Sua cabeça estava deitada de lado no travesseiro, no intuito de abafar o barulho irritante do despertador. Com um resmungo de desaprovação, Eleonora jogou a mão sobre o aparelho, fazendo um barulho ainda maior ao cair no chão.
— Assim você vai passar para seu despertador número três e nem fechamos o mês ainda. — A voz de Dylan, seu irmão, veio da porta do quarto. Eles estavam dividindo o apartamento depois de uma discussão calorosa dele com os pais.
— Eleonora Miller, se você não sair agora desta cama, eu não vou te chamar mais! Ah... você está atrasada para sua entrevista na Skailler Point — Gritou da porta, com um sorriso no rosto.
Com um salto Nora estava de pé, mesmo ainda sonolenta e toda bagunçada.
— Eu já estava acordada... — Resmungou, caminhando em direção ao banheiro.
Dylan não pôde deixar de sorrir. Virou-se para acompanhar a trajetória da irmã até o banheiro.
— É claro que estava, como na primeira vez que te acordei e na segunda também — Debochou.
Praguejando um palavrão, Eleonora continuou seu caminho até o banheiro. Tomou um banho rápido, escovando os dentes debaixo do chuveiro, na água quente e, aproveitou para dar um jeito no cabelo por lá mesmo.
Para não perder mais tempo, Nora sai do banheiro respigando água por onde passava até estar de volta em seu quarto.
Com uma rapidez quase absurda, Eleonora veste uma calça preta de corte social, uma blusa branca de seda com botões; faz uma maquiagem rápida, porém, cuidadosa para não borrar. Já devidamente arrumada, com sapatos de saltos baixos, Eleonora finaliza seu look com um batom vermelho.
Dylan tomava uma caneca de café quando Nora entrou na cozinha.
— Eu até te ofereceria minha xícara de café, mas como você está com pressa… — Piscou os olhos com um sorriso sínico estampado. Nora agradecida foi até Dylan e lhe deu um beijo no rosto.
A entrevista na Skailler Point era sua terceira tentativa de arrumar um emprego melhor, seu atual patrão era um chato e a infernizava por diversos motivos. Tinha momento que a voz dele ainda martelava sem parar na sua cabeça.
“Este café está igual a sua cara. Horrível!”
“Veio fazer uma demonstração do bizarro com essa coisa que chama de roupa?”
“Está tentando me impressionar?! Pois falhou! Saia da minha sala e faça algo útil.”
E é claro a melhor frase do dia era quando via Nora o esperando prontamente para começar a trabalhar
“O que foi Miller? Virou relógio para ficar me esperando? Adianta o serviço, b***a quadrada”.
Isso quando não tinha reuniões em que a presença de Eleonora fosse necessária e seu chefe a insultava, dizendo na frente de todos os acionistas, sócios e etc, que Eleonora era uma incompetente, desleixada e nada inteligente.
Na maioria das vezes Nora tinha que morder sua língua para não transbordar toda a sua raiva para cima de seu patrão, que, ao vê-la corada de raiva ou de vergonha, fazia mais implicância em relação a ela, como do tipo de chamá-la de moranguinho ou cereja.
Hoje era seu dia de folga e em vez de descansar tinha uma entrevista de emprego. Saindo do prédio onde mora entrou em um táxi.
— Bom dia, vinte pratas a mais na corrida para chegar em 10 minutos na Upper East Side com a 425 — Disse assim que adentrou no veículo abrindo um sorriso de anjo para o motorista, que só deu de ombros e acelerou o automóvel.
Ao chegar ao prédio, não pode deixar de notar como o mesmo se mostrava impotente devido à fachada elegante.
Pagou pela corrida e mais o prometido. Ela havia conseguido chegar a tempo na matriz principal da Skailler e não podia reclamar, já era um grande passo ser chamada para uma entrevista.
Entrou no elevador e apertou o botão correspondente ao andar desejado, as portas se abriram em um grande hall. A empresa não escondia que era a segunda empresa mais rica do mundo, pois ostentava em tudo, desde organização física-espacial, os móveis com design moderno e chique, a decoração luxuosa e sofisticada, a frieza dos funcionários, até o reconhecimento no meio empresarial e Nora só estava no hall da presidência da matriz. À sua frente, uma secretária séria e centrada em seu serviço estava atrás de uma mesa feita de mogno e não levantou o rosto para olhar em direção à Nora.
Quando a candidata não falou a mulher levantou o rosto cansado e impaciente.
— Posso ajudar? — Pediu com um sorriso plastificado no rosto.
— Sim, tenho uma entrevista agendada. — Falou Eleonora, tentando esconder seu nervosismo. Afinal estava apostando todas as suas fichas nesse emprego.
Olhando para o relógio, a secretária disse: — Certo, você é a primeira, vou te levar até a sala onde acontecerá a seleção, o profissional já está à sua espera.
Nora quase gritou de alegria, mas depois de meia hora de perguntas, saiu da sala frustrada, a secretária a olhou com pena.
— Não fique assim, talvez te chamem para uma segunda entrevista. – Falou tentando dar esperanças a Nora.
Nora deu um sorriso gentil à mulher e foi embora.
***
Nora chegou em casa frustrada, e ao abrir a porta, ouviu a TV da cozinha ligada, Dylan costumava fazer o almoço quando estava de folga. Assim que viu a expressão de sua irmã, correu até ela e a abraçou.
— Você não conseguiu, não é? — Era mais uma afirmativa do que uma pergunta propriamente dita.
— Não... não foi desta vez.
— Não fica triste, você tem mais uma entrevista e nesta você vai arrasar. — Afirmou, tentando passar toda positividade.
— Acho que vou...
Na TV o programa Empresas de Nova York estava começando, Nora gostava de assistir, além de ficar antenada sobre o meio, era uma distração que de fato adorava, pois dava dicas preciosas sobre vagas de empregos, foi assim que soube que as empresas precisavam de funcionários para trabalhar.
A apresentadora Taralyn Reivy, falava com entusiasmo sobre sua entrevista com Hervan Swarle. Nora conhecia o famoso empresário da TV, era conhecido também por ter um humor péssimo, e por sempre ser duro nos negócios. Diziam os fofoqueiros que era incapaz de se apaixonar, o que poderia ser verdade já que ele sempre aparecia com uma mulher diferente nos eventos sociais, nunca repetia uma companhia.
Reivy começou a comentar sobre a entrevista e citou as respostas dadas por Hervan, em seguida anunciava que a entrevista sairia na íntegra, na revista Entretenimento dos Negócios e assim os telespectadores poderiam acompanhar tudo.
Na frente de Nora, o vapor do seu almoço subia em seu rosto, Dylan havia colocado em sua frente um generoso prato de lasanha, sem muita fome, comia de vez em quando mexendo no prato.
— Não fica assim Nora, você vai conseguir... — Dylan disse tentando passar segurança para a irmã.
— Eu espero que sim, Dy. — Nora disse um pouco nervosa e ansiosa, ela comeu seu almoço sem delongas e foi para o seu quarto.