A caminho da casa de Catarine, eu observo as ruas de Cande tom, para mim a maioria das pessoas que estão circulando ali, são fúteis, são pessoas que olham para os seus próprios umbigos, durante o trajeto Catarine ajuda os pobres para poderem comer, ou mesmo comprar remédios, e eu observo e admiro a atitude dessa jovem, que rouba dos ricos para dar aos pobres.
— Catarine posso te fazer uma pergunta?
— Você já fez uma pergunta, Lystat, mas pode fazer outra se quiser!
— Você continua roubando as carteiras das pessoas?
Ela abaixa a cabeça depois que entrega o dinheiro para uma mãe que pede esmolas com o seu filho nos braços.
Seguimos nosso caminho, ela me olha bem fundo nos olhos e abaixando a cabeça me responde:
— A minha situação é mais complicada do que parece senhor Lystat.
Sinto a dor em suas palavras, não quero que ela roube, não há necessidade, eu lhe dou sempre uma boa quantia em dinheiro, para que ela conviva comigo.
Abro a minha carteira e lhe entrego, mas uma quantia:
— Catarine pega, estando a meu lado, não há necessidade de roubar.
— Não quero que seja pega, Catarine.
— Desculpe senhor Lystat eu não posso aceitar o seu dinheiro já me deu muito.
Paramos em frente a sua casa e eu abro a sua mão e entrego o dinheiro.
— Aceite, como um presente, afinal esse é o nosso acordo, você convive comigo por um ano e eu te pago por sua companhia.
Ela aceita o dinheiro e olha para sua casa com tristeza.
— Lystat entra, fica comigo, por um período, não quero ficar sozinha.
— Como assim? Seus familiares não estão?
— Não, sempre que tem dinheiro em suas mãos, meu padrasto Carl e minha madrasta Margo viajam e ficam fora por um longo período.
Percebo pelo jogo corporal de Catarine que ela realmente não quer ficar só naquela casa grande, então aceito o seu convite. Posso ficar por um período, mas não posso ficar até o novo dia raiar, isso seria suicídio.
Entramos, e ao entrar na sala eu sinto o forte cheiro de bebida e perfume barato, o cheiro muito forte que entra em minhas narinas e me faz espirrar, não sei como, Catarine consegue conviver com esse fedor de álcool, e esse cheiro doce de perfume barato.
— Sente-se Lystat eu vou pegar algo para bebermos.
— Oh! Está bem eu te espero.
Catarine me deixa na sala e eu observo aquela decoração, que não me agrada nenhum pouco, as cortinas são te um tom de escuro, é como se as pessoas que moram lá queiram esconder o que acontece no interior da casa.
A janela me parece que há muito não é aberta, eu vejo o cadeado na mesma e sinto o cheiro de mofo misturado com o de perfume e de bebida alcoólica.
Olho ao redor e vejo, um quadro do casal que devem ser os padrastos de Catarine, e não fui com a cara de nenhum dos dois nenhum pouco.
Tem cara e jeito de exploradores, e eu não gosto de pessoas assim, que exploram as outras.
Sinto um, comichão nas minhas presas, quando olho para aquele quadro, a minha vontade é provar do sangue dos dois até me saciar e eles morrerem.
Sabe aquela história do santo não se deu as mãos?
Então é assim que eu me sinto, eu não fui com o jeito dos dois e olha que eu nem os conheço.
Devido à falta de claridade do Sol, a sala tem as paredes machadas em alguns pontos pelo mofo.
Observo que a sala é ampla e bem decorada.
Catarine retorna para a sala com duas taças de vinho, uma para mim e outra para ela, e eu terei que ser um bom ator, pois além de sangue eu não consigo tomar mais nenhuma bebida, ou comer, comida.
— Tome um vinho comigo, senhor Lystat!
— Pego a taça e faço o movimento simulando que estou bebendo, mas não bebo uma gota.
Seguro a minha taça e vejo que Catarine tem classe até para tomar um vinho.
— Estive observando aquele quadro na parede, e vou ser sincero com você, eu não gostei das pessoas que estão ali retratadas, me desculpe pela sinceridade.
Catarine me olha com tristeza, é como se aquelas pessoas que estão retratadas, na pintura, fizessem o inferno da vida dela e ela não quisesse admitir nem para mim, nem para ninguém de maneira alguma.
Deixo a minha taça de vinho no chão ao lado do sofá e seguro em uma das mãos de Catarine.
— Ei! Eu disse alguma coisa errada?
Catarine, sorri de canto para mim, e só afirmou o que eu já imaginava:
— Ninguém gosta do Carl e da Margo, por esse motivo, eles se fecham em casa e não deixam a claridade do sol entrar nessa casa, com um cheiro misto de bebida com, mofo e o perfume barato de Margo.
Ela me diz essas palavras, porém eu sei que naquela casa acontecem, coisas errôneas, que a Catarine não quer mencionar para mim. E eu não preciso do meu faro de vampiro para chegar a essa conclusão.
— Aquele, quadro que está na parede, substituiu o quadro que retratava a imagem da minha mãe.
— Oh, que pena, pois eu gostaria de ver a imagem de sua mãe, e conhecer a bela mulher que você herdou os traços.
Catarine abandona a taça de vinho no chão ao lado do sofá.
Ela me puxa pelas duas mãos e me faz levantar.
— Me acompanhe até o meu quarto, senhor Lystat.
A acompanho até o seu quarto e lá me sinto em um lugar aconchegante.
Tudo bem que o quarto esteja decorado para uma menina de onze anos, tudo, nas cores rosa e amarelo, mas, mesmo assim, é mais aconchegante que a sala, não há o cheiro de mofo, muito menos de bebida e perfume barato, aquele quarto tem o aroma típico de uma menina moça.
Catarine abre a gaveta da antiga cômoda e pega uma, pequena caixa e de lá tira uma pintura antiga, mas bem conservada.
— Senhor Lystat, essa é minha mãe!