Quando ficar deixa de ser prisão e vira decisão FERNANDO MORELLI BASTIANI Desci do telhado quando o vento já não dava conta de segurar nada dentro de mim. A casa respirava baixo. Abri a porta do quarto em silêncio e a vi sentada na beira da cama, cabeça baixa, o braço recém-marcado erguido sob a luz fraca. Havia alegria no jeito como ela acompanhava o desenho com a ponta dos dedos — ficou lindo, não há outra palavra —, mas havia também tristeza: a palavra que eu joguei como pedra mais cedo, aquele “some” que doeu nela mais do que três horas de agulha. — Alinne… — falei, e a voz saiu sem armadura. — Desculpa pela forma que eu falei. Então eu vou ser mais claro, tá? Eu estou te libertando. Eu não quero mais você aqui por causa dessa vingança com seu irmão. Meu problema com ele, quando de

