Anna bateu duas vezes na porta dos fundos da mansão em que seria sua casa por alguns dias.Ela tinha admirado a fachada da casa minutos antes, e suspirou quando constatou que a construção parecia um castelo e o jardim, um portal para uma dimensão cheia de rosas e tulipas. O lugar é de fato incrível, como se um mundo de cor e felicidade de erguesse no subúrbio de Washington.
Foi Liz quem abriu, com seu uniforme meticulosamente arrumado e seus cabelos loiros presos em um coque.
— Que bom que chegou, entre, a casa está uma loucura. — Anna deu dois passos para consegui passar pelo portal, e então encarou a loucura que estava a área de serviço.
Tinha gente correndo e circulando pela casa. De fora, Anna comparou eles a formigas trabalhando para a chegada da rainha. Alguns passavam com travessas e vasos cheios de flores e outros subiam as escadas para os andares superiores levando toalhas e lençóis limpos, outros cozinhavam algo que despertava o estômago de Anna.
— Quem é essa? — uma garota perguntou, ela não usa uniforme como os outros, está vestindo calça jeans e uma blusa vintage de alguma banda de rock dos anos oitenta. Os cabelos são vermelhos e os olhos castanhos mel. Parece tão infantil que Anna soube que ela não teria mais de dezoito anos.
— Anna, a nova camareira — falou Liz e Anna ofereceu um sorriso para a garota. No entanto, a menina de cabelos vermelhos estreitou os olhos para ela.
— Só tem uma regra aqui, novata, fique longe do senhor Prescott ou sofra as consequências — a firmeza nas palavras da garota impediam Anna de rir. Liz revirou os olhos.
— Vá procurar algo para fazer, Olivia! — Liz segurou o braço de Anna e a puxou para os quartos dos empregados. Deixando a garota com uma terrível primeira impressão.
Anna contou as portas similares uma em frente a outra. Quando passaram da terceira, Liz parou no meio do corredor e falou:
— Esse aqui é seu quarto, ele é compartilhado aliás, você vai ficar com a Roseta, ela é muito calma e quase nunca fala — Liz abriu a porta e revelou o quarto e paredes azul pastel e duas camas de solteiro. Anna se inclinou para dentro afim de ver mais —, seu uniforme está sob a cama, se arrume e volte para a cozinha.
Dito isso, Liz deixou Anna e seguiu o caminho de volta.
O quarto é grande o bastante para duas pessoas e a cama, a qual Anna deu dois pulinhos para se certificar que era macia, é aconchegante e quente. O uniforme estava aonde Liz disse e Anna não conseguiu evitar uma careta para o vestido preto e o avental personalizado que prenderia em sua cintura.
São só alguns dias, pensou ela. So alguns dias disso e eu tenho minha vida de volta. Ou quase isso.
O vestido lhe caiu como uma luva, e ela não se sentiu tão estranha quanto achou que se sentiria. O tecido é grosso e firme, em um preto puro que não reflete luz, o corte no b***o é quadrado o que não valoriza os s***s dela, mas essa é a intenção. Os cabelos castanhos de Anna foram prendidos em uma trança, que depois de enrolada formou um coque sobre sua cabeça. Ela estava pronta para o trabalho, estava pronta desde o momento em que pisou na mansão.
Na cozinha, Liz dava ordens para os preparativos e Anna não estava entendendo o que acontecia naquela casa. Será que todo dia vai ser assim? Mas Anna soube que não quando olhou para o quadro de avisos. Domingo e sabado são os dias de folga, e como hoje é sexta, o dia é basicamente um mutirão de limpeza para assegurar que todos tenham sua folga.
— Roseta, instrua Anna para lhe ajudar nos preparativos — falou Liz e então uma morena se aproximou de Anna.
— Vem, vou te mostrar o que fazer.
Roseta explicava tudo com toda paciência e nos mínimos detalhes. Ela sempre sorri, notou Anna, pelo que parece Roseta gosta muito do próprio trabalho. Elas entraram nós quartos e no escritório, onde Roseta explicou o que era ou não limpo.
— O senhor não gosta que tiremos as coisas dele do lugar, então limpamos o que podemos. — falou ela enquanto fechava a porta do escritório.
Depois, quando todos tiverem dormindo, Anna se aventuraria no escritório em busca da chave ou senha do cofre. A vida dupla sempre deixa Anna animada.
— Esse é o quarto do senhor William — ela abriu uma das portas duplas e Anna colocou a cabeça para dentro do cômodo, lembrando que a decoração deste é mais escura do que os outros. —, ele tem enxaqueca, por isso prefere os tons escuros. Em uma crise, ele prefere que as cortinas estejam fechadas para que nenhuma luz passe.
Anna anotava tudo em sua mente, cada entrada e saída, cada banheiro e cada móvel. O terceiro andar, ao que Roseta falou, era proíbida a entrada de qualquer pessoa, que somente Liz tinha acesso além do proprietário.
— O que tem lá? — perguntou Anna a Roseta.
— Ninguém sabe — falou Roseta, e então a mulher de pele chocolate, e cabelos cacheados presos em um coque se aproximou de Anna como alguém que quer contar um segredo —, mas eu já vi as mulheres do senhor subirem, elas gritam lá em cima e não do tipo bom, quando saem parecem tão pálidas quando um fantasma. Eu não sei o que acontece lá em cima, mas prefiro não saber.
Aquilo despertou uma curiosidade em Anna, ela queria entender o que acontecia lá em cima para Roseta ter tanto medo. O dono é um mafioso, o que abrange o leque de possibilidades. Em outro momento, ela subiria para o terceiro andar e descobriria por conta própria o segredo que lá se esconde.
Anna fazia o que Roseta lhe atribuía. Abrir as cortinas, limpar os quadros e organizar os livros no quarto de leitura do Sr.Prescott.
Ela tinha ficado maravilhada com a quantidade de livros no quarto e em como o cômodo é extremamente confortável para uma leitura. Ela desejou poder ler um pouco ali, sentada nas bolas de algodão com uma xícara de chá de cranberry fulmegante em sua mão.
Um desejo tão distante quanto sua liberdade, pensou Anna.
O dia se passou correndo, entre limpar, conhecer os outros funcionários e catalogar a rotina de todos ali. São tantos funcionários que levaria tempo para ela conhecer a rotina de cada um, mas ela teria tempo para isso. Liz dera ordens a ela em um tom tão absurdo que ela lembraria de fazer Liz morder a própria língua depois.
Antes das oito, Roseta se aproximou de Anna para tentar fazer a mulher falar.
— É Anna de quê?
— Fiore. — uma mentira, mas esse sobrenome inventado sempre a lembrava de princesas e castelos.
— Que bonito, é italiano? — Anna fez que sim. — Você não fala muito, não é? Ou eu que sou intrometida?
— Nem um nem outro — Anna guardou o último talher na gaveta —, eu só estou me acostumando a tudo isso. — e então se calou novamente. Roseta é uma tagarela e todos sabem disso e para ela Anna parecia uma criatura extraterrestre. Quem não gosta de conversar? É um absurdo ser tão calada. Pelo menos para Roseta, que nunca para quieta.
A morena abriu a boca para falar novamente, mas o motorista a interrompeu quando anunciou.
— O chefe chegou.
Os suspiros foram ouvidos, a aglomeração de dispersou. Liz correu pelo caminho que a levava para a sala principal. No entanto, Anna so queria saber quando o jantar deles seria servido. A barriga dela roncava a tempos e tudo que ela queria eram um pouco das costelas assadas que pertencia ao chefe.
— Anna! Liz está te chamando na sala — falou Gabriel, o braço direito de Liz. Todos olharam para a novata, cientes de que o dono gostava de conhecer os funcionários e era duro sempre que podia.
Anna secou as mãos suadas no avental enquanto caminhava um passo após o outro até a sala principal.
Ela não estava nervosa, só achava que teria que encenar todas suas reações para fazer tudo parecer real.
Quando ela chegou na sala, Liz falou algo para o chefe, que o fez se virar na direção de Anna.
O estampido junto ao suspiro que ficou preso em sua garganta foram totalmente delas. Uma reação indesejada em frente ao homem que ela teria que roubar.
Ok, ele é um gato, posso lidar com isso.
Mas a questão é que os cabelos pretos como a noite e os olhos ridiculamente azuis brilhantes faziam Anna pensar em perversidades que não cabiam o momento.
Anna deu passos vacilantes em direção ao chefe, e com um sorriso nos lábios, ela estendeu a mão para ele.
— Sou Anna Fiore, senhor. — ele a encarou por longos segundos até que cumprimento ela aceitando a mão estendida.
— William Prescott, mas você já sabe.
Ele não sorriu, mas algo nele quis. Porque Anna parecia um anjo, e ele era o próprio d***o que a iria desvirtuar. m*l ele sabe que na mente de Anna ela fantasia que ele olharia para ela e quem sabe, dentro desses dias em que ela fosse sua empregada eles pudessem ter um momento. Qualquer que fosse.