Peter Narrando O fogo foi se alastrando rápido demais. Senti o calor subir pelas paredes e o estalo da madeira queimando me deixava em pânico. O cheiro da gasolina era insuportável, invadia minhas narinas como se quisesse me sufocar antes mesmo da fumaça. Ainda amarrada, comecei a me debater na cadeira. Eu precisava sair dali, não podia morrer daquele jeito, não podia deixar meu filho morrer comigo. Com muito esforço, forcei o peso do meu corpo para o lado. A cadeira balançava, rangia, e então, tombou. Caí com força no chão, bati o braço e senti a dor aguda, mas nem liguei. Rolei até ficar atrás de uma mesa que ainda não havia sido alcançada pelas chamas. Ali, no pouco de sombra e proteção que me restava, fechei os olhos e comecei a rezar. — Deus… por favor… por favor… salva meu filho…

