Capítulo-01 Hervan.

992 Words
O silêncio tedioso de sua enorme e luxuosa sala o fez praguejar alto. Depois de longas horas em uma sala discutindo pontos de um possível contrato de investimento em uma empresa que Hervan havia analisado que seria um excelente negócio, estava sem muita coisa para fazer. Um barulho na porta chamou sua atenção. - Entre, por favor. - Adria, sua secretária, abria a porta com seu jeito profissional e sério. Fitou-o antes de falar educadamente. - Desculpe Senhor, a senhorita Reivy acaba de chegar para a reunião das dez horas. - Mande-a entrar, por favor! Taralyn Reivy é uma jornalista famosa da mídia empresarial, insistiu por meses na maldita entrevista e Hervan, cansado da insistência chata da jornalista, acabou cedendo. Reivy entrou na sala com Adria e em seguida os dois foram deixados a sós. - Senhorita Reivy - pronunciou-se Hervan, sem se importar se soou rude ou não. - Senhor Swarle... Ambos apertaram a mão um do outro e Hervan indicou a cadeira para que Taralyn sentasse. - Penso que o senhor deve ser um homem muito ocupado, podemos ir direto para a entrevista? - Demandou levantando uma sobrancelha. - Sim! Reivy acomodou-se na cadeira indicada por Hervan, enquanto puxava um gravador de dentro da bolsa junto com alguns papéis onde estavam anotado as perguntas, provavelmente as mesma que Hervan vem escutando em cada entrevista feita. - OK, Senhor Swarle como conseguiu seu primeiro milhão? Hervan jogou-se contra o encosto de sua cadeira, com a resposta na ponta da língua. Uniu as mãos, como se aquele simples gesto fosse mantê-lo calmo. - Não é segredo para ninguém, mas irei responder prontamente sua pergunta. Não digo meu primeiro milhão e sim meu primeiro investimento. Eu morava em um apartamento com um amigo e... digamos que em um belo dia de sorte para mim e azar para um apostador, consegui ganhar mais de um milhão acumulado. Tudo isso com apenas uma semana para me tornar maior de idade, e atualmente, o homem mais bem-sucedido do mundo. Taralyn escutava atentamente sua resposta em silêncio, balançando sua cabeça uma vez ou outra. Assim que Hervan termina de responder sua primeira pergunta, Reivy levou o gravador próxima de sua boca e pronunciou a segunda pergunta: - Então o senhor comprou o bilhete do apostador? - Não! Eu estava em frente à casa de apostas quando vi o pobre homem azarado perdendo o bilhete que caiu no chão. - E o que o motivou a pegar o bilhete? - Puxando ar para os pulmões Hervan respondeu: - Eu tinha intenção de fazer com que o homem comprasse o bilhete de mim de novo, peguei-o e corri atrás dele, mas não consegui acha-lo. Então voltei a casa de apostas e esperei-o retornar, entretanto, depois de algum tempo o homem não voltou e o locutor começou a chamada dos números dos ganhadores. Ao mesmo tempo que os números apareciam na tela eu olhava no papel, certificando-o se estava certo... - E o que sentiu ao saber que tinha ganhado? - Nada, eu só não acreditava no que estava acontecendo comigo, mas quando tive certeza não comemorei. - Por que? - No começo fiquei com medo e não contei a ninguém, fui em busca do meu amigo que já tinha atingido a maioridade civil! Reivy observou Hervan por alguns minutos, e então, fez uma outra pergunta. - O senhor procurou a pessoa que perdeu o bilhete? - Não, eu era jovem e ambicioso demais para pensar em algo assim. - Certo! Depois de investir nas ações da B' InterSir no que mais investiu? - Demorei anos para investir em outra empresa como a B' InterSir. Primeiro quis saber no que estava me metendo, depois meu segundo investimento foi na Lagus Moda. - O que o influenciou nessas decisões? - Investimento, sempre foi algo que me motivou e quando vi que as ações da Lagus só tendiam a crescer arrisquei. - Tudo bem, só mais uma pergunta, o senhor conheceu seus pais? - Desculpe, mas não toco neste ponto da minha vida. - Hervan passou a mão no queixo tentando não demonstrar nervosismo quanto a falar do passado envolvendo seus pais. - Desculpe senhor. Obrigada pela entrevista. Isso é tudo. - Disse Reivy recolhendo suas coisas. Logo que Taralyn Reivy saiu de sua sala com uma expressão mais do que satisfeita por sua insistência, Hervan enchenceu-se de raiva. Como das outras vezes, a entrevista o fez pensar no passado, algo que ele vem lutando e tentando a anos esquecer. Mas, os pesadelos durante a noite e as cicatrizes que possui em algumas partes do corpo, o impedi de se libertar da escuridão que está com ele. Num ímpeto de raiva ele derruba as coisas sobre sua mesa, ele se vira em direção a janela do seu escritório, respirando rápido, tentando se acalmar. Mais controlado ele volta até sua mesa e pega o telefone e liga para Adria. - Senhor? - Cancele meus compromissos e me mande por e-mail os nome dos entrevistados para a vaga de meu assistente pessoal ainda hoje. - Ordenou entre dentes. - Sim senhor! Com um bater surdo do telefone na mesa, pegou o celular e rapidamente mandou uma mensagem para Tyller, seu motorista e segurança. Hervan já estava saindo do escritório quando sua mensagem foi respondida no elevador, lá estava a confirmação que ele gostaria: "Na entrada senhor". Sua cabeça começava a doer e seu humor não era dos melhores. As portas do elevador se abriram e Hervan caminhou rápido para saída da empresa, seu motorista estava com a porta do passageiro aberta, esperando por Hervan. Assim que o mesmo entrou no veículo, não precisou falar qual destino, pois seu motorista já conhecia-o o suficiente para saber que seu patrão queria ir para casa e ficar sozinho. Tyler pôs o carro a andar e, com aquele balançar suave Hervan fechou os olhos, permitindo que as recordações passasse pelas suas pálpebras fechadas como se fosse um filme.
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