Quando a arte vira campo de batalha ALINNE BELLEROSE GUSMÃO O almoço ainda pesava doce no estômago quando Fernando me olhou em silêncio. O vinho branco deixara seus olhos mais suaves, mas eu sabia que, por dentro, a mente dele ainda era guerra. Então ele perguntou: — Vai ver seu ateliê? Fiquei alguns segundos saboreando a pergunta. O convite escondia uma hesitação, uma entrega. Eu sorri. — Você vai comigo? Ele ergueu uma sobrancelha, encostando o braço no encosto da cadeira. — Só se você quiser. Meu coração apertou com a simplicidade da resposta. — Sempre! — murmurei, com a firmeza de quem não quer deixar dúvidas. — Vamos? Ele segurou minha mão com força. O calor da palma dele sempre parece dizer o que as palavras não conseguem. Caminhamos juntos pelas vielas estreitas, até que a

