Capítulo 41

1027 Words
Aléssio Romano, Fechei a porta do escritório, quase com força demais. O eco do som reverberou pelo ambiente, como se tentasse refletir a raiva contida dentro de mim. Meus passos soaram duros pelo assoalho de madeira, e eu caminhava sem direção por alguns instantes, apenas tentando controlar os pensamentos caóticos na minha cabeça. Peguei uma garrafa de uísque na estante e me servi sem pressa, observando o líquido dourado encher o copo. Precisava de algo para acalmar a mente, algo que amenizasse a irritação que me corroía. O namoro de Bianca com Enzo.... Só de pensar naquilo, minha mão apertou o copo com tanta força que pensei que ele poderia estourar. — Maldito moleque — murmurei entre dentes, tentando afastar a imagem dele perto dela. Eu conhecia o tipo dele; garotos assim eram atrevidos, confiantes demais para o próprio bem. E Bianca, com sua nova liberdade e confiança, parecia disposta a desafiar todos os limites, inclusive os meus. Sentei-me na poltrona, segurando o copo de uísque entre as mãos. Meu olhar se perdeu por um momento, encarando o nada, enquanto minha mente voltava à conversa que tivemos. Bianca era teimosa, e por mais que eu tentasse mantê-la segura e protegida, ela parecia fazer questão de me desobedecer. Como se quisesse testar até onde iria minha paciência. O uísque queimou minha garganta, mas não o suficiente para distrair meus pensamentos. A ideia daquele moleque tocando-a, beijando-a, sequer passando tempo ao lado dela... tudo isso me deixava louco. Eu sabia que era irracional, mas era como se uma parte primitiva dentro de mim gritasse por controle. — Se ele soubesse os riscos que está correndo... — murmurei, bebendo o restante do uísque de uma só vez. — Eu vou ter que matá-lo, isso não importa. É menos uma pedra no meu caminho. Minha mente começou a juntar as peças. Bianca estava se tornando mais independente, sim, mas não entendia que estava apenas se colocando em perigo. Eu a tirei das ruas para protegê-la, para dar-lhe uma nova chance, mas agora tudo parecia estar fora do meu controle. Antes que pudesse pensar em uma solução, a porta do escritório se abriu bruscamente. Vito entrou, manchado de sangue, sua expressão grave. Levantei-me de imediato, o copo ainda na mão. — Vito, que diabos aconteceu? — perguntei, deixando a preocupação tomar conta da minha voz. Ele estava ofegante, e mesmo com a calma característica de quem já enfrentou situações difíceis, havia um brilho de alerta em seus olhos. — Fomos atacados, senhor — disse ele, respirando fundo. — Estávamos voltando para cá quando um grupo de homens armados, claramente de outra máfia, nos cercou. Perdemos dois seguranças na troca de tiros. Eles estavam bem organizados, foi uma emboscada. A raiva borbulhou novamente dentro de mim, mas desta vez, era direcionada para um alvo mais claro. — De qual grupo? — perguntei, minha voz controlada. — Suspeito que sejam homens de Henry, respondeu Vito, limpando o suor da testa com o dorso da mão. O nome dele me trouxe uma onda de lembranças desagradáveis e dos conflitos que tivemos no clube dele, para recuperar os contêineres de drogas. Mas ele está morto, eu o matei. Talvez, alguém ligado a ele queira se vingar. Tomei um gole do uísque, mas agora ele não tinha mais o efeito calmante. Cada palavra de Vito aumentava minha irritação. — E os outros? Estão bem? — perguntei, tentando manter a calma. — Os que sobreviveram estão feridos, mas vivos. Tivemos sorte de reagir rápido — respondeu ele, tentando limpar um pouco do sangue que manchava suas mãos. Meu olhar caiu para o copo vazio, e percebi que agora havia mais coisas em jogo. Os ataques estavam se tornando mais ousados, e isso era um problema sério. Essa pessoa que atacou meus homens, não era apenas um rival, era um homem calculista, e sabia onde atacar para me atingir. Tenho que ficar alerta. — Filho do Henry ... — murmurei, quase como se estivesse falando com um inimigo invisível na sala. O desgraçado sabia que eu não reagiria de forma passiva. Se ele estava se arriscando a atacar, era porque queria me mandar um aviso. Olhei para Vito, ainda manchado de sangue, e percebi que aquele ataque não era apenas uma questão de disputa territorial. Era uma provocação, um teste para ver como eu reagiria. E ele sabia que, nesse momento, minha vida estava em um estado de desordem. — Senhor, mas não sabemos quem é o filho de Henry. Ele o escondeu muito bem, mantendo ele fora do caos da máfia. — Vamos ficar de olho à nossa volta, logo logo saberemos Vito. Precisamos reforçar a segurança — disse eu, voltando a focar no presente. — Redobre a vigilância ao redor da mansão e certifique-se de que Bianca esteja protegida o tempo todo. Não quero mais surpresas. Entendeu? Enquanto eu estiver na luta para descobrir quem é o maldito filho do Henry, não deixe nada acontecer com minha futura esposa. Vito me olhou com um sorriso tranquilo. — Isso significa que… — Sim Vito, esperarei que Bianca complete sua maioridade, e a pedirei em casamento. Ela é minha, por tanto proteja a futura senhora Romano. Vito assentiu, claramente aliviado por ter uma ordem clara a seguir, e ficou feliz, claro, por eu ter finalmente pensado em assumi-la como esposa. — Vou cuidar disso agora mesmo — garantiu ele, antes de sair do escritório. Fiquei sozinho novamente, mas agora havia uma nova sensação de urgência dentro de mim. Não podia me dar ao luxo de hesitar ou perder o controle. O filho de Henry estava se movendo, e eu precisava reagir à altura. Mas, ao mesmo tempo, minha mente ainda estava presa nas palavras de Bianca. A ideia de perdê-la para Enzo, de vê-la se distanciando e se colocando em perigo... tudo isso apenas aumentava a pressão que eu sentia. O filho do falecido era um problema, sim, mas Bianca também era meu problema. E claro, mantê-la segura também era a prioridade aqui. A noite avançava, e o uísque já não parecia ajudar a clarear os pensamentos. Minha mente se dividia entre as ameaças externas e os conflitos internos.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD