Quando o perdão encontra o corpo FERNANDO MORELLI BASTIANI A madrugada em Positano tem um silêncio que pesa. Não é o silêncio vazio — é aquele que carrega tudo o que não foi dito, tudo o que deixamos escondido nos gritos, no ódio, na violência. As ruas cochicham sal e pedra. As janelas, fechadas, parecem guardar olhos. O beco me reconhece, devolve meus passos duros, e cada passada arrasta o gosto metálico que o sangue deixou na boca. Eu volto pro estúdio como quem volta de uma guerra. E, no fundo, é exatamente isso. A imagem do sorriso de Lorenzo ainda me atravessa — cÃnico, medido, o tipo de sorriso que não precisa morder pra ferir. Vejo também o rosto de Domênico, os olhos calmos mesmo sob a pancada. O peso inteiro do mundo na mão, e meu peito latiu como tambor até agora. Respiro fund

