O corpo nu do Zhang mais novo se encontrava caído no chão e sangrando, enquanto SiCheng desesperadamente agarrava o braço do pai tentando fazer com que ele parasse de bater no rapaz. Aquilo não passava de uma comparação de força ridícula, o pequeno ômega jamais poderia conter a fúria do alfa mais velho. Para Wu Yifan, descobrir que seu filho havia sido deflorado daquela maneira havia sido como um tapa em seu rosto, ele estava ofendido, aliás, toda a sua família estava, especialmente pelo responsável ter sido alguém de sua confiança.
Da mais alta confiança.
— Vá para casa, SiCheng, nós vamos conversar depois! — usou sua voz de comando com seu filho, coisa que sequer imaginou que um dia iria fazer, mas estava tão irritado naquele instante que não conseguiu pensar em mais nada que fosse capaz de afastar seu filho dali.
Viu quando os olhos de SiCheng se encheram de lágrimas e sem escolhas o ômega ajeitou as roupas no corpo e correu em direção à sua casa. Yifan não era um homem mau, longe disso, ele era apenas um pai que precisava tirar a limpo uma história que estava começando a borrar. Yuta sempre foi como um filho, alguém em quem Yifan confiava de olhos fechados, confiava um de seus bens mais preciosos, seu filho. Mas infelizmente aquela corrente de confiança que outrora fora feito em aço, agora se encontrava com os elos despedaçados.
O mais velho caminhou até o corpo inerte do rapaz no chão, o catando pelos cabelos e o fazendo olhar para ele.
— Escute bem o que eu vou falar. — o disse — Eu só não faço pior porque eu te amo demais para isso. Mas me ouça, você acabou com tudo.
A princípio, Yuta nada entendera.
— Eu recusei os pedidos de casamentos de exatas 26 famílias, tudo porque sempre tive em mente uma única pessoa que poderia ter a mão de SiCheng. — lhe falou, ainda segurando-o pelos cabelos, o sangue escorria por seu nariz — Pretendia dá-lo a você em casamento, eu sempre acreditei que podia confiar em você e que no fim de tudo você respeitaria o meu filho, mas você não soube esperar o tempo certo e perdeu a sua chance.
O alfa mais velho se ergueu, dando as costas para o Zhang e começando a caminhar em direção à saída do estábulo. Yuta lutava contra seu próprio corpo para conseguir ter alguma reação, m*l se mexia pelas pancadas que recebeu, a língua ardia dentro da boca pelo numero de cortes.
— Yi-Yifan. — chamou — O... O que quer dizer com isso?
Ele nem sequer olhou para trás.
— Fique longe do meu filho.
[... Doçura de Beta ....]
Pela manhã Jungwoo começou a se sentir desconfortável na cama que estava a dividir com YukHei, remexeu-se, mas continuava a sentir algo duro em suas costas. Tateou com uma das mãos na tentativa de encontrar o que tanto incomodava e acabou o encontrando, mas não conseguia tirar dali. Depois de alguns segundos tocando, acabou acordando Lucas, que ainda meio sonolento lhe perguntou:
— O que tá fazendo, Woo?
— Tem alguma coisa dura aqui.
Demorara ainda alguns segundos para que o mais alto se tocasse do que realmente estava acontecendo e quando finalmente percebeu não sabia como dar a notícia para o beta.
— Tira a mão daí, Jungwoo. — foi a única coisa que conseguiu dizer de momento.
O beta não deu ouvidos, continuar a apertar aquilo.
— Por que? O que é isso aqui? — continuou com seus toques até ouvir um gemido baixo vindo de Lucas, franzira o cenho tentando entender um motivo, dois segundos depois veio a se dar conta — Oh meu Odin!
Caiu para fora da cama rapidamente, estendendo sua mão para longe de si como se a mesma estivesse contaminada com alguma doença. Lucas ergueu-se da cama na mesma velocidade indo ver onde Jungwoo havia ido parar. O beta o encarava com os olhos saltados.
— Ai, Lucas, eu tô morrendo de vergonha! — choramingou enquanto praticamente se derretia no chão.
— Calma, meu amor. — pediu o alfa, se aproximando do menor no chão — Não é como se você nunca fosse tocar em mim, quer dizer, não faz m*l nenhum, quer dizer...
— Lucas você tá só piorando a situação!
— Tudo bem, eu paro de falar. — se afastou deixando Jungwoo no chão — Você deve estar cansado e com muita dor de cabeça, vou preparar algo pra você, tome um banho.
Lucas seguiu para a cozinha enquanto Jungwoo foi se lavar. O beta ainda tremia pela vergonha que sentiu, enquanto o alfa se segurava para não começar a rir. As reações do Oh eram tão engraçadas que chegavam a ser fofas, m*l sabia ele o quanto aquilo deixava Lucas ainda mais apaixonado por ele.
Jungwoo seguiu até o lado de fora, o dia estava muito frio, mas seu corpo cheirava a álcool e ele precisava urgentemente de um banho. O local onde Lucas tomava banho era um pouco grande, se bem que depois daquela manhã Jungwoo notava que tudo nele era grande. Se despiu deixando suas roupas penduradas, não demorou muito no que fazia, voltando para o quarto enrolado em uma manta qualquer a qual nem sabia se podia molhar.
Suas roupas fediam, por isso o mesmo acabou se obrigando a mexer nas roupas do Wu, era óbvio que qualquer uma ficaria muito grande para ele, mas isso era perfeito por pode vestir uma de suas camisas e a mesma bater na metade de suas coxas, era um pouco vergonhoso, mas não tinha muitas opções. Saiu o quarto procurando pela cozinha, não tinha nenhum cheiro agradável para seguir, era como se Lucas nem estivesse cozinhando.
Ao aparecer na porta foi logo captando a atenção do alfa, que se perdeu no momento em que o olhou. Os olhos de Lucas estavam completamente grudados nele ao ponto de fazer o beta se sentir envergonhado. Fora uma péssima ideia vestir sua camisa, só dera conta do quanto aquilo afetaria YukHei naquele momento.
— Então... — falou tentando despertar o maior — O que preparou?
O alfa piscou os olhos quatros vezes para voltar a realidade. Jungwoo sentou-se em uma das cadeiras da mesa e uma tigela com algo que mais se parecia com um bicho morto boiando foi deixada em sua frente. Lucas sorriu amarelo e ficou o olhando como quem esperava algo. O Oh provou bastante inseguro, cuspindo tudo de volta na tigela imediatamente.
— Isso tá horrível! — até mesmo passou a língua nas mangas cumpridas da blusa — O que é isso?
O alfa murchou.
— Desculpe, eu não sei cozinhar.
Vendo o quanto Lucas havia ficado m*l com o comentário, o beta se desesperou, acabara de descobrir o quanto não gostava de vê-lo triste.
— Não fica assim, meu amor, você não é obrigado a ser bom em tudo. — o Oh rapidamente se ergueu e foi até ele, o abraçando pela cintura — Vamos fazer assim, deixa que eu cozinho, tá bem?
O alfa confirmou com a cabeça e em seguida beijou rapidamente os lábios do menor, que não gostou, e revoltado segurou-o pelo pescoço o baixando para que pudesse receber um beijo de verdade. Jungwoo amava os beijos de Lucas, assim como Lucas amava quando partia de Jungwoo a ação de o beijar.
[... Doçura de Beta ...]
Jaehyun havia sido o primeiro a chegar na oficina naquele dia, e já era totalmente errado ele ter ido. Poderia muito bem ter usado a desculpa de que estava cansado da festa do dia anterior, mas sua mente estava tão perturbada que tudo o que ele mais precisava naquele momento era se ocupar com o trabalho, aliás, ele faria de tudo para se distrair e não pensar tanto em Taeyong.
Era perca de tempo tentar.
Estava tão entretido no que fazia que m*l notou quando seu primo Mark apareceu, o mesmo havia lhe falado algo, mas este sequer ouviu. Só veio de fato a acordar quando ouviu o grito de sua prima mais nova.
— Jaehyun! — a pequena alfa correu na direção do primo se abraçando a ele. O Kim a ergueu em seus braços assim que se deu conta da menina.
Se havia alguém no mundo que era capaz de deixar Jaehyun feliz com pouco esforço, esse alguém com certeza era Moonbyul, a filha mais nova de seu tio JongDae. A pequena alfa aparecia raras vezes por ali e em todas ela estava acompanhada por Minseok, o que fez com que Jaehyun o procurasse, encontrando apenas seu tio JongDae os observando.
— Onde está o tio Minseok?
— Moonbyul veio comigo. — revelou o pai — Ela já tem oito anos, já está na hora de aprender nossa profissão.
— Oito anos? — Jaehyun estava pronto para discutir — Meu pai só me trouxe com 12.
— Eu não sou como o Jongin, inclusive ele teria demorado mais se eu não tivesse insistido.
— Não posso fazer nada, meu pai gostava de me ter por perto e não foi fácil deixar que você me ensinasse.
A verdade era que Jongin sempre quis ter tempo para ensinar a arte de ser um ferreiro para Jaehyun, mas as obrigações da alcateia o deixavam sem tempo para tal coisa. Claro que a falta de tempo nunca o impediu de ser um pai presente, sua família sempre esteve a frente de qualquer coisa e Jongin poderia gritar aos quatro ventos que a alcateia nunca passaria a frente deles. Jongin deu educação para Jaehyun, lhe ensinou a ser um homem honrado e pra falar a verdade Jaehyun se culpava por não ser exatamente aquilo que seu pai queria.
Se dera conta, ele não podia simplesmente mudar por um r**o de saia, ele precisava mudar por si mesmo.
— Jaehyun? — a garotinha passava as mãos na frente dos olhos do primo buscando atenção, o alfa piscou algumas vezes e sorriu para ela.
— Eu preciso fazer uma coisa agora.
Pousou a menina delicadamente no chão, passando por todos e saindo do local. Caminhou rapidamente pelas ruelas do vilarejo, passando por todos sem ouvir seus questionamentos e cumprimentos. Precisava urgentemente chegar em na casa de seus pais.
Ao entrar em casa foi correndo até o escritório de seu pai, abrindo a porta bruscamente. Com o barulho Jongin olhou naquela direção, encontrando o rosto suado de seu filho.
— Pai, me ensina a ser um alfa como o senhor!
[... Doçura de Beta ...]
— Você levou a maior surra.
Young Ho perdia o ar de tanto rir do irmão enquanto o mesmo era atendido pela omma de ambos, que ao mesmo tempo que cuidava de seus machucados, batia revoltado em seu filho.
— Ai omma! — Yuta reclamou pela décima vez.
— Eu não criei dois filhos pra vivarem dois vagabundos que ficam se engraçando por aí... — parou para bater em Young Ho também — Com os filhos dos outros.
— Mas omma eu vou me casar! — o mais velho tentou se defender.
— É, mas vai fazer isso depois de ter levado uma surra!
Young Ho recebeu mais tapas de seu omma, mas em seguida deixou o quarto do irmão e seguiu para o lado de fora. Seu desejo naquela manhã era de aliviar a cabeça e achou que passando em casa poderia conversar um pouco com seu irmão, claro que ter visto ele todo ferrado e apanhando mais havia sido gratificante, mas também precisava de uma conversa.
Deixou a casa de seus pais e caminhou pelas ruas do vilarejo em passos lentos, não tinha pressa. Parou em frente a casa de Chittaphon, ainda pensando se entrava ou não. A verdade era que as coisas não estavam nada boas entre eles e ele sabia muito bem que precisavam ser concertadas. Em dois dias se casaria com Chittaphon, os dois teriam um filho e estariam ligados pelo resto de suas vidas.
Deveria estar feliz, mas não estava.
Tudo havia começado com o pé errado, tudo estava uma bagunça e ele sabia muito bem que quem mais sofria com o seu silêncio era o ômega. Não, ele não podia mais deixar as coisas daquela maneira. E foi por isso que entrou tão desesperado dentro daquela casa, passou por todos os cômodos até parar no quarto de Chittaphon, encontrando os olhos assustados do menor que olhavam para ele.
— Chittaphon, eu te amo.