Atrás daquelas telhas velhas eu escuto o som do casal, as palavras e sussurros que ele dá no ouvido da mulher me deixam incomodado, quero sair dali mais como, se as minhas pernas não respondem, vou ter que ficar ali escondido até o casal terminar e se vestir.
? Seria mais fácil ter ido procurar, uma pousada ou algo parecido, mas acho que eles gostam de viver perigosamente.
Aqueles sussurros e gemidos me incomodam, e quero arrancar as com as minhas presas, as veias do pescoço desses dois, pois na rua, mesmo escondido em um beco, não é lugar para se ter relações íntimas.
O cheiro da relação deles começa a invadir mais ainda as minhas, narinas, o som parecido como de bater de palmas em conjunto com os gemidos dos dois me deixam, extremamente, irritado.
Quando eu penso que a situação não podia ficar pior, eu vejo uma pobre criança de rua, na entrada do beco.
? Essa não essa pobre criança vai ver esses dois pecadores fazendo o que não devem, bem no centro do beco.
Meu desespero só aumenta, eu quero tirar a criança de la, acredito que pela adrenalina que eu estava sentindo eu recuperei a força das minhas pernas e me movimentei até a criança e corri até ela, enlaçando-a pela cintura e levando-a para longe do beco escuro.
— Ei moço, o que esta fazendo, eu preciso voltar para o orfanato, tenho que estar na minha cama ao sinal para levantar-nos.
— Me perdoe, pequena criança, qual seu nome:
— Marissol.
— Eu sou Lystat desculpe se atrapalhei o seu trajeto é que lá dentro há duas pessoas, fazendo coisa errada e eu não quero que você veja.
Sorrio do nome do menino, que apesar de estar trajando roupas masculinas, inclusive um gorro velho, tem o nome de menina.
? Os pais dele se equivocaram, penso enquanto eu observo a pobre criança.
— Ei moço, por que me olha tanto?
— Oh, pequena criança, me desculpe, eu refletia que seus pais colocaram um nome de menina em um menino.
A criança sorri, tira o gorro de sua cabeça e chacoalha os longos cabelos que caem em cascata em sua cintura.
— Eu sou uma menina, não um menino!
— Caio na risada, ardilosa a pestinha.
— Eu me visto assim para poder ir visitar o túmulo de meus pais no cemitério, me vestindo como menino, eu posso chegar ao cemitério mais rápido, sem me pararem.
? Que criança esperta.
Penso eu.
— Mas agora terei que pegar o caminho mais longo, que droga.
Sinto pena da Marissol, perder os pais de uma maneira tão c***l.
— Eu tenho uma ideia, Marissol eu posso te levar para o orfanato, ainda tem algumas horas para raiar o dia, assim você não vai sozinha correndo perigo.
— Eu agradeço senhor Lystat, o caminho mais longo é muito deserto e eu tenho muito medo de passar por ele.
Marissol ajeita novamente seus cabelos no gorro e seguimos juntos para o orfanato.
O caminho, mas longo, é muito sinistro e pode se tornar um perigo tanto para uma menina, quanto para um menino.
Ao chegar ao orfanato eu vejo o quão está deplorável sua estrutura, feio, com rachaduras nas paredes, que podem a qualquer momento aumentar e prejudicar a integridade do local.
— Obrigada por me trazer senhor Lystat, eu vou entrar se descobrem que eu saio terei muitos problemas com a diretora do orfanato.
— A gente se esbarra qualquer hora, eu vou visitar os meus pais todos os dias.
Espero, Marissol entrar, garota esperta, ela, entrou por um buraco coberto por trepadeiras.
Me lembro na minha infância na escola de magos, eu sempre fazia isso, eu era a pestinha que dava dores de cabeça para a diretora da escola.
Retorno para casa e passo pelo beco, olho em sua direção, eu vejo o casal, saindo de lá, já compostos, sinto o cheiro da região mais íntima da mulher e fico enojado, daquele tipo de cheiro de peixe misturado com cheiro de prazer.
? Eca são nessas horas que eu detesto ser vampiro.
Retorno para a minha casa e a imagem da pintura de Sara não me sai da cabeça, se Catarine é filha dela ela pode passar pelo portal que é oculto entre o mundo de Ilandris e humano.
Entro em casa e me lembro de Marissol e gostaria de saber do que os pais delas morreram?
E em que condições viviam, a Inglaterra de 1600 é muito porca aff, e qualquer um poderia pegar alguma doença andando por essas ruas, principalmente a parte mais pobre.
Provavelmente morreram com a peste, uma doença terrível, que matou muitos ingleses.
Intrigado com a menina, eu resolvo esperá-la em frente ao beco depois que deixar a Catarine em sua casa.
Não gostei daquele lugar, quero que ela conviva comigo em minha casa, não fui com o jeito dos padrastos dela, algo me diz que eles não são confiáveis.
Vou para o meu refúgio na casa que aluguei da freira, continua longe de raiar o dia, então muito curioso eu vasculho algumas caixas de madeira que ali estão.
Encontro algumas folhas, que a freira registrou com a sua própria caligrafia, uma espécie de diário. Começo a ler e percebo que a freira quase se casou, porém, segundo palavras dela, não queria de maneira nenhuma se casar e resolveu fugir para pedir abrigo em um convento.
Leio até o relógio cuco soar me avisando que um novo dia está nascendo, abandono o diário da freira, fecho os meus olhos.
? Detesto dormir de dia, mas não posso fazer nada, afinal ser um ser noturno é exatamente assim, se dorme durante o dia e se caça durante a noite, não sei se terei fome amanhã, mas estou preparado para caçar mais algum fora da lei.
Com os olhos fechados, a única imagem de que me lembro é de Catarine, a qual eu deixei dormindo em sua casa e vim embora.
Preciso estudar uma forma dela conviver em minha casa sem descobrir o meu segredo.
Mas qual?
Minha mente se desliga e eu adormeço