Quando o destino deixa de ser segredo FERNANDO MORELLI BASTIANI — Você vai me contar agora? — a pergunta veio baixa, quase sussurrada, mas cortou o ar da sala como se tivesse peso. Eu a olhei por alguns segundos, preso entre a vontade de falar e a necessidade de adiar. — Podemos conversar… ou podemos ir à cachoeira. — falei, aproximando-me, deixando a escolha flutuar entre nós. Ela me mediu com os olhos, o canto da boca se levantando num desafio silencioso. — Cachoeira, então. — respondeu, como quem aceita um convite perigoso. Saímos da mansão pela porta lateral, descendo por uma trilha de pedra coberta de musgo. O ar estava úmido, a brisa carregando cheiro de sal misturado a terra molhada. Uma chuva fina caía como véu, suficiente para umedecer a pele sem roubar o calor do corpo.

