VINTE DIAS EM CORES

1642 Words

Quando a arte vira memória A chave girou na fechadura e o ateliê se abriu mais uma vez para Alinne. O espaço já não tinha cheiro de novo: a madeira absorvera tintas, vinhos, frutas. Ela entrou em silêncio, segurando as telas brancas como quem segura destinos. O cabelo solto incomodava; prendeu-o em um coque rápido, com o mesmo gesto que fazia quando tinha pressa de mergulhar em algo maior do que ela. Naquele primeiro dia, escolheu uma vista que todos em Positano conheciam, mas poucos realmente olhavam: a curva estreita da escadaria que descia até o coração da cidade. Paredes amareladas pelo tempo, flores vermelhas escorrendo de vasos improvisados, um gato preguiçoso no canto, sombra e luz brigando pela posse da pedra. Seus pincéis deslizaram como quem reza, e aos poucos a tela deixou de

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