Capítulo 17

1022 Words
Aléssio Romano, Assim que fiquei sozinho no escritório, peguei meu celular e liguei para Vito. Ele sempre sabia que, quando eu chamava, algo importante eu queria que ele fizesse. Não demorou muito até que ele chegasse, eficiente como sempre. Sentou-se de frente para mim, com aquele olhar sério e concentrado, esperando que eu lhe desse as próximas instruções. — Senhor. — disse ele, sempre direto ao ponto. Eu o observei por alguns segundos, considerando o que precisava ser feito. Bianca agora estava sob o meu controle, e para que isso se mantivesse, havia algumas peças que precisavam ser removidas da vida dela. — Quero que vá até a casa da tia de Bianca. — comecei, indo direto ao ponto. — Ofereça dinheiro para que ela saia da cidade. Diga a ela para não se preocupar com Bianca, que está em boas mãos. — Fiz uma pausa, sabendo que a mulher provavelmente não ligava para o paradeiro da sobrinha. — Se bem que ela nunca se importou de verdade com a sobrinha. Para ela se Bianca sumisse, era uma boa, e tendo bastante dinheiro em mãos, é melhor ainda para ela. Vito assentiu, seus olhos fixos nos meus enquanto eu falava. — Quero que Bianca seja outra pessoa, — continuei, minha voz fria e firme. — E para isso, preciso tirar tudo de r**m que a cerca. Sei que mais cedo ou mais tarde, essa tia dela vai dar trabalho, então estou cortando logo o m*l pela raiz. Eu sabia que Bianca carregava uma bagagem pesada, e grande parte disso vinha de sua tia, uma mulher que nunca lhe deu apoio ou afeto. Remover a tia da equação seria o primeiro passo para afastá-la das influências negativas que a mantinham presa no passado. Bianca precisava de uma nova vida, e eu faria isso acontecer. Ela não tinha escolha. — Sim, senhor. Mais alguma coisa? — Vito perguntou, com a mesma eficiência de sempre. — Sim, tem mais uma coisa. — acrescentei, inclinando-me ligeiramente para frente. — Aqueles canalhas que estavam perseguindo Bianca... resolva isso. Não quero mais vê-los atrás dela. Negocie com eles, se acaso eles não quiserem ouvir, mate-os. Vito sabia o que isso significava. Resolver problemas para mim nunca foi uma simples conversa. Ele assentiu mais uma vez, entendendo a ordem sem a necessidade de mais explicações. — Entendido, senhor. — Ele se levantou, pronto para cumprir as tarefas que eu havia lhe dado. Enquanto ele saía, meu pensamento voltou para Bianca. Ela estava prestes a entrar em um mundo completamente diferente do que estava acostumada, e para que isso funcionasse, eu precisava garantir que ela não tivesse para onde voltar. Cada detalhe era importante, cada peça precisava ser movida no tempo certo. Pouco tempo depois, enquanto eu ainda refletia sobre os próximos passos, a porta do meu escritório se abriu novamente. Para minha surpresa, Sofia, minha irmã, entrou apressada, com os olhos marejados e a respiração entrecortada. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela se lançou aos meus pés, as lágrimas caindo de forma descontrolada. — Oh, meu irmão... nossa pequena guerreira... — ela soluçava, suas palavras quase irreconhecíveis no meio do choro. — Lia acabou de morrer. Meu coração está despedaçado. Minhas palavras ficaram presas na garganta. Eu sabia que Lia estava doente, que sua saúde havia piorado nas últimas semanas, mas não estava preparado para isso. Minha sobrinha, minha pequena Lia, estava morta. Eu havia mantido a esperança de que, de alguma forma, ela pudesse se recuperar. Fiz tudo o que podia, mas agora, tudo parecia em vão. A dor foi imediata, uma faca cravada no peito. Levantei Sofia do chão e a abracei, tentando manter a calma enquanto ela se desmanchava em meus braços. Eu também estava destruído, mas naquele momento, Sofia precisava de mim. Não havia espaço para minha dor enquanto via minha irmã desmoronar ali, diante de mim. — Ela está descansando agora, Sofia. — sussurrei, minha voz falhando enquanto tentava segurar as lágrimas que teimavam em aparecer. — Não chore, ela não está mais sofrendo. Sofia continuava a chorar, o corpo tremendo nos meus braços, e eu sabia que nada do que eu dissesse agora traria algum conforto. Eu também estava quebrado, mas precisava ser forte por ela. Lia era uma luz na minha vida, e agora, essa luz havia se apagado, não só em minha vida. Por um momento, só consegui pensar em como tudo parecia errado. Lia era minha esperança, a única coisa boa e pura que eu tinha. Eu sempre lutei para protegê-la, para garantir que ela tivesse o melhor tratamento, as melhores chances de sobreviver. Mas a vida não segue nossas vontades, e agora, ela se foi. Enquanto abraçava Sofia, minha mente vagou para Bianca. Ela também estava perdida, mas ainda havia uma chance de salvá-la. Eu não poderia mais salvar Lia, mas podia, de alguma forma, mudar o destino de Bianca. Não deixaria que ela seguisse pelo mesmo caminho de dor e perda, mesmo que as coisas entre as duas fossem casos diferentes. Ela ainda tinha uma chance, e eu faria o que fosse necessário para garantir que ela não desperdiçasse. Depois de alguns minutos, afastei-me de Sofia, segurando-a pelos ombros enquanto olhava em seus olhos. — Vamos lidar com isso, juntos — disse, com a voz firme, mas gentil. — Lia está em paz agora. Nós precisamos ser fortes. Eu tenho certeza que ela não queria ver você assim. Ela assentiu, embora ainda estivesse devastada. Eu sabia que a dor não passaria tão cedo, mas precisávamos continuar. Havia muito mais em jogo agora, e mesmo com o coração despedaçado, eu não podia me deixar cair. — Preciso resolver o funeral, eu te vejo lá. — disse ela limpando as lágrimas. Eu concordei com a cabeça. Quando Sofia saiu do escritório, fechei a porta atrás de mim e fiquei ali, sozinho com minha dor. O silêncio no ambiente era sufocante, e tudo o que eu queria fazer era gritar, destruir algo. Lia se foi, e nada poderia trazê-la de volta. Respirei fundo, tentando controlar a tempestade dentro de mim. Me sentei sobre a cadeira, enquanto massageio a têmpora.
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