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729 Words
Will Ela não voltou. Mesmo sabendo que o toque de recolher é as nove, ela não voltou e algo, infelizmente, não me deixou descansar. Fiquei na sala, sentado perto da janela afim de ter visão do portão da frente. A ansiedade me devorando de dentro para fora. O que teria acontecido? Um imprevisto? Perdeu o ônibus? Qualquer coisa que não seja ela morta em uma vala qualquer. O que é que eu estou fazendo? Me preocupando com uma pessoa desconhecida, e que não tenho nenhuma relação além da estrita e profissional. Por que me importar? Por que uma parte de mim quer cuidar e proteger e f***r ela até que se esqueça de tudo? Pareço um maricas, um rolo e i****a, um muleque cheio de hormônios e excitação. Levo o copo de Whisky a boca. O que eu estou fazendo? Não é comum para mim agir assim. Quando eu quero algo não costumo deixar escapar, e também não costumo me preocupar com alguém além de mim. Uma merda. É isso. Estou perdido. O portão da frente se abre ela passa. Meu coração, e******o e i****a, palpita dentro do peito. Ela se aproxima e eu consigo ver o seu rosto. Mas que p***a é essa? Me levanto, quase correndo até a entrada dos fundos por onde ela entraria. A porta se abre e Anna entra. No momento em que ela me vê, ofegante e parado como se fosse pular nela — O que diabos eu tô fazendo? — , a surpresa é palpável nas feições dela. O nariz está enfaixado e ao redor está roxo e avermelhado. A gaze arrodeia a cabeça dela e os olhos estão vermelhos e inchados como se ela tivesse chorado até aquele ponto. A raiva em mim cresce fervilhante. — Quem fez isso com você? Ela pisca, atordoada. Vejo o momento em que o corpo dela vai para trás como se temesse...a mim. Não é de menos, a jugar o que eu fiz no primeiro dia dela aqui. Mas, a sensação é incomoda. — Ninguém, eu escorreguei e caí. — E quebrou o nariz no processo? Quem diabos fez isso com você! — Grito, mesmo não querendo assusta-la. — Will, eu caí e foi só isso. Pisco. O que foi que ela disse? Vou até ela com rapidez. O corpo dela vai para trás em direção a porta. Quando alcanço ela, a cerco com as minhas mãos, uma de cada lado do corpo dela. Pânico flutua em seus olhos mas eu não me afasto. Ela é minuscula se comparada a mim e mais parece um coelho presa a um predador. — Senhor... — A voz dela e exitante. — Ah, não fale nada. — O perfume dela me guia até o topo da cabeça dela, onde afundo o meu nariz entre os cabelos dele para inalar o cheiro de lavanda. — Você está machucada, não vou fazer nada com você, ainda. — A-ainda? — É, coelho, ainda. Você é boa demais para ser minha funcionária. — O cheiro é tão bom. Me pergunto se outros aromas do corpo dela sejam tão... deliciosos. Meu p*u pulsa dentro da calça só com a ideia de prova-la. — O que quer dizer com isso? — Nada, ainda. — Me afasto somente para conseguir olha-la. — Não vai me contar o que aconteceu? Vejo a garganta dela oscilar e já me preparo para a mentira que vai vir. Por que ela sempre está mentindo? — Eu caí, só isso. — A voz dela sai como um fio, quase inaudível. — Vou acreditar nisso, por enquanto. Apesar de preferir que ela suba para meu quarto, tenho total ciência de que estou parecendo um louco agora — o que de fato eu sou —, mas não quero assusta-la. Me afasto, e ela volta a respirar. — Vou chamar um médico para ver se isso aí está bom, não quero um arranhão em seu rosto. — Isso não é... — Vá descansar, coelho, amanhã conversamos. Lhe dou as costas, sabendo que a deixei desconcertada e confusa. Sigo em direção as escadas da casa. Por enquanto, vou deixar que "eu caí" seja uma resposta, mesmo eu sabendo que um hematoma como aquele seja devido a uma agressão e não a uma queda. Na hora certa, quem fez isso vai torcer para eu ser misericordioso. O que eu não vou ser. Nenhum pouco.
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