Capítulo 15

1078 Words
Aléssio Romano, Ela estava ali, bem na minha frente, sentada na cadeira do meu escritório, completamente diferente da garota que vi semanas atrás. Não parecia mais a garota ousada e de língua afiada que sempre tinha uma resposta pronta para qualquer coisa que eu dissesse. Agora, era apenas mais uma peça no meu jogo, alguém que tinha sido encurralada e não tinha para onde fugir. Era quase engraçado ver como as pessoas mudam quando percebem que estão sem saída. Por um momento, quase ri ao vê-la tão controlada. Todo aquele orgulho que ela carregava parecia ter evaporado assim que percebeu que a única maneira de sair dessa era obedecer às minhas regras. Claro, Bianca ainda tinha aquele brilho de desafio no olhar, mas agora estava quieta, absorvendo a realidade em que se encontrava. Era uma santa do p*u oco, fingindo que estava calma, mas eu sabia que, por dentro, ela estava fervendo. Eu gostava disso. Gostava de ver como as pessoas tentam esconder seu verdadeiro estado quando são pegas em uma situação que não podem controlar. Bianca não era diferente. Por mais que tentasse se segurar, o desconforto era visível, e eu podia ver isso em cada gesto seu. Abri a gaveta da minha mesa calmamente, meus movimentos controlados e calculados. Peguei o contrato que já estava preparado e o coloquei na frente dela. Ela levantou o olhar, primeiro para o papel, depois para mim, sem entender o que estava acontecendo. — O que é isso aí? — Ela perguntou, usando aquela gíria desleixada que eu tanto desprezava. Algo que, eventualmente, eu lapidaria nela. Havia muitas coisas que Bianca precisaria aprender, e a forma como falava seria uma das primeiras. — Isso é um contrato, — respondi, com a voz firme, mas calma. — Você me deve, e este é a garantia de que vai fazer tudo direitinho. Cumprindo cada regra que está escrita aqui, boneca. Ela piscou, ainda sem tocar no papel. — Que regras são essas? — Ela finalmente perguntou, com um tom de cautela. Inclinei-me na cadeira, aproximando-me dela, mas mantendo minha postura de autoridade. Bianca precisava entender que, a partir de agora, eu estava no controle, e que as escolhas dela eram limitadas às opções que eu permitia. — São simples. — Respondi, os olhos fixos nos dela. — Você vai seguir minhas ordens. Vai estar disponível quando eu precisar de você, e não vai meter o nariz em problemas de novo. Ou melhor, você vai fazer exatamente o que eu quiser, quando eu mandar. Esse contrato é a sua garantia de que vai cumprir sua parte da dívida comigo. Ela olhou para o contrato com desconfiança, e eu podia ver a luta interna acontecendo dentro dela. Por mais que quisesse resistir, por mais que quisesse continuar se rebelando contra tudo, ela sabia que estava sem opções. Bianca havia caído em um buraco do qual não sairia sozinha, e eu era o único capaz de tirá-la dali. E agora, ela precisava decidir se preferia continuar fingindo que tinha controle ou aceitar a realidade. — Você quer que eu seja uma espécie de escrava sua, é isso? — Ela finalmente perguntou, tentando manter o tom desafiador. Eu sorri, mas não era um sorriso de diversão. Era um sorriso de vitória, de quem sabe que tem a vantagem. — Não é escravidão, Bianca. — Respondi, com calma. — É um acordo. Você me deve, e eu vou cobrar. Esse contrato é a garantia de que você vai me pagar. E, ao contrário dos canalhas que você devia antes, eu não aceito desculpas. Ela respirou fundo, claramente incomodada com as minhas palavras, mas ao mesmo tempo sabia que não podia discutir. Bianca estava presa, e sabia disso. — E o que acontece se eu não assinar isso? — Ela perguntou, mais como um último esforço de se sentir no controle. — Se não assinar, — comecei, mantendo o tom firme e calmo, — você volta para a rua. E da próxima vez que se meter em encrenca, não vou estar lá para tirar você. Fiz uma pausa, deixando as palavras afundarem. — Você tem uma escolha, Bianca. Ou assina e começamos do jeito certo, ou continua correndo de quem quer sua cabeça, e morra. A decisão é sua. Ela ficou em silêncio por um tempo, me encarando como se estivesse tentando encontrar uma saída, mas não havia saída. Eu já havia calculado todos os cenários, e ela estava exatamente onde eu queria que estivesse. Finalmente, ela pegou o contrato, passando os olhos pelas páginas. Eu sabia que ela não estava realmente lendo os detalhes. Bianca não era do tipo que prestava atenção em formalidades. Ela só queria saber o que eu exigia dela e o que ela teria que fazer em troca da sua liberdade. — E se eu cumprir isso, estamos quites? — perguntou, levantando o olhar para mim. Eu assenti lentamente. — Sim, estamos quites. — Respondi, sem desviar o olhar. — Mas até lá, você faz o que eu mando. Ela não disse nada, mas pegou a caneta que estava sobre a mesa e, sem hesitar muito mais, assinou o contrato. A ponta da caneta deslizou pelo papel, selando o acordo que, para mim, já estava feito desde o momento em que ela me ligou da delegacia pedindo ajuda. Quando ela terminou, soltei um pequeno suspiro de satisfação. Eu tinha o controle. Bianca agora estava presa a mim, de um jeito ou de outro. Não importava o quanto ela tentasse resistir, no fundo, sabia que o contrato era mais do que uma simples formalidade. Era a prova de que eu tinha o poder, e de que ela precisava de mim para os seus problemas. — Agora que está tudo assinado, — disse, levantando-me da cadeira, vamos começar a colocar isso em prática. Ela olhou para mim, claramente desconfiada. — E o que você quer que eu faça agora? — Perguntou, como se estivesse esperando por algo imediato. Eu sorri de novo, mas dessa vez foi um sorriso mais leve. — Agora? Agora você vai descansar. Vai precisar de toda a energia para cumprir o que está por vir. — Fiz uma pausa, observando sua expressão. — Mas não se preocupe, Bianca, eu te aviso quando for hora de começar. Ela ficou em silêncio, sem saber se respondia ou não, mas sabia que, a partir de agora, não tinha mais opções além de seguir o que eu dissesse. E isso, para mim, era o suficiente.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD