Conduzo a carruagem com delicadeza para não chocalejar, não quero machucar a Catarine que já está muito ferida e machucada.
Sei que terei que dar inúmeras explicações para a jovem, pois ela me viu sugar todo o sangue de seu padrasto, aquele maldito pederasta.
Não quero contar para ela que fui amaldiçoado por uma mulher m*l amada que não aceitou que eu não poderia amá-la, será muito difícil de me explicar para ela, caso ela pergunte como me transformei em vampiro.
Mas ela sabe e não tem medo de mim, e isso é o que realmente me importa.
Chego em casa e ajudo a jovem a desembarcar da carruagem, ela segura com firmeza a minha mão e me olha com curiosidade, depois que desembarca da carruagem.
— Catarine, eu sei que tenho que me explicar para você...
— Não têm não, Lystat, eu parei para pensar e você me salvou de meus algozes, e não me importa quando você foi transmutado vampiro ou em que século, de verdade não me importa, eu quero me aproximar mais de você, conhecer mais você, creio que ter se tornado vampiro não mudou a sua essência.
Sorrio para Catarine e acaricio de leve seu rosto ferido, essa menina é uma pequena notável, não quer saber como fui transformado em vampiro, porém ainda quer conviver comigo.
— Não se incomoda por eu sugar o sangue de seus padrastos até a última gota?
— Não, não me importo e se você não os matasse eu mesma o faria.
— Sabe Lystat, do jeito que estava a convivência com meus padrastos, cedo ou tarde eu iria surtar e acabar com eles.
Do jeito que ela está falando olhando profundamente em meus olhos, ela faria mesmo isso, mas me tranquilizo, pois fui eu quem o fiz, não a Catarine não merece ter suas mãos manchadas de sangue.
— Vamos entrar querida, sei que será diferente para você, pois eu durmo durante o dia, e talvez você se sinta solitária.
— Lembre-se que você me pediu para fiscalizar as obras do orfanato durante o dia, não vou me sentir tão sozinha assim, terei a companhia das crianças.
Me preocupa ela passar o dia no orfanato, pois Theo é apaixonado por ela.
— Catarine, você sabe que o Theo está apaixonado por você e eu...
— Não se sinta ameaçado, Lystat é como eu te disse, eu estou me apaixonando por você, só preciso de um tempo para entender o que eu estou sentindo.
Ela dizendo essas palavras me passa segurança, entramos em casa e eu a levo até seu quarto.
Sei que sou um vampiro, mas sou alquimista, quero cuidar de Catarine, ela precisa se curar de tantas marcas em seu corpo, e para curar essas marcas nada melhor que o sono.
Afinal, Catarine não poderá me manter a par da reforma do orfanato, saindo assim na rua com seu rosto e braços marcados.
— Querida, eu vou preparar um elixir do sono, você dormirá durante o dia, assim como eu, esse descanso é necessário para que você se recupere desses hematomas em seu corpo.
Catarine se senta na cama e me olha.
— Acredita que fará certo senhor Lystat?
— Sim, amor, a cura pelo sono, é uma terapia muito usada no mundo místico, e eu sei fazer esse elixir, você irá se curar mais rápido, mas se não quiser...
— Eu quero Lystat, quero me curar, não quero sair assim toda marcada, se em olho no espelho não me reconheço.
É tudo que eu precisava ouvir, eu vou até o mundo místico, colher as ervas necessárias para o preparo do elixir, digo a Catarine que vou fazer isso e que voltarei logo, ela assente com a cabeça e eu beijo de leve seus lábios. Sinto que eu evoluo na conquista, mas como Catarine me pediu tempo para entender o que ela está sentindo, eu vou respeitar esse tempo.
— Não demore Lystat.
— Prometo que não vou demorar Catarine, só vou colher as ervas necessárias para o preparo do elixir.
Me viro de costas para sair e deixar Catarine repousar no quarto.
— Espera, Lystat!
Me volto para Catarine e ela se volta para mim e me abraça.
— O que está acontecendo comigo, Lystat me ajude a entender o que eu sinto por você.
Como vou ajudá-la a entender se eu estou sentindo o mesmo por ela.
Sinto o calor do seu abraço e retribuo.
— O que eu posso prometer minha linda é que eu vamos entender juntos o que você sente.
A pego em meu colo e a deito na cama, ela passou por muita coisa e precisa repousar para que seu corpo se recupere das agressões.
— Descanse, minha linda, eu vou colher as ervas para preparar o elixir do sono, te garanto que com meus conhecimentos em alquimia você irá sarar rápido.
Beijo de leve seus lábios que são macios e sedutores.
— Por favor, minha linda descanse e não me siga, você poderia te morrido, hoje, quando me seguiu.
— Prometo ficar aqui no quarto quietinha até você voltar Lystat.
Sorrio, percebo pelo seu olhar que eu posso sair tranquilo para colher as ervas.
Caminho até a porta e aceno para ela, que me devolve o aceno seguido de um belo sorriso.
Saio, e vou correndo em alta velocidade para o mundo místico.
Ao chegar lá eu colho as ervas necessárias, não percebo mais, alguém se aproxima de mim e me toca o ombro.
— Retornou para Inlandris Lystat?
Não encontrou uma jovem para te amar e quebrar a maldição?
Me volto e olho para Jade me questionando com o olhar de satisfação e um sorriso sombrio.
— Você me enoja, Jade me deixe em paz.
— Para você não me interessa o que eu faço ou deixo de fazer.
Corro, corro o mais rápido que posso, minha missão é cuidar de Catarine e não tenho tempo para discutir com a bruxa Jade.
— Você tem apenas doze meses, Lystat.
Escuto as suas palavras seguidas de uma risada sombria.
Realmente a Jade não me importa nenhum pouco.
" Minha Linda estou voltando para casa."