Capítulo 28

1104 Words
Bianca Santoro, Entrei no quarto, fechando a porta atrás de mim com força suficiente para ecoar o som pelo corredor. Senti o peso da noite nos meus ombros, como se tudo aquilo tivesse sido mais intenso do que eu era capaz de aguentar. Sem pensar muito, comecei a tirar as roupas, jogando o vestido no chão como se ele carregasse o fardo dos eventos daquela noite. Minhas pernas estavam cansadas, o corpo ainda formigava com o toque de Aléssio, e minha mente estava uma bagunça completa. Caminhei até o banheiro, abrindo o chuveiro com pressa, deixando a água quente escorrer pelo meu corpo. A água parecia aliviar um pouco da tensão, mas minha cabeça continuava girando com tudo o que aconteceu. A voz de Aléssio ainda ressoava nos meus ouvidos, me pedindo para focar no que era importante, para esquecer o que tinha acontecido entre nós como se fosse um erro passageiro. Mas como esquecer algo que parecia tão real? — Foi só um erro, certo? — murmurei para mim mesma, enquanto esfregava o rosto debaixo do jato de água. Um erro que nunca deveria ter acontecido. Meus pensamentos não paravam de rodar, voltando sempre para o momento em que ele me tocou, o jeito que ele me beijou, como se naquele momento não existisse mais nada no mundo além de nós dois. Mas era exatamente isso que ele queria que eu apagasse, como se fosse algo insignificante. — Ele só quer que eu pague minha dívida e vá embora. Foi isso que ele quis dizer. Era isso que eu precisava fazer. Terminar o que tinha começado, pagar minha dívida e seguir minha vida, sem olhar para trás. Viajar para longe dele e esquecer que um dia eu estive naquele clube, naquele quarto, com ele. Eu não era ingênua, sabia que homens como Aléssio Romano não mantinham ligações emocionais. Para ele, eu era apenas um contratempo. Uma dívida a ser resolvida, e depois, cada um seguiria seu caminho. Fechei o chuveiro, o som da água cessando, e o silêncio voltou a dominar o quarto. Vesti uma roupa simples, algo confortável que estava na mala que já haviam trazido para cá. Não era a primeira vez que me encontrava em uma situação tão fora de controle, mas essa noite tinha sido diferente. Eu senti algo que não deveria sentir, algo que não estava nos planos, e agora, tudo parecia fora de lugar. Deitei na cama, o corpo afundando no colchão macio. Meus olhos se fecharam quase que imediatamente, e antes que eu pudesse me perder em mais pensamentos, o sono me envolveu. Estava exausta, física e emocionalmente, e não lutei contra o cansaço. Eu só queria dormir. **************** Acordei no meio da madrugada, sem saber exatamente quanto tempo havia dormido. O quarto estava escuro, iluminado apenas pela luz fraca que entrava pela janela. Minha mente ainda estava pesada, mas o descanso tinha aliviado parte da tensão. Ouvi um leve toque na porta, o que indicava que era hora de partir. Levantei-me devagar, ainda me sentindo fora de lugar, e coloquei a mesma roupa confortável que havia usado antes de dormir. Quando saí do quarto, Aléssio já estava esperando no corredor, sem dizer nada, como se o silêncio entre nós tivesse se tornado uma regra tácita. Ele me lançou um olhar rápido, mas não houve conversa. Ele pegou minha mala e descemos para o carro, e em poucos minutos já estávamos na estrada, a caminho do aeroporto. O silêncio dentro do carro era quase sufocante. Eu olhava para a janela, tentando não pensar em nada, mas minha mente insistia em voltar à noite passada. Aléssio também estava calado, mas não parecia tão perturbado quanto eu. Na verdade, ele estava focado em seu telefone, trocando mensagens ou talvez falando com alguém, enquanto um dos homens dele dirigia o veículo. De relance, percebi que ele sorria levemente, algo que não era comum para ele. Fiquei intrigada, mas não quis perguntar. Havia algo na forma como ele reagia, como se estivesse falando com alguém importante. Uma mulher, talvez? O pensamento me atingiu de uma maneira estranha, como se eu não devesse me importar, mas o desconforto crescia dentro de mim. Por que isso me incomoda tanto? Pensei, mas não quis aprofundar a questão. Ele não era nada meu, e eu sabia disso. Então, por que estava doendo ver ele tão à vontade enquanto eu me sentia uma bagunça emocional? De fato para ele, o que aconteceu entre nós, não significou nada mesmo. O aeroporto apareceu no horizonte, e o silêncio continuava nos cercando. Nada foi dito enquanto fazíamos o check-in e nos preparávamos para o voo de volta à Itália. Eu apenas o observava de relance, e ele seguia com a mesma postura fria e controlada de sempre. Era como se nada tivesse mudado para ele, enquanto tudo dentro de mim parecia ter sido virado do avesso. Entramos no avião, e Aléssio sentou-se ao meu lado, mas não houve interação. Ele continuou focado no telefone, e eu me afundei no meu próprio mundo, tentando não pensar mais no que tinha acontecido. A viagem de volta foi longa e tediosa, mas ao mesmo tempo, me deu tempo para refletir. Eu precisava tomar uma decisão. Assim que voltássemos para a Itália, eu focaria na minha dívida e seguiria minha vida. Não importava o que eu sentisse ou o que tinha acontecido entre nós, eu sabia que era melhor tentar esquecer. **************** O avião pousou na Itália no início da tarde, o sol fraco iluminando a pista de pouso. Descemos em silêncio, como se aquele trajeto inteiro fosse apenas uma transição para o próximo capítulo de nossas vidas. Aléssio estava focado, como sempre, e eu, agora mais do que nunca, estava determinada a seguir o plano que tinha traçado para mim. Saímos do aeroporto em direção à mansão, e assim que chegássemos, eu sabia que teria que começar a planejar minha saída. Eu não podia ficar naquele mundo por mais tempo. Minha dívida ia demorar um pouco para ser quitada, e uma vez que tudo estivesse resolvido, eu desapareceria da vida de Aléssio, da mesma forma que entrei. Mas, enquanto o carro deslizava pelas estradas italianas, uma parte de mim sabia que não seria tão simples assim. Por mais que eu tentasse seguir o plano, a conexão entre nós dois não seria facilmente apagada. Havia algo entre nós que eu não sabia como lidar, e embora eu quisesse fugir, não podia negar que parte de mim estava presa a ele, de uma maneira que eu nunca tinha sentido antes. Eu estou apaixonada por ele, essa é a questão, ou melhor, o problema.
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