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Era comum que nas sextas-feiras Anna Prescott estivesse se revirando em sua cama, faminta e desesperada. As compras que fizera com o último dinheiro que Renan dera a ela acabou na quarta, e desde então a mulher de vinte e dois anos que perdera tudo está exasperada.
Seria muito fácil fazer uma ligação para Renan e pedir mais um ou dois mil, mas desde que ela quase foi pega em seu último roubo, Anna está assustada de mais e receosa que a cadeia possa ser sua próxima moradia.
Mas para aqueles que acham que precisamos ter um lado positivo de tudo, Anna está imersa em problemas, tantos deles que a própria vida dela não a pertence mais.
Quando era pequena, era rotina sair pelo jardim colhendo morangos da horta da avô, e se empanturrar com as frutas em sua casinha na árvore.
A avó tinha partido a muito tempo, e a casa fora vendida pelo pai da garota para quitar divididas com um agiota. A única coisa que resta a Anna é a vaga lembrança de dias bons.
O celular dela toca sob a cômoda do quarto. Vibrando a madeira em uma constante. Anna sabia quem era antes mesmo de olhar para a tela, pois ninguém liga para ela além do próprio chefe.
— Oi Renan — a voz dele entregou a ele a falar de energia, e a pouca vontade de falar com ele. No entanto, Renan não da a mínima se Anna gosta ou não dele.
— Anazinha — a garota revirou os olhos com a saudação —, tenho um trabalho para você. Pode passar aqui em vinte minutos?
Não.
Sim.
Era uma luta que ela sabia muito bem que não venceria. Ela precisa do dinheiro, precisa ainda mais da comida que compraria.
— Posso — ela suspirou —, eu ja estou indo.
Renan Calisto sabe da necessidade da garota, sabe ainda mais que Anna é uma criatura fácil de se manipular, e com um pouco de motivação ela faria o ele quisesse.Um i*****l, naturalmente e um canalha por opção. Desde pequeno ele teve o mundo aos seus pés e hoje, com a beleza que muitos dizem ser mortal, Renan sabe o que quer e Anna será a chave para o tesouro.
Quinze minutos depois Anna estava no escritório de Renan. Não leva mais de cinco minutos para ir do apartamento dela ao escritório dele, mas antes de sair ela queria se certificar de que sua aparência estava boa, e que seu estômago estava forrado com algo, nem que fosse pão dormindo e água com açúcar.
O segurança brutamontes de Renan deixou a garota entrar, não sem antes de cumprimenta-la com um bom dia. Anna se sentia confortável por saber que Leon não a machucaria, que por mais que tenha tamanho e músculos, o homem era honesto e suas filhas impossibilitava que ele ousasse machucasse outra mulher. Pais são assim, bem, a maioria.
O pai de Anna a abandonou quando ela tinha oito anos, e desde então Anna não tem contato com ele.
Renan olhou dos pés a cabeça de Anna, detectando todas as falhas de seu corpo pálido. Ele sorriu, sabendo exatamente que seria como soprar um castelo de cartas fazê-la aceitar o trabalho.
Anna se sentou em frente a ele e com toda a coragem que ela conseguiu juntar, encarou o homem de cabelos loiros e olhos verdes como esmeraldas.
— Seja direto, Renan, estou cansada demais para seus arrodeios — falou Anna. Para ela é algo repulsivo recorrer a Renan sempre que precisa. E um absurdo que ele tenha tanto controle sobre ela.
— Esta tao arisca, Anna, dizem que a fome mostra o pior em nós.
— Você deve estar sempre com fome, então.
Renan sorriu, o que era raro para ele, mas Anna sempre consegue arrancar sorrisos do homem cujo o humor ficou no útero da mãe quando nasceu.
— Então serei direto, preciso que roube algo para mim, uma escritura que me foi roubada a alguns anos por um mafioso — os olhos de Anna se tornaram atentos. Ela sabe que a mafia é um limite que ela jurou a si mesma não cruzar, mas os roncos de sua barrica vazia a fazem considerar qualquer que for a missão suicida. —, meu contato já ajeitou as coisas para você, será uma doméstica a princípio, pelo menos até conseguir a escritura.
— Se é sua, por quê você mesmo não pega?
— Eu tenho você para isso, porque eu faria?
Anna sabia que esse era um ponto indiscutível, então perguntou outra coisa:
— Então vou trabalhar como doméstica, seu contato é confiável?
— O mais confiável possível — e era verdade, uma traição que resultou nisso. Renan lançou um sorrisinho para ela. —, não se preocupe Anna, o que aconteceu com Chris não vai retornar a acontecer.
Chris fora um socialite que Anna teve que namorar. Ela roubara um relógio que custa cerca de 45 mil dólares, porém, por um erro de Renan, ela quase foi pega. Isso desencadeou um novo medo em Anna que ela não tinha. Ela nunca tinha sido pega até aquele momento e a possibilidade de ser presa era absurda na mente dela. Ela conseguiu se livrar de Chris usando um pouco de seu charme e sua incrível habilidade com atuação, mas fora por pouco.
Renan abriu a primeira gaveta da mesa, e de lá tirou um bolo de dinheiro. Dois mil dólares foram contatos e entregues para Anna, mas antes que ela o pegasse de fato, Renan acrescentou.
— Sem erros, Anna.
Ela assentiu. Não é comum para ela errar em um roubo, não quando é realmente boa nisso. Ela saiu do escritório de Renan com o nome e o número do contato que a colocará na casa do tal mafioso e com o dinheiro entre os s***s. Ela não se importava que se envolver com a máfia era um problema, ela só si importava que hoje sua barriga seria cheia e que suas contas seriam pagas.
~•~
Ela ligou para o tal contato que descobriu ser a governanta da casa do tal mafioso. Elas conversaram por poucos minutos somente para marcar um encontro, que aconteceria no dia seguinte ao meio dia.
Anna nunca ficou nervosa em um de seus trabalhos e nesse não era diferente. Ela faria o que sempre faz, só que dessa vez com o dobro de cuidado. Se algo acontecesse e ela fosse pega, não seria culpa dela.
A loira chegou, aparentando ter menos de quarenta anos mas tendo seus 43 anos, a imagem é incrivelmente preservada assim como seu corpo, os olhos são atentos e de um azul acinzentado.
— Você chegou cedo — falou a loira —, isso é bom, William gosta de pontualidade. Sente-se.
Anna se sentou em frente a ela na mesa que é disponibilizada na praça de alimentação do shopping. Ela esperou que a loira falasse, queria saber quem ela era antes de entregar alguma coisa.
— Estamos precisando de uma empregada, então você vai ficar com a parte dos quartos, o que vai te dar acesso ao cofre do senhor Prescott — a loira explicou.
— Entendo, vou precisar ficar alguns dias lá para não levantar suspeitas — A loira, Liz, balançou a cabeça em afirmação.
— Quando menas suspeitas levantarmos melhor será.
— Você pode me tratar m*l, digo, ser bastante rígida, para que não pensem que temos alguma cumplicidade.
— Você faz muito isso, não é?
Liz tinha reparado na frieza do olhar da garota, na falta de luz e vida. Ela tinha percebido isso no momento em que Anna chegou e aquilo tinha mexido com ela. Ela ficaria assim depois de roubar o chefe? Será que a vida dela se tornaria tão cinza quanto a de Anna parecia ser.
— Isso não é um assunto a ser abordado — Anna se levantou da cadeira e encarou a loira se cima. —, estarei lá amanhã às sete, e Liz, se você aprontar alguma Renan vai garantir que não abra mais a boca.
O ar faltou na garganta de Liz, mas ela esta firme em sua decisão. Ela iria ajudar Renan e ia lucrar o suficiente para organizar sua vida e para ela nao importava que o patrão perdesse uma das inúmeras escrituras que ele tem.
—Eu sei, não vou falhar.
Mas Anna via o medo dela, via que se pressionada Liz abriria a boca e todo o plano ruiria. Então, Anna passou a noite planejando o próprio plano, um que nem Renan conheceria, um que aplicava uma passagem de ônibus para Seattle se algo desse errado e ela precisasse fugir.
Esse roubo tem tudo para dar errado, e isso poderia custar a vida de Anna. Que ela fosse a rainha nesse jogo então.