Quem diz que vampiros não sonham estão enganados, eu sonho, e durante todo o tempo em que dormi sonhei com Jade.
Na verdade, não foi bem um sonho, são lembranças da época da escola de feitiçaria e alquimia que estudávamos, eramos da mesma turma de bruxos e eu não esperava que a doce menina Jade sentisse alguma coisa por mim.
Claro que sempre nos ajudávamos reciprocamente com o aprendizado dos feitiços e dos elixires, afinal, eramos bons amigos.
Quando nos formamos, Jade declarou para mim todo o seu amor, disse que me amava desde a adolescência, e que se surpreende do fato de eu nunca ter percebido o brilho do amor em seu olhar.
A culpa não é minha, nunca olhei para a Jade com outros olhos.
E quando disse a ela que nunca poderia corresponder o seu amor, pois, não a amava, ela ficou triste e me deu as costas, indo embora.
Para mim ainda éramos amigos até o dia em que ela lançou em mim a maldição do vampiro.
Creio que ela tinha a esperança de que eu pudesse vê-la com outros olhos, mas nem amaldiçoado eu não consegui.
Juro que não estava esperando, que aquela adolescente, linda, meiga, se transformaria em uma mulher, tão c***l e taí egoísta, no mundo místico sabemos que não podemos lançar, um feitiço que faça uma pessoa se apaixonar por outra, claro que se ela me lançou esse feitiço do vampiro, ela poderia muito bem me enfeitiçar para amá-la e eu estaria com ela, mas, ela não me enfeitiçar para ficar com ela, pois sabe que estaria sendo desleal comigo.
Preferiu então me transformar nesse ser noturno que sou hoje.
Eu até tentei quebrar a maldição com um contra feitiço, mas não funcionou, a magia que Jade lançou em mim foi muito poderosa.
Durante o tempo em que dormi fui perturbado pelas lembranças que tive com Jade, foi para mim um sono perturbador.
Acordo, esquento água no fogo, e tomo um delicioso banho na grande banheira feita de madeira.
Não gosto de falta de higiene, então eu me cuido, não só para me manter limpo, como também por esse ser um hábito comum no mundo místico.
Realizo a minha higiene com um sabão feito de banha de c***a, o mesmo inventado no ano de 600 a.C.
Acho muito desagradável sentir o m*l-cheiro das pessoas aqui da Inglaterra, não sou i****a e sei que as mulheres, usam aqueles vestidos longos para esconder o fedor se suas áreas mais íntimas, e usam leques não para espantar o calor e sim para dissipar o fedor, para mim é uma verdadeira porquice.
Por isso acho desagradável o fedor de algumas ruas dessa cidade em que o esgoto é ao ar livre.
Relaxo no meu banho e lembro de Catarine Corbs, me surpreendo, pois ela não fede como as pessoas dessa cidade, provavelmente é adepta da limpeza.
Saio do banho, me seco e me arrumo, estou preparado, para receber a jovem em minha casa.
Até me perfumo com água de Inlandris, o perfume feito para as mulheres do mundo místico, que aprendi com o conhecimento das flores e da alquimia e consigo fazer, então não há desculpa para ser fedido.
Resolvo, preparar esse perfume, para dar de presente para Catarine, pois ela merece, se quero conquistar seu amor, tenho que ser um homem agradável com ela. Apenas preciso de álcool, alecrim e tomilho.
Começo a fazer o perfume com meus conhecimentos, ouço Catarine me chamar, e vou recebê-la em frente minha casa.
— Entre Catarine sinto frescor vindo de você.
— Um cheiro suave de erva-doce.
Ela me sorri, e que sorriso delicado.
— É do sabão de cheiro que aprendi a fazer com a minha mãe, tenho vários.
Catarine para na sala e sente o aroma pairando no ar.
— Que cheiro mais gostoso!
— Oh, você me descobriu, estou te preparando uma surpresa.
— Para mim?
— Sim, o perfume que estou criando para você.
Termino o processo e colocou em um frasco delicado que fiz com a minha magia.
— Aqui está Catarine para você esse perfume especial.
Feliz ela pega o frasco e com a ponta de um dos dedos passa o perfume atrás das orelhas.
— Obrigada Lystat, você faz tanto por mim.
— Não precisa agradecer, eu fiz com carinho para você Catarine.
— Oh, Lystat obrigada.
Ela me abraça, já é um começo, acredito que esteja gostando de mim, me empolgo e giro ela no ar, e ela sorri.
Paramos de girar e nossos lábios estão bem próximos. Ela me abraça novamente e me dá um beijo na bochecha.
— Novamente Lystat obrigada, eu sou o tipo de pessoa que gosta de andar limpa.
Como eu imaginei, estava certo.
Ela não tem aquele cheiro tipico de peixe em suas partes íntimas, como tem algumas mulheres que só se banham uma vez por ano.
Me lembrei do casal de ontem e da menina, que se veste que nem menino para visitar seus pais no cemitério e conto o que a impedi de ver quando ela cortava caminho para ir para o orfanato.
— Lystat você conheceu a Marissol?
— Você a conhece Catarine?
— Sim, Lystat ela mora em um orfanato em condições deploráveis desde que seus pais morreram de peste.
— Eu a levei em segurança para o orfanato ontem.
Catarine me agradece com outro beijo na bochecha.
— Faz tempo que não vejo a Marissol, sinto saudades, mas com meu padrasto e minha madrasta tenho que chegar cedo em casa e lhes entregar o dinheiro que consigo.
Eu desconfiava não fui com a cara daqueles dois quanto os vi retratados no quadro.
— Catarine vem morar comigo!
— Aqui estará segura, não precisará trombar nunca mais com aqueles dois.
A jovem abaixa a cabeça e quando me olha está com os olhos cheios de lágrimas.
— Eu não posso abandonar a casa que é o único bem que a minha mãe me deixou.
Eu compreendo os sentimentos de Catarine, ela é tão boa quanto sua mãe Sara foi no mundo místico.
— Por favor, vem, para minha casa, aqui estará livre das perseguições.
Ela me pede um tempo para pensar e eu lhe concedo esse tempo.