Capítulo 40

1157 Words
Bianca Santoro, Uma semana havia se passado, e desde aquela pequena desavença com Aléssio, eu fiz de tudo para não cruzar com ele pela casa. A mansão era grande o suficiente, e sempre que ouvia seus passos ou via sua sombra, eu me retirava antes de sermos forçados a nos encarar. Não queria dar a ele o prazer de achar que ainda me afetava. Hoje é o último dia das aulas de etiqueta, e em breve também encerraria minhas aulas na escola. Daqui a dois dias, completaria meus tão sonhados 18 anos, e m*l conseguia esperar para alcançar essa marca. Essas últimas semanas foram confusas e cheias de surpresas, especialmente em relação a Enzo. Sim, estávamos namorando. Achei que entrar em um relacionamento "normal" seria a melhor forma de deixar para trás tudo o que aconteceu entre mim e Aléssio. Mas nada é tão simples. Noites sem fim eram povoadas por sonhos eróticos com Aléssio, e mesmo sem querer, minha mente e meu corpo pareciam lembrar cada toque, cada suspiro. Tentei ignorar, me convencer de que era apenas uma fase, que era jovem e precisava seguir minha vida. Mas Aléssio foi o primeiro e único homem que me tocou de verdade, e isso deixava uma marca impossível de apagar. As vezes quando esses sonhos me atacavam, eu tinha que me tocar, imaginando suas mãos em mim. E já com Enzo, trocávamos beijos e nada mais, e ele respeitava isso, mesmo que eu percebesse sua frustração crescente. Levantei da cama, tomei banho e me arrumei para o dia. Desci para a cozinha, esperando que a manhã fosse silenciosa e sem dramas. Assim que entrei, meus olhos encontraram os de Aléssio. Ele estava lá, sentado à mesa, e meu coração acelerou involuntariamente. Esse homem é diabolicamente delicioso. Tentei ignorar, fingir indiferença enquanto Maria, uma das funcionárias, me servia o café e depois servia Aléssio. Quando ela saiu, nos deixando a sós, ele quebrou o silêncio: — Bom dia para você também, Bianca — sua voz carregada de ironia. Suspirei, tentando parecer desinteressada. — Bom dia, senhor Aléssio — murmurei, mantendo os olhos no meu prato. — Como está a escola? Tudo bem? — ele perguntou, como se tentasse puxar uma conversa casual. — Sim, melhor do que nunca — respondi, tomando um gole de café. — Estarei terminando minha aula de etiqueta hoje, e na próxima semana termino meus estudos. — Ótimo... — ele disse, tomando um gole de café. Seu olhar parecia me analisar, e eu sentia meu corpo reagir ao seu olhar — Daqui a dois dias é seu aniversário. Franzi a testa, surpresa por ele saber dessa informação. — Como sabia? — perguntei, rindo com incredulidade. — Há muitas coisas que você não sabe sobre mim, Bianca — ele respondeu, um sorriso travesso nos lábios. — E eu sei tudo sobre você. Se eu quisesse saber seu tipo sanguíneo, poderia conferir em minutos. Senti um arrepio percorrer minha espinha. Aquilo soava assustador e controlador, como sempre. — Você é um monstro então? Devo ter medo? Ele riu, levando a xícara aos lábios. — Às vezes — respondeu ele, sem se preocupar em esconder o tom de ameaça. — No seu aniversário, quero que se arrume. Vamos sair para jantar e comemorar. — Não posso, tenho um compromisso nesse dia — respondi, firme. — E, falando nisso, minha agenda está muito lotada. Vou ver se me sobra espaço, e anoto seu nome na lista. Os olhos dele se estreitaram, e vi um lampejo de irritação cruzar seu rosto. — Abaixa a bola, boneca — ele disse, seu tom ficando mais firme. — Você assinou um contrato comigo, ou esqueceu? Senti uma raiva subir pelo meu corpo, mas me controlei. — Não me esqueci. E rezo todos os dias para que tudo isso acabe e eu possa ir embora daqui. Ele soltou um suspiro longo, claramente irritado com a minha resposta. — Tudo bem... mas até lá, você não vai voltar a dizer um "não" para mim. Entendeu? Levantei o olhar, desafiando-o com meus olhos. — Quem você pensa que é, Aléssio? Hã? — perguntei, com uma voz carregada de ironia. — Eu cumpri com o contrato, obedeci suas ordens, fiz tudo como queria. E agora estou aproveitando minha vida como a "menina" que você tanto gosta de me lembrar que sou. Falei "menina" pausadamente, deixando claro que estava jogando suas palavras de volta para ele. — E outra, continuei, minha voz mais calma. — Vou sair com meu namorado. Vi seus olhos se estreitarem ainda mais, como se cada palavra minha fosse uma ofensa direta. — Como é que é? — ele perguntou, sua voz carregada de incredulidade. — Tá namorando com quem? Acha que tem idade de namorar? Perdeu a noção do perigo, é isso? Sorri com desdém, sem me deixar intimidar. — Não perdi, não. Estou namorando com Enzo. Até fizemos planos para nos casarmos assim que eu terminar a escola. Finalmente vou me livrar de você. Afinal, vou completar 18 anos daqui a dois dias. Me levantei da mesa, pronta para ir embora, mas ele foi mais rápido. Me alcançou e me encostou contra a parede, segurando meu queixo com firmeza, mas sem me machucar. Seu rosto estava próximo do meu, e vi a raiva queimando em seus olhos. — Escuta bem esse aviso, amor — ele sussurrou, sua voz fria e perigosa. — Se você tiver um pingo de amor pela sua vida, vai terminar qualquer coisa que tiver com aquele moleque. Ou, antes mesmo que faça isso, eu já terei dado um jeito nele. Senti meu coração acelerar, mas me recusei a demonstrar medo. O toque dele era firme, e a tensão entre nós parecia prestes a explodir. Ele estava dominado pelo ódio, mas eu sabia que havia mais por trás disso. Ciúmes. — Você não pode... — comecei a dizer, mas ele me cortou, seus olhos me penetrando como lâminas afiadas. — Eu posso e vou, bebê — disse ele, sua voz quase um rosnado. — E você sabe muito bem do que sou capaz. Não tente me desafiar nisso. Por um segundo, pensei em revidar, em gritar ou empurrá-lo, mas algo na expressão dele me fez hesitar. Havia uma seriedade ali que eu não estava acostumada a ver, como se ele estivesse lutando contra algo muito maior do que apenas ciúme. Finalmente, ele me soltou, e senti o peso de sua ameaça ainda pairando sobre nós. Aléssio se virou e saiu, caminhando em direção ao escritório com passos firmes, sem olhar para trás. Fiquei ali parada, tentando recuperar o fôlego, meu corpo tremendo pela mistura de raiva e medo. Eu sabia que estava brincando com fogo, mas não iria ceder sem lutar. Eu precisava encontrar uma forma de ser livre, de me livrar desse controle sufocante. Mesmo que isso significasse enfrentar de frente o homem que, de alguma forma inexplicável, ainda mexia comigo de uma maneira que eu odiava admitir.
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