Will
Anna Fiore. Por que? Por que tinha que ser justo você? Uma mulher de cabelos castanhos, olhos amêndoados e lábios tão...ah, por que justo você?
A imagem dela, presa ao sofá e paralisada pela minha arma não sai da minha cabeça. Desde pequeno tenho uma obscessao por controle, desde que meu mundo foi tirado de mim. E ver Anna tão minúscula me fez desejao, não levá-la para o terceiro andar onde coisas terríveis e prazerosas acontecem, mas para a minha cama. Somente minha.
Por que justo ela?
Com toda os pensamentos fervilhando em minha cabeça, saiu do quarto enbusca de...
Ah, f**a-se. O que tem de errado em admitir que eu quero vê-la? Que eu quero entender como ela chegou aqui? Tão delicada e linda. Como foi que ela chegou a esse fundo do poço?
A encontro na sala, espanando o interior de um vaso verde. Ela esta tão distraída, com os pensamentos forcados na tarefa.
— Acho que já está limpo.
O vaso escapa das mãos dela e o susto pecorre-lhe o corpo. Cacos se espalham pelo chão ao som de um estilhaçar estridente. Ela olha para mim e então para o chão cheio de pedaços estilhacados de cerâmica.
— Mil perdões, eu não sei como...
— Não se preocupe — Os olhos dela, arregalados e atordoados, me fazem ser curativo em imagina-la com essa expressão em outra ocasião. —, eu não devia tê-la pegado tão desprevenida.
Me agacho afim de juntar os cacos.
— Não mexa! — Levanto o rosto para olha-la. — Você pode se machucar.
Anna correu em direção a cozinha e rapidamente voltou com uma vassoura e uma pá. Me senti um inútil enquanto assistia ela juntar os cacos, mas ainda assim não consegui desviar os olhos dela. Os cabelos presos em um r**o de cavalo — se ela soubesse em como eu usaria esse r**o de cavalo ela evitaria usar-lo perto de mim —, o uniforme padrão mas tão distinto nela. Por que tão quadrado? Eu sempre quis me manter distante das minhas funcionárias, apesar de sempre haver uma ou outra cheias de olhos e sugestões para mim, e o traje sem adornos e reto foi um mecanismo de proteção. Mas por que nela parece...inadequado?
— Espero que não seja muito caro, é claro que eu irei lhe pagar o valor.
Duvido muito que ela tenha treze mil dólares. Esse vaso veio direto da China, um artefato da dinastia Yin, que ganhei ao arremata-lo em um leilão.
Eis um fato sobre mim, eu adoro obras de arte.
— Não se preocupe, existem mais desses por aí. — Não mesmo, apenas dois e um já pertence a um Russo esquisito que não quis me vender a outra peça.
— O senhor precisa de alguma coisa? — Ela jogou os cacos dentro de um balde revestido com uma sacola preta e então olhou para mim.
— Não, mas — Os olhos castanhos estao iluminados devido a luz. —, você ja pensou em ser manequim?
Ela piscou e a testa franziu levemente.
— Não acho que eu levo jeito, senhor. — Ela sorriu, como sempre sorri para todos. Carteiro, motorista, vira-lata de rua. Todos fazem ela sorria assim. Pft, que idiotice. Ela não sabe que pode facilmente iludir alguém sorrindo assim?
— Mas você gostaria?
— De que?
— De ser manequim?
Uma risada anasalada e baixa a fez cobrir a própria boca para conter o riso.
— O senhor é um excelente piadista, agora se me der licença, tenho que subir para o segundo andar.
A deixei ir, mesmo que ela não tenha levado minha proposta a sério. Ou, será que ela não entendeu? Ela não parece ser burra.
Vou para o escritório, determinado em fazer algo para que ela veja a capacidade de ser uma bela paisagem. Passo cada minuto do meu dia fazendo isso, deslizando o lápis pelo papel. Eu não me lembro a última vez que desenhei, e muito menos quando deixei de ser bom. Ficou torto, e um pouco assimétrico, mas parece com ela e é tudo o que importa.
Quando tenho certeza que os funcionários estão jantando, vou para os fundos, onde o quarto compartilhado dela fica. Sobre o travesseiro, com outra rosa, só que dessa vez na cor de rosa, deixo meu presente.
Queria poder ver a reação dela ao ver o retrato dela, mas infelizmente, ninguém poderá ver tamanho espetáculo.