Capítulo 6

1044 Words
Aléssio Romano, Acordei cedo, como de costume. O sol m*l tinha nascido e, mesmo assim, minha mente já estava cheia de compromissos e responsabilidades. Havia uma reunião importante pela manhã, algo que não podia ser adiado. Além disso, uma viagem estava marcada para a noite, um encontro essencial com outros membros do meu círculo de negócios. Tudo precisava seguir conforme o plano. Não havia espaço para erros. Levantei, caminhei até o banheiro e liguei o chuveiro. A água quente caía sobre meus ombros, relaxando os músculos que pareciam estar sempre tensos. Esse era o único momento do dia em que eu podia me desligar do caos que me cercava, mesmo que fosse por alguns minutos. Após o banho, me vesti com cuidado. Meu terno estava impecável, o tecido ajustado perfeitamente ao corpo. Coloquei a gravata preta, o toque final de uma rotina que eu conhecia bem demais. Olhei no espelho rapidamente, mas sem interesse. O reflexo que vi era o mesmo de sempre: controle absoluto. Pelo menos, era o que eu tentava projetar. Peguei o telefone antes de sair. Fiz uma ligação para minha irmã, Sofia, para saber sobre Lia. Eu sempre fazia isso. Lia era a única coisa que fazia o peso do meu mundo parecer pequeno. — Aléssio? — a voz de Sofia atendeu do outro lado, carregada de cansaço. — Sofia, como está Lia hoje? — Estou indo para lá agora. — Ela suspirou. — Lia teve uma noite difícil, mas está estável. O médico disse que os níveis de plaquetas dela ainda estão muito baixos, mas... ela está resistindo. — Ela sempre resiste, respondi, tentando manter a calma que minha irmã precisava ouvir. — Eu sei... mas é difícil. Você vem hoje? — Vou passar lá depois da reunião. — Pausa. — Fique com ela, Sofia. Se precisar de qualquer coisa, me avise. — Claro. — Sua voz estava fraca, mas havia gratidão ali. Desliguei o telefone e senti aquele aperto familiar no peito. Eu precisava estar no controle de tudo. Mas com Lia... sempre me sentia impotente. Ajeitei a manga do terno, coloquei meu Rolex no pulso e guardei minha carteira no bolso do casaco. Vito estava me esperando do lado de fora do carro, como sempre. Entrei no banco de trás, e ele começou a me atualizar sobre o dia. — A reunião com os fornecedores está marcada para as nove. Depois disso, precisamos confirmar sua presença no jantar com o Sr. Marchesi às 19h, antes da viagem. Assenti com a cabeça, meus pensamentos ainda meio dispersos. — Além disso — Vito continuou, há um encontro marcado com... Antes que ele pudesse terminar, o carro parou bruscamente, com um solavanco que me jogou para frente. Se eu não estivesse com o cinto de segurança, teria voado longe. — Que merda aconteceu? — indaguei, irritado, olhando para Vito pelo espelho retrovisor. — Uma louca atravessou a rua de uma vez, senhor. Sem aviso. Acho que a gente... sem querer... bateu nela. — Cazzo... — vociferei, soltando o cinto com pressa e saindo do carro. — Senhor, não saia assim! — Vito tentou me impedir, mas eu o ignorei. Quando cheguei ao lado do carro, lá estava ela novamente. A mesma mulher que havia esbarrado em mim outro dia, mas agora em circunstâncias muito mais sérias. Ela estava deitada no chão, e por um segundo meu estômago deu um nó. Tinha sido atingida pelo meu carro. Seus olhos estavam fechados, e ela parecia inconsciente. Eu me abaixei ao lado dela, observando a respiração dela. Ela ainda estava viva, mas frágil. Vito chegou ao meu lado e eu me virei para ele. — Chame uma ambulância, agora. Ele acenou rapidamente e fez a ligação, enquanto eu ficava ali, parado, olhando para ela. Como era possível que eu tivesse me cruzado com essa mulher de novo? Primeiro na livraria, e agora isso? O destino parecia querer brincar comigo, ou com ela, ou tudo não passava de azar mesmo. Em minutos, a ambulância chegou. Eu a acompanhei até o hospital, mesmo sabendo que aquilo não fazia parte da minha agenda. Não podia simplesmente deixá-la ali, jogada como se fosse nada. Havia algo nela que me incomodava profundamente, algo que eu não conseguia entender. Quando finalmente chegamos ao hospital e ela foi levada para um quarto, esperei do lado de fora até que a enfermeira permitisse minha entrada. Quando entrei, ela ainda estava inconsciente. Sentei-me na cadeira ao lado da cama, o silêncio pesado preenchendo a sala. Depois de alguns minutos, ela começou a se mexer. Seus olhos se abriram devagar, e quando me viram, arregalaram-se, como se não acreditasse no que via. — Você de novo? — ela murmurou, a voz fraca, mas cheia de surpresa e desconfiança. Eu não perdi tempo. — Que loucura deu na sua cabeça de vento garota, para atravessar a rua sem olhar para os lados? — joguei logo, sem rodeios. Ela piscou algumas vezes, como se estivesse tentando processar a situação. — Eu estava fugindo — respondeu, a voz áspera. — Você não sabe nada da minha vida. Se veio aqui para brigar, é melhor sair. E mais uma coisa, não me chamo garota e sim Bianca. Meu nome é Bianca. Ela tentou se ajeitar na cama, mas o esforço foi em vão. Seu corpo estava mole, claramente ainda se recuperando do impacto. E o nome dela, que mãe daria um nome desses a sua filha? Bianca? Ignorei. — Fugindo? — repeti, cruzando os braços. — Você odeia tanto sua vida a ponto de se colocar em perigo assim? Primeiro você esbarra em mim, e agora atravessa na frente do meu carro? Ela me olhou com raiva, os olhos apertados, mas não havia resposta imediata. Eu sabia que havia mais naquela história. Sabia que ela estava envolvida em algo muito maior do que uma simples coincidência. Eu a observei em silêncio, esperando por qualquer sinal, qualquer palavra que me desse uma pista sobre quem ela realmente era. O encontro com ela, pela segunda vez em circunstâncias tão dramáticas, não podia ser obra do acaso. — Se vai me julgar, é melhor sair. Eu não pedi sua ajuda. — Ela virou o rosto para o lado, claramente querendo encerrar a conversa. Mas eu não ia a lugar nenhum.
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