Quando a confiança vira a moeda mais rara da cidade FERNANDO MORELLI BASTIANI A cidade acordou sem pássaros. Quando Positano fica sem canto, eu sei que a rua decidiu falar mais baixo para escutar quem chega. E alguém está chegando — não de navio, não de trem. Chega do jeito que os predadores chegam: pela sombra das coisas que já existem. Eu desci as escadas com a arma fora da vista e a cabeça limpa o suficiente para ouvir barulho de chave em porta vizinha, discussão abafada de casal, rádio chiando futebol antigo no bar do Luigi. Tudo igual. Quase igual. O “quase” é o que mata. Hoje eu apresento, a quem precisa, três homens que carregam meu nome quando eu não posso estar. Não são irmãos de sangue. São a trincheira que me separa do chão. 1) Matteo Bellanti — O olho que mapeia o medo M

