bonita do teu rosto, estragando as tuas sardas e tirando o brilho desses olhos de esmeralda. Quem fez essa p***a? Ela desviou o olhar, as mãos cobrindo o próprio corpo nu. — Não foi nada... eu senti uma tontura hoje cedo e caí no banheiro. Bati o rosto na pia. Foi só um acidente. Eu estreitei os olhos. Eu lido com mentirosos desde que aprendi a falar. Eu conheço o olhar de quem apanha e tenta esconder. A raiva que senti foi visceral, uma vontade de descer o morro e apagar quem quer que tivesse encostado nela, mas eu decidi jogar o jogo dela. Por enquanto. — Tontura, é? — Murmurei, a voz perigosa. — Pois toma cuidado. Eu não gosto de ver minha mercadoria estragada. A raiva me deixou faminto. Eu queria possuí-la de um jeito que ela nunca esquecesse, queria que ela sentisse que o meu domínio era absoluto. Peguei um cordão de seda preta que eu guardava na gaveta. Peguei a mão dela e, sem dizer uma palavra, amarrei seus pulsos. — O que você vai fazer? — Ela perguntou, os olhos arregalados. — Fica quieta e aproveita. Coloquei ela de bruços sobre a mesa de madeira. Ela era pequena, a pele clara contrastando com o mogno escuro. Me inclinei e comecei a chupa sua b****a com uma intensidade que a fez arquear as costas. Eu queria o gosto dela, queria marcar território. Maya começou a gemer, um som agudo que ecoava no quarto, as mãos amarradas batendo contra a mesa. — Gosta disso, Pimentinha? Gosta de sentir o dono do morro te devorando? — Rosnei entre as pernas dela. Eu queria mais. Queria ver a boquinha dela em ação. Eu já estava no meu limite, o p*u latejando, querendo ser envolto por aquela inocência. Mudei a posição dela. Deitei suas costas na mesa, mas deixei sua cabeça inclinada para baixo, na borda. — Vamos ver se você aprende rápido — falei, posicionando-me à frente dela. Enterrei meu p*u na boca dela. Vi os olhos dela se arregalarem, as lágrimas de reflexo surgindo, mas eu não tive pena. Enquanto ela tentava me acomodar, eu me inclinei para frente, arreganhando as pernas dela com força e voltando a chupar sua b****a enquanto ela trabalhava para mim. Era uma sinfonia de prazer e dominação. O som da sucção, os engasgos dela, o calor que emanava dos nossos corpos... eu estava no céu e no inferno ao mesmo tempo. Depois do oral, eu estava possuído. Levantei-a dali e a prensei contra a parede fria. Sem aviso, entrei fundo nela, arrancando um grito que foi abafado pelo meu beijo — um beijo que não era nos lábios, mas no pescoço, na orelha, onde eu dizia as coisas mais sujas que vinham à minha mente. — Você é minha p**a, entendeu? Minha pimentinha. Tu vai dar pra mim todo dia, até eu secar tua alma. Ela soluçava, mas suas pernas se entrelaçavam na minha cintura, pedindo por mais. Eu a levei para a poltrona, sentei e a coloquei por cima de mim, de frente. — Agora você vai aprender a enlouquecer um homem — sussurrei, segurando seus quadris. — Senta. Com vontade. Como se tua vida dependesse disso. Ela começou a se mover. No início, desajeitada, mas logo o ritmo pegou. Maya tinha um instinto que me assustava. Ela me olhava nos olhos enquanto cavalgava, e aqueles olhos verdes pareciam as serpentes da Medusa. Eu estava hipnotizado. Eu, o homem que nunca se curvava a ninguém, estava ali, nas mãos de uma virgem de sardas que estava me destruindo. A intensidade aumentou. Nossos rostos estavam grudados, o suor misturado, a respiração sendo dividida. Eu fui mais fundo, atingindo o colo do útero dela, e vi o momento em que ela se perdeu. Gozamos juntos, num grito uníssono que pareceu selar um pacto de sangue. Eu me afastei, o peito subindo e descendo. Caminhei até a varanda, peguei meu kit e acendi um baseado. Precisava acalmar os nervos, precisava que a fumaça levasse embora aquela sensação de que eu estava ficando dependente dela. — Coringa... — a voz dela veio pequena lá de trás. — Me desamarra. Eu preciso voltar. Já vai amanhecer. Caminhei até ela e soltei os nós com os dentes. — Por que a pressa, Pimentinha? O barraco tá com saudade? — Debochei, soltando a fumaça. — Eu não quero que elas acordem e não me vejam. Você não entende... a Odete... — ela parou, mordendo o lábio, lembrando-se da mentira da "tontura". Eu a observei se vestir. O jeito que ela tentava se recompor me dava um aperto estranho no peito. Eu queria dizer para ela ficar. Queria dizer que ela nunca mais precisaria voltar para aquele buraco. Mas o meu orgulho era uma muralha. — Vai lá. O Jacaré te leva — falei, voltando-me para a vista da Rocinha. — Mas fica esperta no celular. A partir de agora, não tem mais essa de "um dia sim, outro não". A gente vai se encontrar todos os dias. Tu é o meu vício noturno, Maya. E eu não pretendo entrar em reabilitação tão cedo. Ela não disse nada. Apenas pegou suas coisas e saiu, fechando a porta com um clique suave. Fiquei ali, fumando, vendo a luz do sol começar a rasgar o céu. Eu sabia que ela tinha mentido sobre a mancha no rosto. Eu sabia que aquela madrasta desgraçada tinha encostado na minha propriedade. E enquanto a fumaça subia, eu tomava uma decisão. Ninguém batia no que era meu e ficava vivo para contar a história. Maya achava que estava voltando para casa para se esconder, mas ela não sabia que o dono da Rocinha estava prestes a fazer uma visita que o morro nunca esqueceria. Eu não era carinhoso. Eu era o Coringa. E o Coringa protege o que é dele com sangue.
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