Aurora Narrando Eu não sabia quanto tempo tinha se passado desde que fui jogada ali. Talvez horas, talvez dias. Estava vendada, com os pulsos amarrados pra trás, as pernas também. O chão debaixo de mim era frio e áspero, e meus braços latejavam. A corda tava tão apertada que parecia queimar minha pele. Cada vez que eu tentava me mexer, sentia o ardor aumentar. Eu tava com fome, com sede, com vontade de ir no banheiro. O corpo inteiro doía. A garganta arranhava. A boca seca. Senti uma lágrima escorrer, mas nem consegui limpar. Comecei a gritar. — SOCORRO! PELO AMOR DE DEUS. ME TIRA DAQUI — minha voz ecoava, mas parecia não sair de lugar nenhum. Ouvi passos. Pesados. Aproximando. Meu coração acelerou. Um rangido de porta e uma voz grossa, áspera, soou: — Por que tá gritando, pörra? Fi

