Quando o perigo chega com cheiro de perfume caro DOMÊNICO VILELLA Estou sentado no balcão do restaurante, uma garrafa de refrigerante gelado na mão, virado de frente para a porta. O gás sobe pelo gargalo, arde na língua e limpa a garganta, mas minha atenção não está na bebida. Está no homem que acabou de entrar — e que fala demais para quem diz estar só “conhecendo a cidade”. Me chamo Domênico Vilella, tenho 43 anos. Conheço o Fernando há treze. E devo a ele mais que a vida — devo a minha lealdade. Treze anos atrás, o Fernando me trouxe para a Rosa n***a. Eu não sabia nada desse mundo até aquele dia; só sabia que tinha uma arma encostada na minha cabeça pelo capanga do Lyra. Nem fazia ideia de que o Lyra comandava uma organização. Tudo o que eu sabia, até então, era que eu estava apaix

