Quando o medo de perder revela o desespero das escolhas. FERNANDO MORELLI BASTIANI Houve uma onda minúscula no galpão — como se o ar de todos que estavam escondidos respirasse mais fundo num segundo. Nas sombras acima, do lado do mezanino, eu vi aquilo que não era para ser visto: um meio-perfil que a minha memória reconhece antes da minha pele. Um quase-sorriso orgulhoso quando ela cuspiu a palavra “escolha”. E sumiu de propósito de novo, como era para ser. O assobio ainda era dele. A noite, agora era minha. Ela deu um passo, foi para a frente de nós dois, entre eu e Rocco, e encarou. — Vocês querem lutar por Positano? Pelo trono? Pelo poder de mandar? Matem-se por isso. Mas me tirem desse pacote. Eu não sou prêmio. O queixo de Rocco firmou. O meu, também. — Ela escolheu — eu disse

