Quando a lua guarda o que o coração diz FERNANDO MORELLI BASTIANI Era madrugada. Três da manhã. A cidade dormia, mas eu não. No terraço, a brisa fria da noite trazia o cheiro do mar, e a lua cheia pendia no céu como se quisesse vigiar cada pensamento meu. Passos leves vieram de trás. Ela. Pela primeira vez, Alinne subiu e sentou ao meu lado. O silêncio durou até que ela olhou para a praia iluminada pela lua. — Quando você vai me levar ali? — perguntou, apontando para a areia e o mar. — Por que você quer ir ali? — questionei, sem desviar o olhar. — Não quero ir ali. — Ela voltou os olhos para mim. — Quero nós dois ali. Deixando o mar beijar o que sentimos. E nos contar como se chama. — Você não sabe o nome do que sente por mim? — perguntei, prendendo o queixo dela com meus dedos.

