Capítulo 16

1105 Words
Bianca Santoro, Observei aquele contrato diante de mim, mas sinceramente, eram tantas palavras e cláusulas que eu nem me dei ao trabalho de ler tudo. A questão era simples: obedecer Aléssio até que ele decidisse que minha dívida estava quitada. Quando isso tudo acabasse, estaria livre dele. E, no momento, isso era tudo o que eu queria. Aléssio pegou o telefone que estava em cima da mesa e fez uma ligação rápida, sem tirar os olhos de mim. Ele falava em um tom calmo, mas firme, e, em questão de minutos, a porta do escritório se abriu. Uma mulher de cabelos grisalhos, presos em um coque impecável, entrou com passos firmes e silenciosos. Ela usava uma roupa perfeitamente ajustada, seu porte elegante e disciplinado, como se estivesse sempre preparada para qualquer ordem. — Sim, senhor. — respondeu ela com um leve aceno de cabeça, as mãos cruzadas atrás das costas, em uma postura que exalava respeito e profissionalismo. — Lupi, esta é nossa nova hóspede, Bianca — Aléssio disse, me lançando um olhar rápido. — Cuide dela e a ajude com o que precisar até que ela se adapte à casa. Coloque-a em um dos quartos e mostre o closet com as roupas. Tudo está à disposição dela. — Sim, senhor. — Lupi respondeu prontamente, antes de me olhar pela primeira vez, seus olhos avaliando discretamente, mas sem qualquer julgamento visível. — Me acompanhe, senhorita. — disse ela, gesticulando para que eu a seguisse. Olhei uma última vez para Aléssio, mas ele já tinha voltado sua atenção para os papéis na mesa, como se eu fosse apenas mais um item em sua longa lista de afazeres. Suspirei internamente, me perguntando o que diabos tinha me metido, antes de seguir Lupi para fora do escritório. O corredor que seguimos era impecável, com pisos de mármore que refletiam as luzes suaves das lâmpadas de parede. Tudo na mansão era impressionante, mas ao mesmo tempo, de uma frieza calculada. Era como se não houvesse espaço para algo pessoal ali, como se a casa fosse apenas uma extensão do próprio Aléssio: controlada, imaculada, e completamente sem emoções. — Então, senhorita Bianca, — começou Lupi, enquanto subíamos uma escada larga, feita de madeira escura polida, com um corrimão de ferro forjado detalhadamente. — Vou levá-la ao seu quarto. Ele já está preparado com tudo para a senhorita. A escada era longa, com degraus amplos e suaves, que levavam a um andar superior. Os detalhes no corrimão eram intricados, com desenhos de folhas e flores de metal que se entrelaçavam. A sensação de luxo era inegável, mas tudo ali parecia mais uma exibição de riqueza do que um lar de verdade. Quando chegamos ao andar de cima, as portas dos quartos estavam alinhadas ao longo do corredor, cada uma com maçanetas douradas reluzentes. Lupi parou diante de uma porta dupla, elegante e com entalhes delicados. — Este será o seu quarto. — disse ela, abrindo as portas e me dando passagem. O quarto era enorme. Mais parecia uma suíte de hotel cinco estrelas do que um quarto normal. As paredes eram de um tom neutro, adornadas com pinturas abstratas. A cama era gigante, coberta por lençóis de seda, com travesseiros perfeitamente dispostos. O carpete macio sob meus pés parecia acolhedor, quase uma armadilha para quem estivesse exausta, como eu. — Temos tudo o que você precisar. — Lupi continuou, enquanto caminhava pelo quarto, abrindo outra porta ao lado da cama. — Este é o closet. O closet era maior do que meu antigo quarto. As paredes estavam cobertas de prateleiras e cabides, onde roupas de todos os tipos estavam organizadas por cor e estilo. Havia vestidos elegantes, casacos de inverno de alta costura, camisas sociais, calças, e até roupas casuais. Tudo disposto com precisão. As sandálias e sapatos estavam enfileirados no chão, desde saltos altos até sapatilhas confortáveis. Bolsas de grifes famosas ocupavam prateleiras superiores, cada uma em seu lugar, como se fossem peças de museu. — Você pode usar qualquer coisa aqui. — Lupi disse, sem emoção, como se estivesse apenas recitando uma regra da casa. — O senhor Romano pediu para que tudo estivesse à sua disposição. Olhei ao redor, absorvendo o excesso de luxo ao meu redor. Nunca na minha vida pensei que teria acesso a algo assim. Era absurdo, quase surreal, e isso me incomodava. Não porque eu não gostasse de coisas boas, mas porque sabia que nada disso era realmente meu. Tudo aqui era apenas mais um lembrete da minha dívida. — Isso tudo é... demais. — murmurei, mais para mim do que para Lupi. — O senhor Romano cuida bem daqueles que estão sob sua proteção, — respondeu ela, sem mudar o tom. Parecia um comentário casual, mas havia algo na forma como ela disse isso que me fez estremecer. Sob sua proteção. Eu sabia que aquilo vinha com um preço, e não era leve. Lupi continuou a me mostrar o quarto, incluindo um banheiro privativo que parecia saído de uma revista de design. Havia uma banheira enorme, espelhos com molduras de prata e toalhas brancas que pareciam mais macias do que qualquer coisa que eu já tivesse tocado. — Se precisar de algo, há um telefone ao lado da cama. — Lupi disse, voltando para o quarto principal. — Você pode ligar diretamente para mim ou para qualquer um dos funcionários da casa. Estamos aqui para garantir que você se sinta confortável. Confortável? Pensei comigo mesma. Como alguém pode se sentir confortável estando presa em uma dívida com um homem como Aléssio? Mas eu não disse nada. Apenas assenti, porque sabia que qualquer comentário que eu fizesse agora seria inútil. Eu estava ali, e o que restava a fazer era jogar conforme as regras dele. — Alguma dúvida, senhorita? — Lupi perguntou, seus olhos me observando com aquela neutralidade de sempre. — Não, nenhuma. — respondi, tentando soar indiferente, mesmo que por dentro eu estivesse inquieta. — Muito bem. — Ela assentiu. — Estarei por perto, caso precise de algo. E, com isso, ela saiu do quarto, fechando as portas atrás de si, deixando-me sozinha naquele ambiente frio e luxuoso. Sentei-me na beira da cama, deixando o peso de tudo aquilo me atingir de uma vez. Eu estava no território de Aléssio agora, e isso significava que qualquer passo em falso poderia me custar caro. Ele havia me resgatado, sim, mas não por bondade. Havia um preço para tudo, e eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, ele cobraria. Enquanto olhava ao redor do quarto impecável, uma coisa era certa: eu estava vivendo um pesadelo luxuoso, e sair dele não seria nada fácil.
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