Capítulo 42

1505 Words
Bianca Santoro, Naquele mesmo dia, depois da tensa conversa com Aléssio, tentei recompor meus pensamentos e me concentrar no que tinha para eu fazer. A última aula de etiqueta estava prestes a começar, e eu precisava manter a cabeça erguida. Havia me preparado tanto para chegar até aqui, e, depois de tudo, não permitiria que ele ou qualquer outra coisa me desviasse do meu objetivo. Caminhei até a área onde sempre aconteciam as aulas. O salão de dança era amplo, com janelas grandes que deixavam a luz entrar e iluminavam o piso de madeira. A professora Elenice e Gian, o professor de dança, já estavam lá, aguardando minha chegada. Ambos me cumprimentaram com sorrisos. — Bom dia, senhorita Bianca — disse Elenice, sempre educada. Eu apenas assenti, tentando manter a expressão serena. Precisava fingir normalidade, mesmo com o caos dentro de mim. A tensão entre Aléssio e eu era recente demais para ser ignorada, mas eu me forcei a deixar isso de lado. Hoje era o dia final, o momento de mostrar o que havia aprendido. — Vamos começar com uma revisão geral — sugeriu Gian, enquanto organizava algumas cadeiras e ajustava o espelho grande na parede. A professora Elenice começou com algumas instruções básicas sobre postura, equilíbrio e modos. Ela observava cada movimento meu, corrigindo pequenos detalhes, enquanto eu tentava me manter calma. Minha mente estava em confusão, mas segui suas ordens o mais cuidadosamente possível. Depois de revisar postura e etiqueta à mesa, Elenice sinalizou para Gian que era a vez dele. Era a parte que eu mais temia e gostava ao mesmo tempo: dançar. Ao longo das últimas semanas, ele havia me ensinado passos básicos de valsa, algumas posições do tango e movimentos suaves de dança social. Minha confiança havia melhorado, mas hoje parecia que todos os meus nervos estavam em alerta. — Vamos colocar tudo em prática agora, Bianca — disse ele, com sua voz calma e encorajadora. Ele caminhou até o canto da sala e ligou o som. A música começou a tocar, uma melodia suave que preenchia o salão. Começamos a dançar devagar, enquanto Gian me guiava. Meus passos estavam um pouco trêmulos no início, mas eu me esforcei para me concentrar na música e nos movimentos que ele ensinara. Respirei fundo, tentando ignorar o peso da manhã que havia começado m*l. Por alguns minutos, senti que estava conseguindo. Os passos fluíam, e eu me permitia sorrir levemente ao perceber que, finalmente, conseguia controlar meu corpo e meus movimentos. A música continuava suave, até que Gian fez uma pausa e se afastou, observando o que havia me ensinado. — Muito bem, linda — elogiou ele, sorrindo com orgulho. — Você aprendeu bastante e melhorou muito em pouco tempo. Eu agradeci com um aceno de cabeça, ainda sem palavras para responder. Meus pensamentos estavam se acalmando, e por um instante, pensei que poderia terminar essa aula em paz. Foi nesse momento que a porta se abriu, e eu ouvi passos firmes ecoarem pelo salão. Aléssio entrou na sala, e a atmosfera mudou imediatamente. Meus músculos ficaram tensos, e qualquer traço de tranquilidade que eu tivesse conseguido desapareceu. Ele estava ali, de terno impecável e postura firme, como se nada tivesse acontecido entre nós. Minha respiração se acelerou, mas mantive a compostura. Gian e Elenice olharam para ele, um pouco surpresos, mas não demonstraram mais do que uma leve curiosidade. — Professor Gian — disse Aléssio, com um tom amigável, mas firme. — Pode deixar comigo. Se quiser ir, pode ir. Mais tarde, faço a transferência de seu pagamento. Obrigado. Gian olhou para mim, como se esperasse algum sinal, mas eu estava imóvel, incapaz de reagir. Ele e Elenice arrumaram suas coisas rapidamente, trocando um olhar silencioso. Quando ambos saíram do salão, me vi sozinha com Aléssio. Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos, e um sorriso apareceu em seu rosto. Aquele sorriso calmo e sereno que me deixava desconfiada. Não parecia o mesmo homem que me ameaçou horas atrás, mas eu sabia que tudo aquilo era fachada. — Venha, dance comigo — disse ele, estendendo a mão. Olhei para sua mão estendida, e meu corpo hesitou por um instante. Parte de mim queria recusar, deixar claro que ele não tinha controle sobre mim. Mas outra parte, a parte teimosa que sempre queria provar algo, não queria recuar. — Quero ver o que você aprendeu, Boneca — insistiu ele, a voz mais suave desta vez. Respirei fundo, tentando manter a calma. Estendi minha mão com uma confiança que eu não sabia de onde vinha, e ele a segurou com firmeza. Me puxou delicadamente, e de repente, estávamos próximos demais. — Não baixe o olhar — murmurou ele, seus olhos nos meus. — Quero olhar em seus lindos olhos. A música suave preenchia o espaço, e Aléssio começou a guiar meus passos. Ele dançava com precisão, e era impossível não notar como ele conhecia bem o ritmo e os movimentos. Cada passo era seguro, firme, como se ele estivesse no controle da situação. Eu tentava manter a postura que Elenice e Gian tanto haviam corrigido, mas a proximidade de Aléssio me fazia sentir vulnerável de uma forma que eu não estava pronta para admitir. Cada toque dele parecia provocar uma reação em mim, uma mistura de irritação e atração que era difícil de explicar. De repente meus lábios estavam completamente secos, seu perfume tipicamente de homem canalha, tomou conta dos meus sentidos. — Você está se saindo bem — ele comentou, com um sorriso leve próximo aos meus lábios. — Obrigada — respondi, tentando parecer indiferente. Então, virei o rosto. Dançamos em silêncio por um momento, e a tensão entre nós parecia crescer a cada movimento. Minhas mãos estavam firmes, tentando manter a distância que era possível. Mas ele me puxou um pouco mais perto, e eu senti meu coração acelerar. — Você mudou muito desde que chegou aqui — disse ele, quebrando o silêncio. — Os professores fizeram um ótimo trabalho. Não sabia se aquilo era um elogio ou uma crítica. Eu havia mudado, sim, mas não sabia se era para melhor ou pior. — Mudanças acontecem — respondi, tentando manter a voz firme. — E acho que essa era sua intenção, não era? Me transformar em algo mais adequado ao seu mundo. Ele não respondeu imediatamente, apenas me observou, como se avaliasse cada palavra. A música continuava tocando, mas parecia um mero pano de fundo para o diálogo não dito entre nós dois. — Não quero apenas te moldar, Bianca — disse ele, com um tom que beirava a sinceridade. — Quero te proteger. — ele afundou seu rosto em meu cabelo, expirando o cheiro recém lavado do mesmo. Senti um misto de raiva e frustração ao ouvir isso. Sempre proteção, sempre esse discurso. Mas eu sabia que o controle era uma parte maior disso. — Proteger? — rebati, deixando um tom de desafio transparecer na minha voz. — Ou controlar? Porque às vezes não vejo diferença. O sorriso dele sumiu por um breve momento, e sua expressão ficou mais séria. Havia algo nos olhos dele, algo que eu não conseguia decifrar. — Talvez ambas as coisas — admitiu ele, sua voz baixa. Mas só porque você significa mais para mim do que imagina. Minha Ragazza. Eu queria responder, gritar ou confrontá-lo, mas as palavras ficaram presas na minha garganta. O silêncio entre nós parecia mais pesado do que qualquer conversa, e a música continuava preenchendo o vazio. Era isso, quando nós dois estávamos juntos, só sabíamos nos alfinetar e discutir. Quando a música finalmente parou, ele me soltou com suavidade, como se não quisesse quebrar a ligação que havia entre nós. Eu estava ofegante, mas não de cansaço físico. Era o peso das emoções, da tensão, do calor. — Está pronta para o próximo passo? — perguntou ele, a voz calma de novo. — De que passo está falando? — indaguei. Senti seu toque em meu rosto, enquanto ele colocava a mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Deixarei você se divertir como me disse, Bebê. — Aléssio me olha nos olhos e continua. — Na festa de despedida escolar, você vai terminar com …. — Ele pausou, e soltou um suspiro pesado. — Com o Enzo. E assim que estiver quase no final da festa, quero que me espere, porque vou te buscar, eu tenho uma surpresa para você, e também vamos aproveitar para nos divertirmos. — Disse desenhando meus lábios com os dedos. — Aléssio… — sussurrei. — Shhhh…. — Aléssio tocou meus lábios com os dele, e pude sentir sua respiração pesada, seu hálito mentolado. — Eu quero você, bebê, como eu nunca quis ninguém. Minha mente estava em colapso, eu sabia que tudo aquilo acabaria m*l novamente. Eu somente concordei com ele de sairmos como ele havia combinado, e me afastei subindo para o meu quarto, mesmo sentindo meu corpo em chamas, eu não poderia acabar nos braços dele novamente. Não quando prometi a mim mesma, que não me deixaria enganar mais por ele.
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