Capítulo 29

1127 Words
Bianca Santoro, Um mês depois….. Passou-se um mês desde que voltamos daquela viagem. O tempo parece ter se arrastado de uma forma lenta, mas também trouxe mudanças. Durante esses dias, eu me vi mergulhada em uma rotina diferente, algo que nunca pensei ser possível para mim. As aulas de etiqueta continuaram, assim como as idas diárias à escola. Aos poucos, eu fui me adaptando a esse novo estilo de vida, uma transformação que não esperava vivenciar. O mais estranho de tudo é que, nesse último mês, não vi Aléssio uma única vez. Ele simplesmente sumiu, como se tivesse evaporado da mansão. Talvez estivesse viajando, como fazia frequentemente, ou talvez ele soubesse exatamente os horários em que eu estava em casa e se certificasse de estar ausente. Era difícil de dizer, mas a verdade é que sua ausência era perceptível. No início, isso me incomodou. Havia tanto a dizer, tanto a esclarecer sobre aquela noite, mas, ao mesmo tempo, eu sabia que talvez fosse melhor assim. Aléssio sempre deixou claro o que esperava de mim, e, para ele, aquilo que aconteceu entre nós foi um deslize. Eu deveria seguir o exemplo e não pensar mais nisso. E foi o que tentei fazer. Mergulhei de cabeça nas aulas de etiqueta. Elenice, a professora, era uma mulher firme, mas também gentil em suas correções. Eu mudei minha forma de falar, de sentar, de andar... Ela me ensinou que cada movimento tem um propósito, que a postura não é apenas uma forma de se apresentar, mas uma mensagem sobre quem você é. Aos poucos, deixei de ser a garota rebelde e descuidada para me tornar alguém mais polida, mais refinada. Pelo menos, na superfície. O mais surpreendente é que também fiz algumas amizades na escola. Era algo impensável para a antiga Bianca, mas, aos poucos, fui me enturmando com alguns colegas. Descobri que não era impossível me conectar com outras pessoas, mesmo que ainda houvesse um lado de mim que mantinha todos à distância. Foi assim que conheci Helen, uma das poucas amigas verdadeiras que fiz durante esse mês. Helen era simpática, com cabelos loiros curtos e uma risada contagiante. Ela me convidou para ir à casa dela algumas vezes para fazermos trabalhos escolares, e eu aceitei, mais por curiosidade do que por vontade de socializar. A casa de Helen era grande, quase tão imponente quanto a mansão de Aléssio, mas muito mais acolhedora. O clima era leve, e a sensação de normalidade era algo que eu não estava acostumada. Foi durante uma dessas visitas à casa de Helen que conheci seu irmão, Enzo. Ele era bonito de uma forma clássica, com cabelos castanhos ligeiramente bagunçados e olhos de um verde intenso, que pareciam ler seus pensamentos. Enzo tinha um sorriso fácil, algo que me incomodava um pouco, pois eu não estava acostumada com pessoas que sorriam tanto e de forma tão genuína. Ele era amigável e descontraído, completamente diferente dos homens que eu conhecia. — Bianca, esse é meu irmão, Enzo. — Helen me apresentou com um sorriso divertido, como se estivesse prestes a compartilhar um segredo. — Enzo, essa é minha amiga Bianca. — Prazer em conhecê-la. — disse ele, estendendo a mão com naturalidade. Eu hesitei por um segundo, mas acabei apertando sua mão, tentando parecer à vontade. — Prazer. — respondi, tentando esconder qualquer traço de nervosismo. Enzo não parecia ter pressa para se afastar, como se estivesse curioso sobre mim. Eu percebi seu olhar rápido, analisando-me, mas sem a mesma intensidade invasiva que estava acostumada a ver nos olhos de Aléssio. Ele era gentil, educado, algo que me deixou um pouco desconcertada. Eu não sabia como lidar com gentilezas sem motivos ocultos. Helen continuou falando animadamente, explicando a tarefa que teríamos que fazer, enquanto Enzo ficou por perto, ocasionalmente se envolvendo na conversa. A sensação de estar em um ambiente normal, com pessoas comuns e conversas triviais, era algo que eu não esperava gostar. Mas, surpreendentemente, foi reconfortante. — Então, Bianca, você está gostando da escola? — Enzo perguntou, sua voz carregada de interesse genuíno. Eu dei de ombros, um pouco sem jeito. — É diferente do que eu estava acostumada. — respondi, tentando não entrar em detalhes. Ele assentiu, como se entendesse algo sem precisar perguntar mais. — Às vezes, uma mudança é tudo o que precisamos para descobrir quem realmente somos. — comentou ele, e havia algo em suas palavras que me fez refletir. Nos dias que se seguiram, comecei a passar mais tempo com Helen e seu irmão, algo que parecia mais natural a cada dia. Eu me sentia estranhamente confortável ao lado de Enzo, mas não sabia exatamente por quê. Talvez fosse o contraste entre ele e as pessoas com quem eu convivia antes. Ele não parecia ter um interesse oculto, não fazia perguntas invasivas, apenas estava ali, presente. Durante esse mês, senti que algo estava mudando dentro de mim. A antiga Bianca parecia estar ficando para trás, e uma nova versão de mim estava começando a surgir. Eu me dedicava aos estudos, algo que antes parecia inútil, e as aulas de etiqueta estavam me transformando, mesmo que de forma lenta e gradual. Mas, ao mesmo tempo, havia um vazio dentro de mim, uma ausência que eu tentava ignorar. A ausência de Aléssio. Sua presença era constante em minha vida, mesmo que ele não estivesse fisicamente lá. Eu me pegava pensando nele, em seu jeito frio, mas atencioso, em suas palavras calculadas, e até na forma como ele sempre parecia ter tudo sob controle. Mas eu não podia deixar isso me distrair. Eu estava mudando para melhor, me adaptando a uma nova vida, e precisava manter o foco nisso. Aléssio havia sumido, e talvez isso fosse o melhor para mim. Talvez ele tivesse percebido que a melhor forma de me ajudar era se afastar. — Bianca, você está pronta? — perguntou Helen, interrompendo meus pensamentos. Ela estava na porta do meu quarto, com um sorriso ansioso no rosto, veio me buscar para mais um trabalho escolar. — Sim, só um segundo. — respondi, pegando meus livros e me preparando para sair. Seguimos juntas até a casa de Helen. Enzo estaria lá, e por mais que eu tentasse não me importar, a ideia de vê-lo novamente me deixava curiosa. Havia algo nele que eu ainda não conseguia entender, e talvez, com o tempo, eu pudesse descobrir. Sem exagero, ele parecia misterioso. Os dias continuaram passando, e minha vida seguiu nessa nova rotina. Eu estava diferente, e a cada dia que passava, me sentia mais distante da garota que eu era antes. Mas uma parte de mim sabia que ainda havia algo por resolver, uma sombra que pairava sobre mim, algo que eu não podia ignorar para sempre. O que sinto por Aléssio Romano.
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