Onde cada gesto é um “fica mais um pouco” FERNANDO MORELLI BASTIANI O porto estava silencioso naquela hora da tarde, com poucos pescadores arrumando redes. O iate já nos esperava, amarrado, o casco limpo, as cordas no lugar. O capitão cumprimentou com um gesto respeitoso. — Rota curta, senhor? — perguntou. — Não — respondi. — Li Galli. Os olhos dele brilharam como quem entende o significado. Subimos a bordo devagar, eu à frente, ela logo atrás. O som do motor ligando se misturou ao cheiro de sal e combustível. A vibração do convés subiu pelos pés até o peito. Ficamos no deck de trás, lado a lado, enquanto o porto se afastava. O vento bagunçava os cabelos dela; ela fechou os olhos e respirou fundo, como se quisesse guardar aquele ar para os dias ruins. Rumo a Li Galli O mar estava

