A ASSINATURA DO MEU NOME

1931 Words

Quando a dor vira promessa ALINNE GUSMÃO Fico alguns segundos parada, ouvindo apenas o zumbido distante do motor da geladeira velha do porão e o eco da porta que bateu depois que ele saiu. Fernando. A jaqueta dele ainda parece estar aqui, pesando no ar como um cheiro de couro, sal e culpa. Eu respiro fundo, sentindo o corpo inteiro tremer de um jeito que não sei se é medo, cansaço ou… alívio. Minhas mãos ainda lembram o metal frio da algema. O pulso, marcado. Mas é outra marca que me chama. Eu caminho devagar até o espelho embaçado preso à parede lateral, aquele que sempre devolve a mim uma versão mais frágil do que eu gostaria. Hoje, ele devolve outra coisa. Inclino o corpo, puxo o cabelo para o lado, prendo a respiração. A pele ainda está sensível. Vermelha. Viva. E então eu vejo.

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