O ÓDIO E O MAR

1678 Words

Quando o inimigo sorri e o sangue pede resposta FERNANDO MORELLI BASTIANI O sorriso dele não me sai da cabeça. Aquele sorriso cínico, medido, ensaiado. Sorriso de quem sabe que a faca não precisa cortar — basta mostrar o brilho. Revivo a cena em cada detalhe: ele se inclinando sobre ela, a boca falando em inglês como se quisesse me colocar do lado de fora da própria mesa. E eu, feito um pato, mordendo a isca. Entregando de bandeja o que ele queria — a minha fúria, o meu ciúme, o meu descontrole. Ando de um lado para o outro no estúdio, o corpo tenso, o coração latejando como tambor de guerra. A respiração pesa, arranhando a garganta. O choro de ódio fica preso, roncando como fera engaiolada. Domênico entra. — Fala, chefe. O que houve? Paro. Me viro. A voz rasga: — Eu… eu vou matar

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